Com Cunha em apuros, governo cria novos problemas

cunha e dilmaMal saboreou o infortúnio de Eduardo Cunha, o governo Dilma se apressou em tropeçar nas próprias pernas: arrumou novo desgaste com os aposentados e reacendeu rumores sobre a possibilidade de o vice-presidente da República, Michel Temer, deixar a articulação política.

Em relação aos aposentados, o ministro da Previdência, Carlos Gabbas, avalia que é um erro dividir em duas partes a primeira parcela do 13º salário que deveria ter sido paga em agosto. Mas o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, sugeriu dividir essa primeira parcela em duas etapas, uma em setembro, outra em outubro.

Há controvérsia sobre a legalidade de dividir a metade do 13º em duas parcelas. Sem contar que ministros e funcionários públicos já receberam em julho essa a antecipação. Ou seja, pega mal politicamente.

Como é uma despesa obrigatória, o gasto terá de ser feito de qualquer maneira neste ano. Mas a área econômica do governo diz que a arrecadação de tributos está baixa e, portanto, só haveria recursos disponíveis para setembro e outubro.

A tendência é a presidente Dilma Rousseff optar por pagar a metade em setembro, mas ela ainda não havia tomado uma decisão até as 20h15 de sexta. Qualquer que seja a solução, uma coisa é certa: mais um desgaste da petista perante um público que já está insatisfeito com ela.

O outro desgaste criado pelo governo é a cogitação de Michel Temer de deixar a articulação política. Temer se desentendeu com o ministro Joaquim Levy e tem críticas ao chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante.

A saída do vice da articulação política seria um desastre para o governo, porque seria vista como um sinal de ruptura com Dilma. Esse é mais um problema que a presidente terá de administrar na semana que vem.

Dilma foi aconselhada a solucionar logo o imbróglio com os aposentados e a resolver rapidamente a questão de Temer, evitando sua saída da articulação política, a fim de deixar o noticiário negativo ficar concentrado em Eduardo Cunha nos próximos dias.

Tanto o governo quanto a oposição aguardam os próximos passos do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMBD-RJ), para definir suas estratégias políticas.

Um dia após ser denunciado ao Supremo Tribunal Federal por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, Cunha disse que não há “uma única prova contra ele”. O presidente da Câmara descartou a possibilidade de renunciar ao cargo.

Na avaliação do Palácio do Planalto, o tom usado pelo peemedebista foi ameno. Mas o governo está desconfiado de que seja apenas uma cortina de fumaça.

A oposição manteve a mesma reação cautelosa dessa quinta, na esperança de que Cunha possa tentar abrir um processo de impeachment contra a presidente Dilma.

Nesta sexta, o presidente da Câmara procurou apoio político na Força Sindical. Ainda não está claro como ele pretende agir. Mais fraco politicamente, Cunha tem de priorizar agora sua defesa perante o Supremo.

Blog do Kennedy