Com dois de Fred, Fluminense vence Fla-Flu emocionante.

flu vence fla 3 gol fredyFred é abraçado pelos campanheiros ao abrir o placar – Alexandre Cassiano / Agência O Globo

Foi do jeito que a torcida gosta. Mesmo com um jogador a menos desde o início do segundo tempo, o Fluminense segurou a pressão e, na base da raça, derrotou neste domingo o Flamengo por 3 a 2 no Maracanã, resultado que deixou o tricolor em nono lugar na tabela, com sete pontos, dois a menos do que o líder Atlético-PR. Na quinta-feira, o Fluminense recebe o Coritiba, no Maracanã.

— Este espírito é que devemos ter sempre. Esta vitória nos enche de moral e agora teremos dois jogos no Maracanã. Precisamos somar seis pontos para poder brigar lá em cima da tabela — disse o atacante Fred, autor de dois gols.

Com a derrota, o Flamengo, que domingo teve a estreia no técnico Cristóvão Borges, continua sem vencer após quatro rodadas. Somou apenas um ponto até agora e está na zona de rebaixamento (18°). Na quarta-feira, o time enfrenta o também ameaçado Cruzeiro, no Mineirão.

Não foi preciso muito tempo de bola rolando para ficar claro que o problema do Flamengo não se restringia ao treinador, como entendeu a diretoria ao demitir Vanderlei Luxemburgo no início da semana. Com um meio-campo tecnicamente limitado, o rubro-negro não tinha poder de penetração, apesar de ter maior posse de bola.

É verdade que o gol de Fred logo aos seis minutos, num pênalti de Pará em Vinícius inventado pelo árbitro, atrapalhou, e muito, o Flamengo. Mas o erro do juiz, na verdade, apenas escancarou as deficiências do rubro-negro. E o Fluminense se aproveitou.

Mais bem postado em campo, ficou esperando o erro do adversário para contra-atacar. Aos 20 minutos, o Flamengo tinha 63% de posse de bola, mas ainda não tinha dado um único chute a gol. Normal para um time que tinha como principal articulador ofensivo o sumido Arthur Maia, que, além de se esconder em campo, errou as poucas jogadas que arriscou. Um sacrilégio colocá-lo com a mítica camisa 10 rubro-negra.

Já o Fluminense tinha no garoto Gerson sua principal arma. Rodando pelo meio-campo, o meia, inteligente veloz, confundia a marcação rubro-negra. Aos 32, ele puxou o contra-ataque e esperou a ultrapassagem de Renato. O lateral cruzou na medida para Fred, que penetrava no segundo pau. Na ânsia de cortar, Pará acabou marcando contra. Que noite, hein Pará!.

Só então o Flamengo acordou. E na base do coração passou a pressionar o Fluminense. Wallace perdeu boa chance aos 26, e Diego Cavalieri, com saída providencial, evitou gol de Alecsandro, aos 29. De tanto forçar, o rubro-negro acabou diminuindo. O colombiano Armero, em sua primeira boa jogada após três partidas com a camisa do Flamengo, avançou pela esquerda, passou por Gum e cruzou na medida para Alecsandro marcar belo gol de cabeça. Foi o 32ª gol do atacante pelo Flamengo, 11 de cabeça.

Pará leva as mãos ao rosto após marcar o gol contra, o segundo do Flu – Alexandre Cassiano / Agência O Globo

Cristóvão fez o óbvio no intervalo: tirou Arthur Maia. Quem entrou foi Marcelo Cirino, que voltava de uma contusão muscular. Em sua primeira jogada, logo no primeiro minuto, o atacante errou o passe e, no contra-ataque, o Fluminense chegou ao terceiro.

E mais uma vez com a participação decisiva de Gérson. Após receber bom passe de Vinícius, ele tirou Armero da jogada e rolou de bandeja para Fred ampliar. Foi o 107ª gol do atacante no Brasileiro desde que a competição passou a ser disputada por pontos corridos, em 2003, superando o veterano Paulo Baier, que tem 106. Foi também o sexto gol de Fred contra o Flamengo em 12 confrontos.

Parecia que o clássico estava decidido, mas em seguida, Gérson, disparado o melhor em campo, sentiu um problema muscular. Enquando era atendido, Sandro Meira Ricci cometeu mais um erro grave e expulsou injustamente o lateral Giovani. O técnico Enderson Moreira tirou Gerson e pôs o volante Pierre. Já Cristóvão sacou Pará e pôs Gabriel.

Com um homem a mais, o Flamengo partiu com tudo para cima do Fluminense. Mas faltava competência para chegar ao gol. Cristóvão demorou a agir e só aos 35 fez sua terceira troca: tirou o volante paraguaio Cáceres e pôs o atacante Eduardo da Silva. Na base do abafa, o Flamengo ainda diminuiu aos 40, com Eduardo da Silva, de cabeça, após cruzamento de Marcelo Cirino — foi a única jogada certa do atacante rubro-negro nos 45 minutos em que esteve em campo.

No fim, o argentino Canteros também foi expulso. A torcida do Fluminense nem viu. A esta altura, já fazia um carnaval no Maracanã, enaltecendo a raça da equipe, que resistiu à pressão do Flamengo mesmo com um homem a menos.

Quando o atrapalhado Sandro Meira Ricci encerrou o jogo, os jogadores tricolores correram para a torcida. Alguns deram a camisa para torcedores. Tudo ao som do mantra tricolor: “Time de guerreiros, time de guerreiros”.

FLAMENGO 2 X 3 FLUMINENSE

Local: Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)

Árbitro: Sandro Meira Ricci (Fifa)

Assistentes: Emerson Augusto de Carvalho e Fabio Ferreira

Cartões amarelos: Pará 6’/1T (FLA), Everton 22’/1T (FLA), Vinicius 28’/1T (FLU), Cáceres 43’/1T (FLA), Wagner 9’/2T (FLU), Bressan 9’/2T (FLA), Diego Cavalieri 22’/2T (FLU), Canteros 40’/2T (FLA), Eduardo da Silva 48’/2T (FLA)

Cartões vermelhos: Giovanni 5’/2T (FLU) e Canteros 46’/2T (FLA)

Público/ Renda: 25.289 pagantes /R$ 1.063.622,50

FLAMENGO: Paulo Victor; Pará (Gabriel 7’/2T), Bressan, Wallace, Armero, Cáceres (Eduardo da Silva 37’/2T, Canteros, Arthur Maia (Marcelo Cirino,intervalo), Everton, Paulinho e Alecsandro. Técnico: Cristovão Borges

FLUMINENSE: Diego Cavalieri; Renato, Gum, Antônio Carlos, Giovanni, Edson, Jean, Wagner, Gerson (Pierre 6’/2T), Vinicius (Wellington Silva 14’/2T) e Fred (Marlone 43’/2T). Técnico: Enderson Moreira

Depois de marcar o terceiro do Flu, Fred sai para comemorar – Márcio Alves / Agência O Globo
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