Brasileiro Marcello Quintanilha é premiado em festival de quadrinhos na França

QuintanilhaMarcello Quintanilha foi premiado com Tungstênio, publicado na França em 2015.Silvano Mendes

Marcello Quintanilha levou o prêmio de melhor história policial com o livroTungstênio. O carioca era o único brasileiro na competição oficial do Festival Internacional de Histórias em Quadrinhos de Angoulême. O júri divulgou o nome dos vencedores da 43ª edição do evento na noite deste sábado (30).

Enviado especial a Angoulême

Essa é primeira vez que o brasileiro participa do festival do sudoeste da França. Ele competia na categoria Policial (Polar) com outros quatro candidatos (um japonês, um norte-americano e dois franceses). O livro premiado, publicado no Brasil em 2014 pela Editora Veneta, também foi lançado em espanhol e chegou às livrarias francesas em 2015, pela Editions çà et là. “É o maior e mais conhecido festival de quadrinhos na Europa, então sempre foi um desejo estar presente aqui. Além disso, é inevitável imaginar que o simples fato de ter sido nominado traz uma cerca visibilidade para o trabalho”, comentou o carioca enquanto esperava o resultado.

Esse é o segundo trabalho do autor traduzido em francês. Para ele, o sucesso da obra no exterior tem sido uma surpresa, pois “muitas vezes se disse que os quadrinhos produzidos no Brasil poderiam ter características tão específicas que corriam o risco de serem compreendidos principalmente por quem conhece a realidade brasileira”, comenta o autor. “Mas a forma como as pessoas têm se interessado pelo livro na Europa mostra esse tipo de pensamento não tem razão de ser”, celebra o cartunista radicado na Espanha.

Um Brasil mestiço e popular

Como em Sábado dos meus amores, seu primeiro trabalho traduzido em francês, o autor retrata um Brasil popular e mestiço. Mas em Tungstênio, Quintanilha, que sempre contou histórias de jogadores de futebol, camelôs, motoristas de lotação e jovens apaixonados do subúrbio carioca, leva o leitor para Salvador, em uma trama ágil, com ares de thriller em preto e branco, em meio à policiais e traficantes.

O Fauve d’or (troféu de melhor livro), foi para Ici, do norte-americano Richard McGuire, e o prêmio especial do júri foi concedido a Carnet de santé foireuse, do francês Pozla. Já Une étoile tranquille – Portrait sentimental de Primo Levi, do italiano Pietro Scarnera, foi considerado revelação do ano.

Tungstênio conta trama policial ambientada em Salvador.
Noticiário Internacional