Cinco desafios a serem enfrentados pela China nos próximos 5 anos

O Comitê Permanente do Politburo da China, o principal órgão de decisão da nação, tem na liderança, além de Xi Jinping e do primeiro-ministro Li Keqiang, Li Zhanshu, Wang Yang, Wang Huning, Zhao Leji e Han Zheng (Foto: Wang Zhao / AFP Photo)

 O 19º Congresso do Partido Comunista chinês sacramentou, na quarta-feira (25), a continuidade de Xi Jinping como secretário-geral da instituição pelos próximos cinco anos. A decisão já era esperada, dado o acúmulo de poder conquistado pelo mandatário desde sua ascensão.

Ao lado de Xi e de Li Keqiang, atual primeiro-ministro, cinco novos nomes foram escolhidos para compor o Comitê Permanente do Politburo, núcleo mais importante do Partido Comunista – e, portanto, principal responsável por ditar os rumos do país.

Em crescimento econômico constante e adquirindo maior importância no cenário internacional, a China deve encontrar novos desafios pela frente, tanto dentro quanto fora de suas fronteiras. Confira cinco das principais questões:

Coreia do Norte

Soldados detêm armas sentados em um veículo carregando foguetes enquanto passam pelo estande com o líder norte-coreano Kim Jong Un durante desfile militar marcando o 105º aniversário de nascimento do pai fundador do país, Kim Il Sung (Foto: Reuters/Damir Sagolj)

Soldados detêm armas sentados em um veículo carregando foguetes enquanto passam pelo estande com o líder norte-coreano Kim Jong Un durante desfile militar marcando o 105º aniversário de nascimento do pai fundador do país, Kim Il Sung (Foto: Reuters/Damir Sagolj)

A escalada da tensão na Península Coreana por conta do programa nuclear posto em marcha por Kim Jong-Un desponta como o principal desafio diplomático chinês no futuro próximo. Por um lado, a China conta com um forte poder de barganha sobre Pyongyang, já que é responsável por cerca de 90% do comércio exterior da Coreia do Norte, segundo a revista “Forbes”. Por outro, embora tenha apoiado as sanções contra os vizinhos e se oponha ao programa nuclear dos mesmos, o país insiste em uma saída menos drástica para a questão. Isso porque, além das afinidades ideológicas, a China teria de arcar com as principais consequências de uma crise humanitária que venha a acontecer ao norte da Zona Desmilitarizada.

 Criação de empregos
Uma mulher trabalha em fábrica na província de Hebei, China (Foto: Thomas Peter / Reuters)

Uma mulher trabalha em fábrica na província de Hebei, China (Foto: Thomas Peter / Reuters)

Com uma taxa de desemprego oficial de 3,95% da população economicamente ativa no final de setembro, a China se vangloria do menor índice de desocupados registrado desde 2001. Por outro lado, o comunicado do Ministério de Recursos Humanos e Seguridade Social, que divulgou o número, não tem um tom completamente otimista: “Aumentar a capacidade de empregar os trabalhadores em geral ainda é alvo de grandes pressões”, disse Yin Weimin, responsável pela pasta, na nota.

De acordo com analistas ouvidos pela agência Reuters, apesar de ter cumprido a meta para 2017, o país vê a necessidade de abrir postos para cerca de 15 milhões de chineses que entram no mercado de trabalho todos os anos, com destaque para 8 milhões de recém-formados em cursos superiores. A tarefa se torna ainda mais difícil com um ritmo de crescimento da economia menos acentuado.

Especialistas também apontam que os dados oficiais sobre emprego não incluem habitantes fora dos centros urbanos, nem os milhões de imigrantes que compõem a base da força de trabalho do país.

