Cinco anos sem Amy Winehouse

Cinco anos sem Amy Winehouse

Amy-Winehouse-DivulgaAmy Winehouse sempre foi ligada ao jazz por que seus tios eram músicos. Aos 16 ela já ensaiava músicas e aos 20 anos lançou seu álbum de estreia

Há cinco anos Amy Winehouse deixava a trajetória da música e da própria vida mais triste. Vítima do uso exagerado de álcool, a cantora faleceu sozinha em sua casa, no distrito de Camden Town, em Londres, em 23 de julho de 2011. Ela tinha 27 anos quando partiu, mas conseguiu deixar um legado valioso e pessoal para a música. Em 2015 a vida da compositora foi tema para o documentário “AMY”, vencedor do Oscar 2016 de Melhor Documentário Musical.

Na obra, dirigida por Asif Kapadia – também responsável por um filme sobre o piloto Ayrton Senna -, a vida da britânica é retratada de maneira tocante. Disponível na plataforma de streaming Netflix, é repleta de cenas que louvam a memória de Amy e dão espaço para suas opiniões aflorarem. “Não acho que vou ser famosa mesmo; não acho que aguentaria. Provavelmente enlouqueceria”, diz a cantora, durante o trailer do seu documentário.

As imagens pessoais gravadas pela família e amigos mostram uma jovem que só queria fazer música da melhor maneira possível, mas se tornou uma figura chamativa para as câmeras. Por não conseguir digerir as consequências de ser celebridade, batia nos paparazzi, gritava com o público e se entregava às drogas, ficcando ainda mais sob os holofotes.

Winehouse exibiu uma conduta preocupante quando fez show em Pernambuco, em janeiro de 2011, chegando a cair durante o concerto. “Ela apareceu aparentemente bem, mas visivelmente confusa”, comentou a estudante Talita Amorim, que conferiu de perto a performance. “Muita gente chorava de emoção enquanto entoavam suas músicas, ouvi comentários de que ela não duraria muito tempo. O que, infelizmente, aconteceu”, concluiu a fã.

A memória da compositora se mantém viva por conta de artistas novos como o sul-africano Troye Sivan e o britânico Sam Smith, que cantaram uma das músicas mais intensas de Amy, “Love Is a Losing Game”. Eles não são os únicos. Adele mencionou a influência que a obra da cantora teve em sua carreira. “Se não fosse por Amy e seu álbum Frank, eu não teria escrito minhas primeiras composições ao violão”, confessou à revista Billboard. Lady Gaga também deixou claro sua devoção pela artista quando a categorizou como sua heroína pessoal.

Vítima de piadas sobre seu comportamento, Amy passou de estrela respeitada à figura chave em programas de televisão que a interpretavam de maneira violenta e caricata. A saúde da cantora, claramente debilitada, passou longe de ser respeitada pelo grande público. Amy Winehouse se apresentou pela última vez durante um show da sua afilhada musical, Dionne Bromfield, três dias antes de falecer. Elas cantaram a canção “Mama Said” antes de a cantora deixar os palcos de vez.

O dueto “Body and Soul” com o lendário Tony Bennett foi um dos últimos trabalhos da cantora, que fala sobre a experiência de gravar com o astro em cenas de seu documentário. A canção, além de ganhar um Grammy de Melhor Performance de Duo/Grupo Pop, faz parte do álbum de parcerias lançado pelo nova-iorquino em 2011, que conta com grandes nomes da indústria musical como Aretha Franklin, Andrea Bocelli e Mariah Carey.

Divulgação/Facebook Amy Winehouse
A carreira da britânica pode ter sido meteórica, mas o legado que Amy deixa para a música é inegável. Adele e Lady Gaga a tem como inspiração

“Frank”
Seu primeiro álbum de estúdio, “Frank” reúne um apanhado de melodias suaves e letras sinceras. O título é uma homenagem a Frank Sinatra, declarado pela cantora como sua maior influência. “Stronger Than Me” abre a obra entoando um pedido para que seu companheiro seja forte, mais até do que ela mesma.

Durante as 18 faixas do álbum, lançado em 2003 pela Island Records, a britânica fala sobre seus sentimentos. Em “Amy Amy Amy” ela canta a paixão por um homem muito difícil de ser ignorado. Acompanhada por um violão em “I Heard Love Is Blind” ela mostra o quanto se importa e ama seu namorado.

O debut da artista não é só sobre paixão, Amy critica a conduta ambiciosa de algumas mulheres em “Fuck Me Pumps”. “O sonho de sua vida é ser a esposa de um jogador de futebol”, explana. Ela usa os sapatos altos como metáfora para falar sobre o estilo de vida interesseiro adotado por quem ela critica.

Com a melodia do jazz clássico, a balada “Mr. Magic” expõe (mais uma vez) a paixão tão presente nas composições da artista. Amy fala sobre um rapaz que a deixa triste quando não está por perto e finaliza sua obra inicial com o som dançante dos instrumentos de sopro como saxofone e trompete.

Divulgação/Facebook Amy Winehouse

Ensaio fotográfico para o “Back to Black”, lançado em 2006

“Back to Black”
Em vida, “Back to Black” foi o segundo e último álbum lançado por Amy. Nele estão dois dos seus maiores hits “Rehab”, vencedor do Grammy nas categorias Música do Ano, Gravação do Ano e Melhor Performance Pop Vocal Feminina e a faixa-título que rendeu ao vídeo da música mais de 140 milhões de visualizações, até então.

Seu maior sucesso “Rehab” fala sobre as problemáticas enfrentadas pela cantora com as drogas. Sua família tentou coloca-la em uma clínica de reabilitação; recusada por Amy, que expôs sua vontade própria na canção. A banda Coldplay fez um medley da música com um de seus maiores sucessos “Fix You” no festival Lollapalooza de 2011.

É notório nessa obra que, desta vez, a cantora apresenta letras mais profundas e tristes. Durante a criação do álbum, Amy passava por uma crise no seu relacionamento com Blake Fielder, por quem dedicou uma de suas tatuagens. A própria “Back to Black” mostra isso quando ela canta: “você voltou pra ela e eu voltei para à escuridão”.

Em “Some Unholy War” a letra intensa mostra que a devoção da britânica ao seu amor vai longe. Amy explica que iria até para a guerra com o seu companheiro. A emoção dá o tom da obra quando a música “Love Is a Losing Game” antecede a poderosa “Tears Dry On Their Own”.

Carreira póstuma
Após sua morte, Amy Winehouse continua seu legado após ser inserida em tributos em premiações de muita audiência como o Video Music Awards de 2011, no qual Bruno Mars dedicou a performance de “Valerie” à memória da artista. No mesmo ano é lançada a coletânea “Lioness: Hidden Treasures”.

Dentro do álbum contém músicas gravadas que nunca foram lançadas como a canção que abre a obra “Our Day Will Come”. Além dos tesouros escondidos (como sugere o título) “The Girl From Ipanema”, um cover do clássico da Bossa Nova brasileira, cantado por Tom Jobim, aparece no lançamento.

No ano de sua morte, no dia 14 de setembro, quando faria 28 anos, Amy Winehouse se tornou o nome para uma fundação de cuidados e prevenção contra a dependência de jovens vulneráveis, viciados ou desfavorecidos financeiramente. Seus pais foram os responsáveis pela iniciativa.

Segundo o depoimento no portal da organização, a cantora tinha prazer em ajudar. A Fundação Amy Winehouse conta com as vendas da coletânea póstuma da artista e com o dueto dela com Tony Bennett para se manter, além da colaboração voluntária do público através de doações.

Folha de Pernambuco