Brinquedo feito à mão ainda é opção de presente para crianças em Maceió

Brinquedo feito à mão ainda é opção de presente para crianças em Maceió

artesão alagoanoArtesão mostra carrinhos de madeira

Os pedaços de madeira são cortados de forma minuciosa e encaixados manualmente. Aos poucos, as peças ganham forma e viram carrinhos, caminhões, bonecos e casinhas. Alguns são mais elaborados e coloridos, outros mais simples. Como uma arte que é passada de geração em geração, os brinquedos feitos à mão ainda resistem a um mundo cada vez mais tecnológico e ainda são opção de presente para o Dia das Crianças em Maceió.

Em meio a smartphones, computadores, carros de controle remoto, videogames e tablets, artesãos que trabalham na produção de brinquedos feitos à mão dizem que está cada vez mais difícil sobreviver neste mercado.

Muitos falam que só mantêm o ofício para não deixar a tradição, passada de pai para filho, ser deixada de lado. É o caso do artesão André Mendes, que há mais de 20 anos fabrica brinquedos de madeira. O material, produzido em uma pequena oficina dentro de casa, é comercializado na Feirinha de Artesanato da Pajuçara, em Maceió.

“Você ainda acha esse brinquedos em feirinha, mas na rua é difícil. Só se for no interior. Hoje em dia, os meninos só querem viver jogando videogame, mas brincar mesmo de carrinho é difícil”, diz o artesão.

Mendes diz que vendeu seis brinquedos nesta semana. “Essa semana, o carrinho vai ser procurado, porque é Dia das Crianças. Muitos pais compram, mas não é porque o menino quer. Eles se lembram da infância e acham bonito, mas acho que muitos [carrinhos] ficam só de enfeite. E a gente sente né, porque antigamente a gente brincava com eles”, lamenta.

Menino brinca com carrinho de madeira perto de barraca na feirinha (Foto: Carolina Sanches/G1)
Menino brinca com carrinho de madeira perto de
barraca na feirinha (Foto: Carolina Sanches/G1)

A bancária Ana Souza tem um filho de 4 anos e disse que apesar do filho usar muitos brinquedos tecnológicos, também busca comprar artesanais.

“Na escola, meu filho já usa tablet. Por isso eu sempre compro carrinhos de madeira e brinquedos mais simples para que ele possa saber de todas as possibilidades e aproveitar de tudo. Afinal, ele é criança e tem que ter brinquedo de criança”, falou.

Ana passava com o filho pela banca de Mendes na feirinha e bastou o menino ver o carrinho exposto na barraca que pediu para brincar. “Esses brinquedos são muito atrativos. Quando vejo meu filho feliz com um carrinho artesanal como esse, lembro da minha infância e não tem como não comprar”, falou a bancária.

Mas esse pensamento representa apenas uma minoria. O artesão disse que quando seu pai vendia esse tipo de produto, o volume de saída era grande. “Antigamente, meu pai fazia 70 brinquedos por semana e vendia tudo. Hoje, a gente faz 10 deles em 15 dias, porque não tem mais tanto atrativo para as crianças”.

Por causa da pouca procura, a barraca de Mendes na feirinha não se restringe apenas a brinquedos, ele também vende lembrancinhas da capital alagoana para turistas. “Tive que diversificar meus produtos, porque se ficasse só com os brinquedos que faço, não teria como sustentar a casa. Essa parte de fabricar acontece mais porque eu aprendi com meu

G1-Alagoas