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Brasil cai em ranking dos principais destinos de investimentos

dolaresGENEBRA – O Brasil segue um caminho inverso ao que foi registrado pelos demais mercados emergentes, cai no ranking dos destinos para investimentos em 2013 e, para 2014, pode sofrer uma nova contração por conta do impacto das eleições presidenciais.

 O alerta é da Organização das Nações Unidas (ONU) que publicou nesta terça-feira, 28, um informe sobre investimentos no mundo em 2013. A economia brasileira recebeu 4% a menos de investimentos em comparação a 2012, enquanto o fluxo mundial aumentou em 11%. Entre os emergentes, a alta foi de 6%.

O resultado foi a queda da posição do Brasil de 5º maior destino de investimentos para 7º lugar. Em 2013, o Brasil recebeu um total de US$ 63 bilhões em investimentos. Rússia e Canadá ultrapassaram o País.

Um detalhamento dos dados, porém, mostra que multinacionais promoveram uma redução significativa na aquisição de empresas brasileiras. Em 2012, elas haviam gasto US$ 17 bilhões. Em 2013, esse volume caiu para US$ 9 bilhões. A compra de ações por empresas estrangeiras também caiu, de US$ 52 bilhões para US$ 40 bilhões.

O único item que registrou alta foi o que mede o fluxo de empréstimos de uma matriz para uma filial no Brasil, passando de US$ 12 bilhões para US$ 18 bilhões.

Segundo dados da entidade, o fluxo de investimentos no mundo atingiu R$ 1,4 trilhão, dentro da média dos anos pré-crise, mas ainda longe do pico de US$ 2 trilhões atingido em 2007. No ponto mais crítico da crise, em 2009, o volume foi de US$ 1,2 trilhão.

Eleições. Para 2014, a previsão da ONU é de que a expansão de investimentos para alguns emergentes pode mais uma vez sofrer uma desaceleração. Segundo James Zhan, chefe da divisão de Investimentos da Unctad, o motivo seria a eleição. “Algumas multinacionais podem adotar uma estratégia de esperar e ver antes de realizar um investimento importante”, disse Zhan.

Além do Brasil, economias emergentes consideradas como chaves também passam por eleições: Turquia, África do Sul, índia e Indonésia. “Existe o risco de uma desaceleração nos investimentos”, afirmou Zhan.

Segundo ele, o que também pode afetar o fluxo em 2014 é uma mudança na política monetário nos Estados Unidos, reduzindo a liquidez nos emergentes e atraindo capital de volta para o mercado americano. Zhan evita fazer uma projeção sobre o que pode ser o volume de investimentos no Brasil em 2014. Mas alerta que o País tem sido “muito turbulento” na variação dos fluxos. “É difícil prever”, indicou.

Para 2014 e 2015, o volume de investimentos deve subir no mundo para US$ 1,6 trilhão e US$ 1,8 trilhão. Mas o motor será o mercado de países ricos, em recuperação.

Continente. O fluxo ao Brasil vai em um sentido contrário ao crescimento de investimentos para a América Latina. Em 2013, o aumento foi de 18%, acima da média mundial e puxada principalmente pelo México. Mas países que atraem investimentos no setor de commodities foram afetados pelo fim no boom dos preços de minérios e outros produtos primários.

Ainda assim, segundo os dados da ONU, pela primeira vez o fluxo de investimentos para a América Latina se equiparou a tudo o que a Europa recebe de investimentos, cerca de US$ 300 bilhões.

Outra constatação da ONU é de que nunca o volume de investimentos para os países ricos foi tão baixa quanto em 2013. De cada US$ 10 investidos no mundo, apenas US$ 4 foram para os mercados desenvolvidos. Para os emergentes, foram cerca de US$ 759 bilhões.

A economia americana ainda é a maior recipiente, com US$ 159 bilhões. Mas os Brics já representam 20% dos investimentos. A crise também permitiu que o mapa dos investimentos sofresse uma importante reviravolta.

Ásia, Brics e o Mercosul dobraram sua participação no volume total de investimentos no mundo em comparação aos dados registrados antes da crise de 2008.

O Estadão