João Pessoa 19/09/2018 05:46Hs

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Cunha descarta renúncia, delação e cita ameaças por ter aberto impeachment.

Presidente afastado da Câmara fala pela primeira vez à imprensa desde seu afastamento

cunha AMEÇA 1BRASÍLIA — Um mês e meio após ter sido afastado por unanimidade pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente da Câmara e deputado afastado Eduardo Cunha faz um pronunciamento à imprensa nesta terça-feira, em um hotel de Brasília. Eduardo Cunha começou explicando que decidiu convocar entrevista porque, desde que foi afastado da Câmara e do mandato, só tem falado por meio de notas e do Twitter, e que isso tem atrapalhado sua defesa. Após mais de uma hora de coletiva, Cunha abriu a entrevista para perguntas e, na primeira, foi taxativo:

— Não tenho o que delatar — disse não sem antes reagir com ironia ao questionamento sobre sua renúncia à Presidência da Casa:

— Como vocês viram, não renunciei.

Antes, ele disse que sofreu várias ameaças de morte após a abertura de impeachment.

— Recebi ameaças de morte, telefonemas anônimos, várias ameaças a minha integridade física que não torno público, não fico fazendo drama, afirmou.

— Não sou nem herói nem vilão no processo de impeachment. Apenas cumpri com meu papel. A ira do PT e seus aliados por perder suas boquinha faz com que eu pague preço. Tenho a consciência tranquila que livrar o Brasil da Dilma e do PT será uma marca que terei a honra de carregar — disse Cunha, ao encerrar seu pronunciamento de mais de uma hora.

Sobre os manifestantes do lado de fora, ele disse que “que perderam boquinhas”.

— Não me incomodo. Estão sem o que fazer porque perderam emprego.

COMUNICAÇÃO CERCEADA

O deputado abriu a entrevista citando a TV Globo, e outros “alguns algozes” dele que seriam escalados diariamente, em rodízio, para atacá-lo e ele, como não dá entrevista, não aparece se defendendo.

— Isso vem prejudicando a minha versão dos fatos, minha defesa e minha comunicação. Resolvi voltar a falar com regularidade para prestar essas informações eu mesmo, na medida que queiram me ouvir. Há nítido cerceamento de defesa e a falta de comunicação é um dos problemas — disse Cunha.

Dois deputados peemedebistas estão presentes na coletiva: Mauro Lopes (MG) e Saraiva Felipe (MG).Enquanto Cunha fala há um protesto com buzina do lado de fora, a manifestação é ignorada pelo presidente afastado da Câmara. Cunha chegou acompanhado de assessor. Na mesa, ele está sentado sozinho.

Entrevista do deputado Eduardo Cunha – Jorge William / Agência O Globo

Antes de responder perguntas, ele decidiu fazer um histórico sobre sua relação com o PT. E como se deu o racha entre PMDB e PT, com a decisão da presidente afastada Dilma Rousseff de interferir para evitar sua eleição à Presidência da Casa. Na época, Cunha teve 267 votos, contra 136 do petista Arlindo Chinaglia. O deputado Júlio Delgado (PSB-MG), que disputou no campo da oposição com o apoio do PSDB/PPS/PV, teve 100 votos.

Com a base de aliados se esfarelando, cresceu nos últimos dias a pressão para que o presidente afastado da Câmara renuncie à presidência da Casa e facilite a transição do cargo no momento de votação do ajuste fiscal. Segundo relatos de deputados que foram à sua casa, o apelo pela renúncia foi renovado, mas Cunha acha que ainda não é a hora e não deve anunciar essa decisão nesta segunda-feira.

DO LADO DE FORA, MANIFESTAÇÃO

Do outro lado da rua do hotel, cerca de 10 pessoas com megafone e vuvuzela gritam “Fora Temer, Fora Cunha”. O barulho incomoda a coletiva. Quatro jovens estão com cartazes de “Tchau querida”, contra o PT e Dilma. Em outro cartaz, com os dizeres: “Assaltaram a Petrobras e agora querem assaltar o Rio “, com fotos, alguns vestidos de presidiário, de Jandira Feghalli (PCdoB), Vaccari, Lindbergh Faria (PT-RJ), José Dirceu, Jean Wyllis (Psol-RJ), Lula, Delúbio Soares, e ex-diretores presos da Petrobras.

Ao grupo mais barulhento, logo se juntaram outras pessoas que gritavam: “Golpistas, Cunha canalha, ladrão, corrupto, assassino, a Polícia Federal vai te prender “.

Os seguranças do hotel fecharam as janelas para reduzir o barulho dentro do auditório onde Cunha dava a coletiva. Ele ignorou, como se nada estivesse acontecendo.

Manifestantes em frente ao hotel Nacional, local da entrevista do presidente afastado da Câmara

 Jorge William / Agência O Globo