João Pessoa 25/04/2019

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Briga por terras indígenas no Brasil esconde catástrofe ecológica na Amazônia

A revista semanal “M”, publicada pelo jornal Le Monde, dedica uma edição especial à catástrofe climática que ameaça o mundo, caso não sejam tomadas medidas drásticas e urgentes de combate ao aquecimento global. No Brasil, as terras indígenas e a Amazônia estão mais do que nunca ameaçadas pela política de Jair Bolsonaro para essa área.

A revista “M” explica que até o americano Donald Trump está em posição delicada para continuar negando as mudanças climáticas depois das temperaturas recordes registradas em 2018, dos incêndios fatais na Califórnia, sem falar nas tempestades e inundações em várias regiões do planeta.

Os especialistas em clima ficaram deprimidos com essa vitória amarga da razão sobre a ignorância, uma realidade constatada há vários anos por estudos científicos, mas que são desvalorizados pela insanidade de personagens como Trump e o futuro governo brasileiro, constata a revista.

Os planos de Jair Bolsonaro para a Amazônia são relatados em uma reportagem que visitou a reserva de Dourados, no Mato Grosso do Sul, onde indígenas Guarani-Kaiowá são maltratados há mais de um século no Brasil, assinala a publicação. A reportagem mostra como pistoleiros são contratados por fazendeiros para assassinar os índios, considerando que eles “invadem” terras “privadas”.

Um relatório do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) mostrou que no ano passado 110 índios foram assassinados no Brasil, 1.119 nos últimos 15 anos, cita a revista “M”. As ações dos fazendeiros, associadas ao uso intensivo de pesticidas na agricultura brasileira, provocam um genocídio que consome pouco a pouco os povos indígenas autóctones.

Bolsonaro e a teoria do complô

A chegada de Bolsonaro ao poder é uma catástrofe anunciada não só para os índios que sobreviveram ao sistema colonial arcaico brasileiro, mas para toda a Amazônia, avalia a revista. “Com Bolsonaro no governo, alguns temem o desaparecimento completo dos Guarani-Kaiowá, espelho da crueldade e do absurdo humanos”, diz o texto. O desmatamento da Floresta Amazônica avança inexoravelmente e pode alcançar, em pouco tempo, um ponto irreversível.

No Brasil de Bolsonaro, o índio e a floresta que eles preservam são vistos como sinônimos de “atraso”, o aquecimento global como “um complô internacional visando diminuir o potencial da agricultura brasileira”, destaca a reportagem. “As igrejas evangélicas participam dessa demonização dos índios […], quando os povos nativos da América Latina seriam os únicos guardiães de uma sabedoria que poderia salvar o mundo do apocalipse climático”, conclui com tristeza e indignação a revista “M”.

Noticiário Francês