Poluição

 Foto de 21 de fevereiro de 2017 mostra moradores de Pequim caminhando em direção a uma estação de metrô, sob céu cinzento de poluição (Foto: AP Photo/Andy Wong)

Foto de 21 de fevereiro de 2017 mostra moradores de Pequim caminhando em direção a uma estação de metrô, sob céu cinzento de poluição (Foto: AP Photo/Andy Wong.

Ao mesmo tempo em que está sob pressão para abrir postos de trabalho, nos últimos meses Pequim tem tomado medidas cada vez mais firmes de controle dos setores mais poluentes da indústria, que afetam sua capacidade produtiva e até mesmo a importação de insumos. Ao mesmo tempo em que se tornou a segunda maior economia mundial, a China passou a conviver com rios e lagos contaminados e índices alarmantes de partículas nocivas na atmosfera das grandes cidades.

Em agosto, o governo central deu ordens para que mais de 25 cidades do norte reduzam a poluição do ar em pelo menos 15% no próximo inverno (do hemisfério Norte), época em que os piores índices são registrados, numa tentativa de diminuir os problemas de saúde que afetam boa parte de seus 1,3 bilhão de habitantes, de acordo com reportagem do “New York Times”.

Segundo estudo do banco francês Société Générale divulgado no início de outubro, medidas semelhantes podem diminuir em até 0,25 ponto percentual o crescimento da economia do país, o que vai impactar não só a geração de empregos dentro da China como produzir efeitos na balança comercial de outros países, incluindo o Brasil. Ainda não se sabe como a elite do Partido Comunista vai encontrar um ponto de equilíbrio para a questão.

Educação

Professora monitora alunos novatos durante cerimônia de celebração de 2.563 anos do nascimento de Confúcio, em uma pré-escola de Jinjiang, na China. (Foto: Reuters/China Daily)

Professora monitora alunos novatos durante cerimônia de celebração de 2.563 anos do nascimento de Confúcio, em uma pré-escola de Jinjiang, na China. (Foto: Reuters/China Daily)

 Muitas famílias da elite chinesa já se opõem ao curículo tradicional do ensino básico do país, bastante centrado na disciplina, na repetição de conteúdos, numa carga alta de lição de casa e em testes padronizados – por isso, escolas com inspiração ocidental têm ganhado espaço nos grandes centros urbanos. Como resultado, segundo reportagem da revista britânica “The Economist”, o país acaba perdendo jovens talentos que não se submetem ao vestibular chinês, o gaokao, para universidades estrangeiras.

De acordo com a revista, o Partido Comunista dificilmente vai proibir instituições de ensino estrangeiras, mesmo porque a decisão poderia levar a uma “fuga de cérebros” generalizada. Ao mesmo tempo, teme que abrir demais o currículo tradicional pode dar margem de crescimento para correntes ideológicas e religiosas contrárias às suas bases. Ainda assim, o partido reconhece que seu sistema de ensino precisa ser adaptado para formar uma nova geração inovadora e já está tomando ações nesse sentido.

Desigualdade regional

Um edifício desmorona durante uma demolição controlada conduzida para proteger a antiga área nas proximidades da cidade de Datong, província de Shanxi, na China (Foto: Reuters)

Um edifício desmorona durante uma demolição controlada conduzida para proteger a antiga área nas proximidades da cidade de Datong, província de Shanxi, na China (Foto: Reuters)

Embora a China ainda sustente um crescimento econômico de fazer inveja a outras nações, o mesmo não chega de maneira uniforme a todas as áreas do país.

Entre as regiões que mais sofrem se encontram antigos pólos de mineração, ou com parques industriais defasados, como Datong, a oeste de Pequim – com a economia baseada no carvão, a economia da cidade cresceu apenas 1% em 2016, segundo reportagem do “New York Times”, enquanto a China como um todo viu um incremento de 6,5% do PIB.

 Pioram a situação as suspeitas de corrupção que pairam sobre divisões regionais do Partido Comunista, apesar de Xi Jinping ter estabelecido o combate a tais práticas como uma de suas prioridades.
G1