Bolsonaro sugere que Coaf vá para o Banco Central e mude de nome

Bolsonaro sugere que Coaf vá para o Banco Central e mude de nome

Jair Bolsonaro concedeu entrevista à imprensa na frente do Palácio da Alvorada nesta 6ª feira (9.ago)Reprodução/BandNews

O presidente Jair Bolsonaro sugeriu na manhã desta 6ª feira (9.ago.2019) que o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) seja movido para o Banco Central e mude de nome. A ideia, segundo o presidente, é blindar o órgão de pressões políticas.

“Pretendemos tirar o Coaf do jogo político”, disse Bolsonaro. “Estamos conversando esse afastamento, de vincular ao Banco Central. […] Tudo onde tem a política, mesmo estando bem intencionado, sempre sofre pressões de 1 lado ou de outro. A gente quer evitar isso aí”. Segundo Bolsonaro, estando no Banco Central, o Coaf teria condições de “fazer o seu trabalho sem qualquer suspeição de favorecimento político”.

A mudança ainda precisaria do aval do presidente do BC, Roberto Campos Neto. Segundo Bolsonaro, “o que parece que ele [Campos Neto] pretende é ter 1 quadro efetivo do Coaf. Que mudaria de nome, inclusive”. Ao ser questionado a respeito de como o conselho passaria a ser denominado, o presidente brincou: “Eu ainda nem casei contigo e já tá querendo saber o nome do nosso filho?”

As declarações foram dadas em entrevista à imprensa em frente ao Palácio da Alvorada. O presidente da República estava acompanhado do ministro Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública), que deve acompanhá-lo na cerimônia de promoção de oficiais generais no Planalto ainda durante a manhã.

PACOTE ANTICRIME

Questionado sobre a perspectiva de aprovação do projeto de lei de Moro, Bolsonaro indicou que a responsabilidade é do Congresso: “Quem faz o calendário é o Rodrigo Maia e o Davi Alcolumbre”. Também afirmou que gostaria que a Câmara, tendo já aprovado o projeto de reforma da Previdência, passasse ao pacote anticrime.

“[Moro] tem consciência de que não depende apenas dele. Depende do Parlamento”, disse o presidente.

“A reforma da Previdência sempre teve prioridade”, comentou o ministro da Justiça, ao lado de Bolsonaro. Um jornalista presente perguntou se Moro sentia-se de alguma forma pressionado. “Não. Talvez pela imprensa”, respondeu o ministro, sorrindo.

EDUARDO EM EMBAIXADA

O presidente também confirmou que envia ao Senado a indicação de seu filho Eduardo Bolsonaro para comandar a Embaixada do Brasil em Washington, nos Estados Unidos após a reunião deste com o ministro Ernesto Araújo (Relações Exteriores).

Ao comentar a reunião de seu filho com o chanceler, Bolsonaro alfinetou as Organizações Globo: “Por coincidência, acho que foi o Eduardo que me apresentou o Ernesto. Agora é o Ernesto apresentando o Eduardo, tá vendo? Ó, bota o laço familiar da Globo aí, mais 1. Bota lá, bota lá”. Em 4.ago, o jornal O Globo publicou reportagem indicando que a família do presidente teria empregado 102 pessoas com laços familiares em seus gabinetes. Desde então, o presidente tem mencionado a reportagem quase diariamente.

Poder360