Com alta do dólar, Vale tem prejuízo de R$ 6,6 bi no 3º tri .

Com alta do dólar, Vale tem prejuízo de R$ 6,6 bi no 3º tri .

vale prejuízoMina da Vale em Minas Gerais: preço do minério caiu quase 40% no terceiro trimestre

RIO – Mesmo com produção recorde de minério de ferro no terceiro trimestre, a Vale teve um prejuízo líquido de R$ 6,663 bilhões no terceiro trimestre de 2015 contra um lucro líquido de R$ 5,144 bilhões no trimestre anterior. No terceiro trimestre de 2014, a empresa havia registrado prejuízo de R$ 3,381 bilhões. A empresa dvulgou seu resultado financeiro no início da manhã desta quinta-feira, antes da abertura do mercado.

A mineradora cita efeitos imediatos nos resultados financeiros da depreciação de 28% do real ante o dólar. Como mais de 90% da dívida da empresa são denominados em moeda americana, isso acaba neutralizando os ganhos operacionais, ou seja, os ganhos obtidos com a venda de seus produtos. As perdas de variações monetárias e cambiais foram de US$ 5,1 bilhões.

“Tivemos muita volatilidade no mercado de câmbio no Brasil com a desvalorização muito significativa do real brasileiro que fechou o trimestre a R$ 3,97 com impacto sobre as contas de balanço da companhia de forma importante, justifica, dessa forma, o prejuízo que a companhia registrou no trimestre”, afirmou o diretor-executivo de Finanças e Relações com Investidores da Vale, Luciano Siani, em vídeo publicado no site da companhia.

Na moeda americana, o prejuízo da mineradora no último trimestre foi de US$ 2,117 bilhões, em linha com uma pesquisa da Reuters com sete analistas, que projetou um prejuízo de em média US$ 2,28 bilhões. Mas bem abaixo das perdas previstas em pesquisa da Bloomberg, cujo intervalo ia de US$ 3,9 bilhões a US$ 4,7 bilhões.

No terceiro trimestre de 2014, a Vale teve prejuízo de US$ 1,4 bilhão. Já no segundo trimestre deste ano, a Vale teve lucro líquido de US$ 1,6 bilhão.

AVANÇO EM PROJETO

Além do dólar forte, o preço menor do minério de ferro e outros itens, como cobre e níquel, contribuíram negativamente para o resultado. A média de preço no mercado spot (à vista) chinês, referência no mercado internacional, foi de US$ 55 em média no terceiro trimestre de 2015, no cálculo do analista de mineração do Santander, Felipe Reis. O valor é 39% inferior ao preço médio do terceiro trimestre de 2014.

Em contrapartida, o diretor-executivo ressaltou pontos positivos no balanço, como o recorde trimestral de produção de minério de ferro e o avanço físico de 75% das obras de seu principal projeto S11D, que entra em operação em 2016 e vai acrescentar 90 milhões de toneladas de minério de ferro de baixo custo para a produção anual da Vale.

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Entre julho e setembro, a companhia produziu 88,225 milhões de toneladas de minério de ferro, melhor resultado trimestral de sua história.

O Ebitda ajustado, uma importante medida de geração de caixa da companhia, alcançou R$ 6,816 bilhões no terceiro trimestre, muito parecido com o resultado do trimestre anterior (R$ 6,817 bilhões) e do terceiro trimestre de 2014 (R$ 6,854 bilhões).

O desempenho semelhante foi atribuído “principalmente ao maior volume de vendas na maioria dos segmentos de negócios, que foi parcialmente compensado pelos menores preços de venda e maiores custos”, destacou a Vale.

Em dólares, contudo, o Ebitda ajustado foi de US$ 1,875 bilhão, queda de 37,6% ante um ano antes e de 15,3% ante o segundo trimestre.

Na comparação com o período entre maio e junho, os menores preços dos produtores da Vale impactaram negativamente o Ebitda em US$ 715 milhões, enquanto os menores custos e despesas adicionaram US$ 481 milhões ao resultado e os maiores volumes de vendas acrescentaram US$ 62 milhões.

CUSTOS E PREÇOS

A Vale comemorou uma redução nos custos de produção do minério de ferro. Uma tonelada de finos de minério de ferro colocada dentro do navio no porto, excetuando-se royalties, teve custo de US$ 12,70 no terceiro trimestre, uma redução ante dos US$ 15,80 do trimestre anterior.

“É o menor custo da indústria em todo o mundo”, disse Siani.

A redução foi impulsionada pelas iniciativas de redução de custos em curso e pelo aumento da produção nas minas de N4WS e N5S, localizadas no complexo de Carajás, no Pará, e de alguns dos projetos de Itabiritos, em Minas Gerais.

Os custos unitários, somando as despesas, dos finos de minério de ferro entregues na China caíram para US$ 34,20 por tonelada no terceiro trimestre, ante U$ 58,50 um ano antes.

Por outro lado, os preços médios realizados também despencaram no último ano. O preço de referência de finos de minério de ferro (incluindo custo e frete) caiu para US$ 56 por tonelada no último trimestre, ante US$ 84,80 no terceiro trimestre de 2014.

(Com agências internacionais)