Comércio terá primeira queda anual desde 2003

Comércio terá primeira queda anual desde 2003

loja de roupas 1Loja de roupas na rua José Paulino, no centro de São Paulo – Michel Filho/Agência O Globo

RIO – O comércio terá em 2015 a primeira queda anual nas vendas em 12 anos, desde 2003. As projeções são de queda de até 4% do varejo, como é o caso do Bradesco, um reflexo da piora do mercado de trabalho e da renda e do crédito no país. Em 2003, o comércio caiu 3,7%, mas registrou taxas positivas entre 2004 e 2014. A maior alta ocorreu em 2010, de 10,9%. No ano passado, o ritmo de alta já foi menos intenso, de 2,2%.
— O que se vê no varejo era esperado diante do que ocorre nos mercados de trabalho e de crédito. Há uma destruição forte de empregos e houve encarecimento do crédito, além de encurtamento dos prazos das operações. As famílias estão menos confiantes e menos propensas a assumir novas dívidas — afirma o economista da LCA Consultores Paulo Neves.

Em agosto, as vendas do varejo caíram 0,9% frente a julho — o pior resultado para agosto desde o início da série histórica, de 2000 — e 6,9% em relação a agosto de 2014 — a queda mais intensa para o indicador desde março de 2003, quando foi de -11,4%.

Mais do que um cenário de curto prazo, o que Neves aponta é que não há perspectiva de melhora do varejo a curto prazo. Diante dos números de agosto, a projeção da LCA Consultores para a perda do comércio em 2015 foi ampliada de 3% para 3,5%. Para 2016, ainda não se espera alta. A estimativa da LCA Consultores é de recuo de 0,2%, enquanto o Bradesco espera queda de 2%.

Em relatório, o banco Goldman Sachs apontou que o cenário para o consumo privado e as vendas do varejo continua negativo diante da forte desaceleração do crédito — tanto de bancos públicos quanto privados —, ao elevado nível de endividamento das famílias, piora na criação de vagas de trabalho e renda, taxas mais altas de juros, tarifas mais caras, incerteza política e econômica e os baixos níveis de confiança do consumidor.

O Globo