Com votação de vetos adiada, dólar inverte sinal e sobe 0,49%.

Com votação de vetos adiada, dólar inverte sinal e sobe 0,49%.

nota-de-dolar-1SÃO PAULO – O dólar comercial chegou a recuar mais de 1% nesta quarta-feira, mas o movimento perdeu força e a divisa passou a subir. A principal razão é a postergação, mais uma vez, da votação dos vetos presidenteciais pelo Congresso Nacional. Às 15h13, a moeda americana registrava queda de 0,49% ante o real, cotada a R$ 3,858 na compra e a R$ 3,860 na venda. Já o Ibovespa registrava alta de 1,82%, aos 48.719 pontos, puxado pelas ações da Petrobras e da Vale.

No início da tarde, o movimento de queda já perdia força. No entanto, após o adiamento da votação por falta de quórum do governo, a moeda americana ganhou força.

— Governo fez um grande esforço para recompor a sua base e por isso fez a reforma ministerial. O mercado acalmou um pouco por isso. Agora, com esse adiamento, mostrou que ainda não tem força política para colocar as matérias de seu interesse em votação —afirmou Felipe Silva, analista da Saga Capital.

Na mínima do pregão, a divisa chegou a atingir R$ 3,789, em um cenário que o dólar perde. Essa é a menor cotação desde 9 de setembro – no mesmo dia, à noite, a Standard & Poor’s anunciou a redução da nota de crédito (rating) do Brasil, o que fez o país perder o grau de investimento nessa agência de classificação de risco.

A queda dos pregões anteriores (foram três seguidos) ocorreu devido à recuperação dos preços do petróleo e do minério de ferro. O cenário de menor aversão ao risco ajuda no processo de desvalorização do dólar, que ocorre de forma acentuada no Brasil. Pesam para esse movimento a menor preocupação em relação à desaceleração da economia chinesa e a possibilidade de postergação do aumento de juros nos Estados Unidos.

— O cenário externo está mais calmo, então estamos só olhando as movimentações políticas internas — avaliou Pablo Spyer, diretor de operações da corretora Mirae Asset.

Segundo operadores, embora o ambiente político ainda inspire cuidados, os investidores estrangeiros estão em busca de oportunidades de alocação dos recursos em um cenário de aumento de estímulos em algumas economias desenvolvidas, em especial no Japão e Europa, além do adiamento da alta dos juros americanos.

O “dollar index”, que mede a variação do dólar frente a uma cesta de dez moedas, está praticamente estável, com pequena variação positiva de 0,07%.

VALE E PETROBRAS SOBEM FORTE

O bom humor no mercado externo também faz a Bolsa subir forte nesta quarta-feira, entrando no sétimo dia consecutivo de ganhos. Todas as ações de maior liquidez operam em alta. No caso da Petrobras, os papéis sobem forte com a recuperação do preço do petróleo no mercado externo. O do tipo Brent está sendo negociado em alta de 0,60%, a US$ 52,23 o barril, retornando ao patamar de julho. Os preferenciais (PNs, sem direito a voto) sobem 3,41%, cotados a R$ 8,47, e os ordinários (ONs, com direito a voto) avançam 5,35%, a R$ 10,42.

— Há uma série de fatores que justificam essa alta. Melhor perspectiva em relação ao ambiente político, uma Europa e China mais calma e a probabilidade de adiamento do aumento dos juros nos Estados Unidos. Os investidores estão aproveitando o momento — avaliou Ari Santos, gerente de renda variável da corretora H.Commcor.

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No caso da Vale, as preferenciais sobem 5,83% e as ordinárias têm ganhos de 7,80%. O desempenho está atrelado à divulgação, nesta quarta-feira, de um relatório do banco americano Morgan Stanley que traça um cenário otimista para as mineradoras, contribuindo para os fortes ganhos das empresas do setor no atual pregão – na Europa, Rio Tinto e BHP também subiram com força.

Os bancos, que possuem o maior peso do Ibovespa, também operam em alta. As ações preferenciais do Itaú Unibanco e do Bradesco sobem, respectivamente, 1,83% e 2,65%. Banco do Brasil tem alta de 6,35%.

Nos exterior, os principais indicadores do mercado acionário também registram alta. Nos Estados Unidos, o Dow Jones tem leve alta de 0,64% e o S&P 500 tem pequena variação positiva de 0,57%. Na Europa, os índices fecharam em alta. O DAX, de Frankfurt, registrou valorização de 0,68% e o CAC 40, da Bolsa de Paris, subiu 0,14%. Em Londres, o FTSE 100 teve variação positiva de 0,16%.

O Globo