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Bovespa tem desvalorização de mais de 22% no semestre e 11% no mês

download (5)O principal índice de ações da Bovespa fechou em baixa nesta sexta-feira (28), acumulando queda de 11% no mês. No semestre, a bolsa paulista acumulou perda de mais de 22% – o pior resultado desde o segundo semestre de 2008, quando a baixa superou os 40%.

Com o resultado, investidores já se preparam para fechar 2013 no vermelho, avaliando que apenas uma reversão de expectativas com a economia doméstica poderá mudar esse cenário.

A bolsa brasileira seguiu o movimento das bolsas externas e foi pressionada pelas ações das empresas de Eike Batista, que registravam fortes quedas.

O Ibovespa caiu 0,32%, a 47.457 pontos.Veja cotação

O giro financeiro da sessão foi de R$ 9,05 bilhões.

Pior semestre desde 2008
A Bovespa teve pior desempenho semestral desde a queda de 42% registrada no segundo semestre de 2008, ápice da crise nos Estados Unidos que culminou na quebra do Lehman Brothers.

O consolo, segundo os profissionais de mercado, é que aparentemente há pouco espaço para os preços caírem muito mais, pois já refletem a combinação de piora generalizada dos fundamentos macroeconômicos do país com o pico de aversão global a risco, após os Estados Unidos apontarem para redução dos estímulos monetários.

Para especialistas, os sinais do banco central americano, Federal Reserve, de que pode reduzir nos próximos meses o seu programa de compra de títulos e, consequentemente, reduzir a liquidez do mercado, catalisaram o pessimismo do mercado.

“Isso diminuiu o fluxo para mercados emergentes e isso deve continuar nos próximos meses”, disse Walter Mendes, sócio da Cultinvest Asset Management. “O que ainda vamos descobrir é a intensidade com que isso vai acontecer”.

Na sua visão, por isso não surpreende o fato de que as ações consideradas de maior risco, como as das empresas do empresário Eike Batista, tenham estado entre as maiores quedas recentes.

Ações em queda
Na bolsa brasileira, o índice era pressionado pelas ações de empresas como MMX, com queda de mais de 10%, OGX, com recuo de mais de 8%, e LLX, com perdas de mais de 7%, todas entre as maiores quedas do Ibovespa.

“Havia uma expectativa forte de venda de ativos (da MMX) ainda nesta semana, o que não ocorreu. O investidor mantém a cautela”, disse Luiz Gustavo Pereira, estrategista na Futura Corretora, em São Paulo.

Economia ruim
Mas o grande vilão da bolsa, de acordo com profissionais do mercado, é a piora generalizada da economia doméstica, com fraco crescimento do PIB, inflação em alta e fracos dados da balança comercial.

Foi esse quadro que levou a agência de classificação de crédito Standard & Poor’s revisar no começo do mês a perspectiva do rating soberano do Brasil de “estável” para “negativa”.

“Precisamos de um choque de credibilidade para a bolsa mudar de rumo”, disse Álvaro Bandeira, sócio da Órama Investimentos no Rio de Janeiro.