Chile confirma a morte de três pessoas durante protestos em Santiago

Bilheteria do metrô em chamas durante protesto contra aumento do preço do metrô.  Foto: Ramon Monroy/ Reuters

SANTIAGO – O Governo do Chile confirmou a morte de três pessoas na madrugada deste domingo, 20, durante a série de protestos violentos que tomaram as ruas do país nos últimos dias. Os mortos foram retirados de um prédio incendiado durante as manifestações em Santiago.

De acordo com a governadora da província de Santiago, Karla Rubilar, as três vítimas estavam no interior de um supermercado que estava sendo saqueado e foi incendiado.

“Temos que informar que três pessoas morreram em um incêndio em um supermercado. Duas estavam carbonizadas e uma terceira foi transportada a um hospital em más condições e morreu posteriormente”, afirmou Rubilar.

Os protestos nas ruas do Chile continuam violentos mesmo após o presidente, Sebastián Piñera, suspender o aumento da passagem do metrô neste sábado, 19, e anunciar a elaboração de um plano para reduzir o impacto para setores mais vulneráveis.

O estado de emergência decretado no sábado, 19, que teve inicialmente alcance restrito às províncias de Santiago e Chacabuco e às cidades de Puente Alto e San Bernardo, foi ampliado para as províncias de Valparaíso e Concepción, e para outras três cidades.

Protesto no Chile
Em protesto contra o aumento do preço do metrô, manifestante ataca veículo da polícia em Santiago.  Foto: Carlos Vera/ Reuters

O ministro da Defesa do país, Alberto Espina, confirmou o envio de mais 1.500 militares às ruas a fim de controlar a situação. Com o reforço, o efetivo total empregado na operação chega a 9.441 militares.

“Os militares estão protegendo 43 instalações de infraestrutura essenciais, para que não se interrompam os serviços de água, luz elétrica ou se destruam as estações de combustíveis e gás”, disse Espina.

Foi decretado toque de recolher nas áreas em estado de emergência até às 07h do domingo.

Os protestos

Convocados inicialmente pelas redes sociais, os protestos começaram em razão do aumento do preço dos bilhetes de metrô, que passaram de 800 pesos para 830 pesos (cerca de R$ 4,80). Desde 2010, não havia um reajuste dessa proporção.

Segundo informações oficiais, o acerto foi feito por conta da alta do preço do petróleo e do dólar e pela modernização do sistema de transporte. Mas as manifestações foram ampliadas pelo descontentamento geral.

Apesar de sua elogiada política macroeconômica, o Chile enfrenta uma desigualdade social crônica, baixos salários e aposentadorias, elevações nas tarifas dos serviços básicos e nos custos da saúde, casos de corrupção na polícia e no Exército, além de uma crescente criminalização do movimento estudantil. / EFE

Estadão