A Caixa confirmou o aumento nas taxas de juros para novos financiamentos imobiliários

Caixa sobe juros do financiamento da casa própria

casa própriaPrédio em construção em São Paulo: crédito imobiliário mais caro

BRASÍLIA – A Caixa confirmou nesta quinta-feira o aumento nas taxas de juros para novos financiamentos imobiliários, conforme antecipou O GLOBO ontem. A medida começa a valer a partir do dia 19 deste mês. Em nota, a Caixa informa que a “alteração se deve ao aumento das taxas de juros básicos”. O reajuste não vale para contratos em andamento.

De acordo com a tabela divulgada, as novas taxas variam de 8,5% a 9,15% ao ano para empréstimos do Sistema Financeiro de Habitação (SFH), no qual se enquadram imóveis que custam até R$ 750 mil. O SFH usa recursos do FGTS e da poupança. Já no caso dos empréstimos do Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), para imóveis que não se enquadram no SFH, ou seja, acima de R$ 750 mil, as novas taxas variam de 10,30% a 11%.

Na tabela anterior, os financiamentos do SFH variavam de 8% a 9,15% ao ano; e pelo SFI, de 8,8% a 9,2% ao ano. Nos dois casos, as taxas de juros dependem se o cliente tem conta salário, é servidor público ou tem relacionamento com o banco. Veja na tabela abaixo cada taxa anual:

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Segundo a Caixa, as taxas de financiamentos habitacionais contratados com recursos do Programa Minha Casa Minha Vida e do FGTS não sofrerão qualquer correção em suas taxas de juros. A taxa básica de juros do país (a Selic) está hoje em 11,75% ao ano.

ENTENDA A DIFERENÇA ENTRE OS SISTEMAS

O SFH detém a maioria dos financiamentos da casa própria no país. Nele são usados os recursos captados na caderneta de poupança ou no FGTS. Ou seja, quando um brasileiro deposita na aplicação mais popular do país ou o patrão aporta no FGTS em nome do funcionário, o banco empresta esse dinheiro para clientes que querem comprar imóveis. Já no SFI os bancos usam recursos próprios.

Aumentar os juros de empréstimos subsidiados vai ao encontro do pensamento da nova equipe econômica, liderada pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Ele defende um freio nos créditos com benefícios do governo, por acreditar que isso ajudará o Banco Central (BC) a controlar a inflação.

CAIXA DETÉM 75% DO MERCADO

Com o crescimento do chamado crédito direcionado (voltado para o investimento e com taxas de juros menores), a política de elevar os juros para frear o consumo ficou enfraquecida. Isso porque vários desses empréstimos, inclusive o habitacional, ficam fora desse aperto. Ou seja, estão imunes à atuação do BC.

O crédito habitacional ficou mais barato a partir de 2012, quando a presidente Dilma Rousseff usou os bancos públicos para liderarem a redução dos juros ao consumidor, historicamente altos.

Uma mudança nas taxas de crédito imobiliário da Caixa mexe com todo o setor, já que a instituição detém 75,6% do mercado. Segundo dados do BC, o Brasil tem R$ 424,1 bilhões em contratos de crédito imobiliário ativos. É o crédito que mais cresce no país: nos últimos 12 meses, saltou 27%.

O Globo