João Pessoa 13/12/2018

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Com raízes na Europa, ex-Furacão Fabiano Soares planeja retorno ao Brasil

De carreira como jogador em Botafogo e Cruzeiro, Fabiano Soares pendurou as chuteiras na Espanha, onde constituiu família e montou residência. Após o fim da carreira como atleta, Fabiano iniciou sua trajetória como treinador, também na Europa, só retornando ao Brasil em 2017, em passagem pelo Atlético Paranaense. Apesar dos laços fora do país, que se mantém até hoje, o comandante espera retornar ao Brasil em 2019 e está de olho no mercado.

Em conversa por telefone com a reportagem de oGol, Fabiano, atualmente vivendo em Portugal, contou que iniciou a carreira como técnico após participar de curso da Real Federação Espanhola de Futebol. Parte do curso era dirigir equipes locais. Com passagens por Celta de Vigo, Compostela e Racing de Ferrol, Fabiano teve portas abertas e começou em Santiago de Compostela.

“Pelo meu nome na região da Galícia, foram abrindo as portas e fui me formando como treinador. Ajuda bastante a gente, que é ex-jogador e acaba a carreira achando que sabe tudo, mas, na verdade, não sabe nada. Não sabe dar treino, acha que tudo é “peladinha”. Pouco a pouco, com aprendizagem, treino, estudos, você aprende”, conta.

Após uma temporada no Compostela e outra no Estradense, Fabiano recebeu o convite de Vinícius Eutrópio para trabalhar no futebol português. Inicialmente, trabalhou como auxiliar do Estoril, para depois assumir a equipe como técnico principal.

“Na verdade, não conhecia muito o futebol português e fui aprendendo. Foi muito bom. Pela minha experiência como jogador e pelo que aprendi na Espanha como treinador, acho que ajudei bastante o Estoril. Subimos para a primeira divisão. No tempo que estava como auxiliar, ia para Madri fazer cursos, me atualizando e preparando para dar o passo para treinador”, garante.

Fabiano Soares conseguiu fazer com que o Estoril ficasse em posições medianas no Campeonato Português. Mas, no final de 2016, apesar de ter renovado contrato pouco antes, acabou sendo demitido da equipe após derrota para o Vitória de Setúbal. Em 2017, o Estoril acabou rebaixado.

“Eu havia renovado em junho por dois anos, com opção de dois anos mais. Chegou em dezembro, depois de ter perdido um jogo e empatado outro, fui mandado embora. Mas são escolhas do clube. Depois, foi perdendo a qualidade de escolha dos jovens brasileiros, até dos portugueses, e a coisa desandou. Mas espero que o Estoril se recupere, porque é um clube que a gente gosta”.

Torcida pelo Furacão e retorno ao Brasil 

O último trabalho de Fabiano Soares foi no Atlético Paranaense, em 2017. Após comandar o Furacão em 26 jogos e terminar em 11º no Campeonato Brasileiro, Fabiano deixou o clube no final do ano por lealdade a Paulo Autuori, que foi quem o levou ao Rubro-Negro.

“Minha chegada foi por um convite de Paulo Autuori. Faltando um mês para o ano passado acabar, Autuori anunciou a saída. Por ética, respeito e solidariedade, disse que não ficaria. Comuniquei a ele e ele comunicaria aos dirigentes. Logicamente seria importante começar uma pré-temporada no Atlético e melhorar o que havia sido feito. Tinha contrato até dezembro de 2018, mas renunciei. Acho que foi um bom trabalho. Ficamos a três pontos da Libertadores. Fiquei alguns jogos na arquibancada, perdemos quatro pênaltis que, se a gente estivesse convertido, estaríamos na Libertadores”, comenta.

Apesar de estar distante, Fabiano segue acompanhando o Rubro-Negro e torce pelo título na Copa Sul-Americana. Na próxima semana, o Atlético enfrenta o Fluminense pelo jogo da volta das semifinais. O técnico acredita na possibilidade da conquista.

“O Atlético tem duas caras esse ano: uma na Arena e uma fora. Fora, acho que só ganharam na Sul-Americana. Mas confio muito no Tiago, no Evandro, auxiliar dele. São pessoas muito capacitadas. Torço para que eles consigam levar o Atlético para a final. Vai ser um jogo complicado, o estádio vai estar cheio. Mas acho que é uma boa vantagem por não ter levado gol. O Atlético é uma equipe que consegue fazer gols”, destaca.

O ex-comandante atleticano elogiou a dupla que comanda o Furacão atualmente: Evandro e Tiago Nunes. “Conversávamos muito. Uma gente esclarecida, estudiosa… O trabalho deles é impecável. Pessoal pode falar: ‘Não ganharam fora no Brasileiro’. Mas o que importa é que estão na semifinal, tem uma grande vantagem para o jogo do Rio. Sinceramente, tem tudo para conseguir esse título. Eles merecem esse título, porque são muito capacitados e estão fazendo um trabalho impressionante”.

O Gol