CMJP discute segmento literário, bibliotecas públicas e educação no Dia do Livro

lucas de britoO Dia do Livro Infantil, celebrado nesta quarta-feira (16), foi lembrado em sessão especial da Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP), a partir das 15h, em propositura do vereador Lucas de Brito (DEM). O parlamentar também reivindicou a implantação de bibliotecas nas escolas da Capital; a criação de bibliotecas públicas; e o fomento do governo à produção literária de escritores paraibanos. Também participaram os vereadores Raoni Mendes (PDT), que secretariou os trabalhos, e Santino (PT do B).

 “Percebemos que a produção de livros não recebe uma atenção direta do poder público com investimentos ou subsídios para escritores, principalmente aqueles que estão produzindo a sua primeira obra”, destacou Lucas de Brito. Para o escritor Jairo Cézar, que representou a Secretaria de Educação da cidade de Sapé, os principais entraves sofridos pela classe literária são a distribuição e circulação das obras.

 Conforme citou o presidente da Academia Paraibana de Letras Jurídicas, Ricardo Bezerra, o segmento é carente de iniciativas do poder público que fomentem a edição, publicação e, principalmente, na divulgação das obras literárias de autores do Estado.

 Lucas de Brito cobrou a aplicação da lei estadual que estabelece a toda escola, pública ou privada, adotar pelo menos dois livros paradidáticos de autores paraibanos por ano letivo. Ele também lembrou que, até 2020, todo centro educacional da rede pública de ensino deve ter uma biblioteca instalada com a prerrogativa de que também seja aberta ao público.

 “Vamos tratar de um plano sistemático de implantação de bibliotecas municipais, cobrando a biblioteca central e outras unidades setoriais nos bairros de João Pessoa. Estamos preocupados com a educação e o acesso ao livro de forma inclusiva. Queremos ouvir as ideias que os cidadãos têm a respeito das questões referentes ao segmento literário, da educação e das bibliotecas e tratar daqueles alunos que têm problemas de aprendizado na rede pública de ensino. Inclusive já solicitamos à Secretaria de Educação e Cultura (Sedec) o número de estudantes nessa situação”, garantiu Lucas de Brito.

 O escritor Jairo Cézar também salientou que além da falta de bibliotecas também faltam bibliotecários de formação trabalhando nas escolas. “Os livros chegam às unidades de ensino e não há profissionais especializados para receber esse material, registrar, sinalizar e catalogar adequadamente. Os livros ficam estocados nas escolas e, geralmente, profissionais em fim de carreira, perto de se aposentarem, ou com algum problema em seus setores de origem, são designados para as bibliotecas em vez de bibliotecários”, observou.

 Raoni Mendes também abordou o assunto e cobrou concurso público. “Desde 2014 que não temos êxito na cobrança da realização de concurso público para bibliotecários na rede municipal de ensino de João Pessoa. Hoje, temos apenas salas de leitura mas não locais adequados e com profissionais formados para atuar na função de bibliotecários”, alertou.

 O parlamentar ainda citou a educação como o melhor caminho para transofrmar a sociedade. “Há três meses iniciou-se o ano letivo e ainda faltam nas escolas públicas municipais fardamento, cadeiras, kit escolar e até diários de classe ainda não foram disponibilizados. Defendo que, se as escolas tivessem, por exemplo, o mesmo padrão que o Banco do Brasil, a estrutura de uma na Capital e de outra no interior, seria igual. Defendo também que os salários d eum professor aqui ou lá também deveriam ser os mesmos”, sugeriu Raoni Mendes.

 Além da necessidade dos bibliotecários, o professor Erick Nunes pediu a presença de psicopedagogos nas escolas. “Existe uma necessidade clara da presença desses profissionais na rede de ensino. Falo com conhecimento de causa, há dezenas de alunos com problemas de aprendizagem em uma única escola que se for analisar. São estudantes cm déficit de atenção, dificuldade ou transtorno de aprendizagem, apresentando dislexia, disgrafia, entre outros problemas que influem no raciocínio, nas linguagens, por exemplo”, salientou. Já a professora Mariah Marques reivindicou uma lei que, segundo ela, ainda não está sendo praticada nas escolas referente ao ensino das Histórias da África e Afrobrasileira.

 Na ocasião, o presidente da Associação dos Profissionais Bibliotecários da Paraíba homenageou a professora de Biblioteconomia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) Jenima Marques de Oliveira, que faleceu no último dia 9. Ela foi lembrada, dentre outros feitos, pela criação do Clube do Livro da Paraíba – hoje com mais de 500 integrantes -, pelo Projeto João Pessoa Cidade Leitora e pela militância em prol de um sistema municipal de bibliotecas públicas na Capital.

 Lucas de Brito garantiu que as demandas discutidas na sessão especial serão retomadas em pronunciamentos durante as sessões ordinárias da Casa Napoleão Laureano e mostrou interesse em apresentar no Legislativo uma homenagem à bibliotecária Jenima Marques.

 Haryson Alves