João Pessoa 19/09/2018 05:14Hs

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RioSaúde vai assumir Hospital Rocha Faria, após prefeitura romper contrato com OS

Uma das principais unidades de emergência da Zona Oeste, o Hospital Rocha Faria, em Campo Grande, será administrado pela RioSaúde, empresa pública de saúde criada em 2013 e responsável pela gestão de três unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) e uma Coordenação de Emergência Regional (CER) na Barra da Tijuca. O anúncio foi feito na tarde desta quinta-feira pelo prefeito Marcelo Crivella durante coletiva na sede da Prefeitura do Rio. Crivella confirmou, como revelou O GLOBO, que o município rescindiu o contrato com a Iabas, Organização Social (OS) que administrava o hospital. A nova administração assume em 45 dias, tempo para que ocorra um processo de transição.

A Iabas era a responsável pela gestão do Rocha Faria desde 2016, mas o atendimento de pacientes, segundo a Prefeitura do Rio, apresentava irregularidades. Na última terça-feira, o Conselho Regional de Medicina (Cremerj) fez uma vistoria na unidade e constatou, entre outros problemas, que na sala vermelha, onde ficam os pacientes graves, a maioria dos monitores cardíacos não funcionava. Na maternidade, o maior problema encontrado pelo Cremerj foi a falta de médicos, principalmente aos domingos. As gestantes que precisam ser submetidas a uma ultrassonografia têm sido levadas de ambulância para realizar o exame em outras unidades da prefeitura, porque não há especialista para operar o equipamento.

Além do Rocha Faria, o Iabas administra na cidade outras 77 unidades de saúde na Zona Oeste e três UPAs em Costa Barros, Vila Kennedy e Madureira.

O economista Ronald Munk, de 60 anos, diretor-presidente do RioSaúde, prometeu um choque de gestão no Rocha Faria para melhorar o atendimento da população.

— Convido vocês todos a daqui a três meses no máximo a ver o que é o Rocha Faria hoje é o que vai ser — afirmou o economista.

Munk garantiu que os funcionários da OS que optarem pela permanência poderão fazê-lo mediante contrato temporário com a RioSaúde.

— Vamos fazer um processo de seleção simplificado — afirmou o economista.

O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, reconheceu que o município atravessou em 2017 uma grave crise financeira. No caso da saúde, ele revelou que a contratação de 250 equipes da saúde da família em 2016, na administração de Eduardo Paes, teve impacto no orçamento da saúde em 2017.

— O município tem uma dívida acumulada de R$ 10 bilhões para pagar. Somente em juros pagamos R$ 1,5 bilhão este ano — disse Crivella.

O secretário municipal de Saúde, Marco Antônio de Mattos, lembrou que em 2017 foram necessários cortes nos recursos destinados às Organizações Sociais (OS).

— Cortamos quase R$ 300 milhões das OS, mas não foi suficiente — revelou Marco Antônio.

O médico e vereador Paulo Pinheiro (PSOL), membro da comissão de Saúde da Câmara Municipal, criticou a gestão do município na área de saúde. Segundo ele, o modelo de terceirização na saúde não funciona.

— O que aconteceu com o Rocha Faria revela que o modelo adotado pelo município faliu. Sabemos que a receita do município caiu em 2017. Isso é verdade. Mas faltou gestão, faltou prefeito. Ele não poderia cortar dinheiro da saúde porque isso mata pessoas. Morreu gente no Rio por falta de médico e atendimento — afirmou Paulo Pinheiro.

A administração da rede municipal de saúde do Rio é dividida entre Organizações Sociais (OSs) que controlam 52% das unidade e a Prefeitura do Rio, responsável pela gestão de 48%.

— O modelo terceirizado é caro. O contrato com a Iabas de dois anos (24 meses), só terminaria em 2018. Ele previa um repasse total de R$ 233 milhões, algo em torno de R$ 9,5 milhões por mês. É muito caro e está provado que não tem resolvido — afirmou Paulo Pinheiro.

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