Capital tem 2,3 mil ruas sem calçamento

ruas sem calçamentoAs obras na rua Cecília Rodrigues Siqueira, no bairro Jardim Cidade Universitária, em João Pessoa, começaram há uma semana e já mudaram o semblante dos que moram neste endereço, que esperaram cerca de dez anos pelo benefício.

Porém, essa realidade parece está longe de começar para os moradores de 37 bairros da capital. Da área nobre aos bairros populares, a falta de pavimentação em 2.302 ruas, segundo informações da Secretaria de Infraestrutura (Seinfra), faz com que a população conviva com buracos, poeira e lama, nos tempos de chuva.

O bairro Jardim Cidade Universitária é um dos que possuíam, até 2013, o maior número de vias sem pavimentação da capital, com o total de sete ruas. De acordo com um levantamento da prefeitura, disponibilizado à reportagem em 2013, cinco destas vias estavam prontas para receber as obras. No entanto, não foi o cenário encontrado pela reportagem na última semana. Entre as ruas programadas para receber o pagamento estava a rua Efigênio Barbosa da Silva.

Morando há quase 20 anos nessa via, o comerciante Valdeci dos Santos já escutou muitas promessas sobre calçamento e conta que o máximo de benefício que a rua recebe são as ações de terraplanagem nos períodos chuvosos. “Quando começaram a calçar a rua, no trecho mais próximo à principal, a gente acreditou que o calçamento seria completo. Mas, não. O serviço ficou pela metade e quando chove parece um riacho e dá trabalho para sair de casa”, lamentou.

Em situação semelhante estão os moradores da rua Professora Maria Lianza, também no Jardim Cidade Universitária. Os moradores denunciam que além de sofrer lama, no inverno, e poeira, outro agravante é o despejo de esgoto a céu aberto na via pública. A dona de casa Vanda Padilha mora nessa rua há 14 anos e conta que os dois filhos sofrem constantemente com alergias, em decorrência da poeira, e também com micoses na pele, por conta dos insetos vindos dos dejetos de esgoto.

“Nós já fizemos abaixo assinado, já procuramos a prefeitura e até agora nenhuma resposta. Aqui quando chove parece uma piscina e a gente fica ilhado. Temos que depender da solidariedade de quem tem carro e mesmo assim, os prejuízos são muitos”, desabafa a dona de casa.

Do outro lado da capital, na orla, os transtornos causados pela falta de pavimentação se repetem. Quem mora na capital ou conhece o município sabe que a precariedade na infraestrutura de ruas no bairro do Bessa é um sofrimento antigo dos moradores. O problema já foi tema de audiências no Ministério Público Estadual e no poder Legislativo, além de inúmeras solicitações à prefeitura por parte da própria população.

Apesar de estar localizada próximo à avenida principal do bairro, em um trecho que concentra estabelecimentos comerciais, a rua João Alfredo Coelho da Fonseca ainda é de barro e, segundo os moradores, nunca recebeu sequer trabalhos de terraplanagem.

“Durante o verão, a casa da gente fica toda coberta por essa poeira do barro vermelho. No inverno, a rua fica como um rio e quem não tiver carro com tração alta, fica atolado”, reclama o comerciante Irandir Alberto, que mora no local há 11 anos.

A situação relatada pelo comerciante é a mesma em pelo menos três quadras nas proximidades da rua João Alfredo. Em uma delas está a rua Costa Machado, bem próxima ao aeroclube.

Cícero de Souza mora em uma comunidade religiosa situada neste endereço há 12 anos. Ele conta que pelo fluxo de pessoas que frequentam a comunidade e pela antiguidade do problema, os moradores se mobilizaram recentemente para pedir o calçamento da rua. No entanto, ainda não receberam resposta da gestão municipal.

“Esse problema já é antigo aqui e também em outras ruas. A gente cobra, mas não acontece nada. Creio que seria bom para todo mundo se melhorasse a situação do bairro e até mesmo para as pessoas que visitam as igrejas”, disse o morador.

 

Jornal da Paraíba