João Pessoa 17/12/2018

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Como fazer uma boa redação do Enem 2018? Professor responde às perguntas dos candidatos

Como fazer uma boa redação do Enem? O que vai cair na redação do Enem 2018? Como fazer uma redação passo a passo? Com a proximidade da edição 2018 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), as buscas no Google sobre a prova de redação aumentaram. A prova de redação será neste domingo (4), quando os candidatos também vão responder questões de linguagens e ciências humanas.

Na última quarta-feira (30), o volume de buscas foi cinco vezes maior do que no início do mês, e três vezes mais alto que no domingo (28). Veja abaixo a evolução das buscas:

Enem 2018: buscas no Google sobre a redação
Entre o início e o fim de outubro, volume buscas sobre a redação do Enem quintuplicou
02/1003/1004/1005/1006/1007/1008/1009/1010/1011/1012/1013/1014/1015/1016/1017/1018/1019/1020/1021/1022/1023/1024/1025/1026/1027/1028/1029/1030/100100255075125
Fonte: Google Trends

Um levantamento elaborado pelo Google Trends e obtido pelo G1 listou as dez perguntas mais frequentes sobre o assunto feitas entre o sábado (27) e a quinta-feira (1º). Veja quais são:

  1. Como fazer uma redação para o Enem?
  2. Como fazer uma boa redação para o Enem?
  3. O que pode cair na redação do Enem 2018?
  4. Como fazer uma redação?
  5. Como começar uma redação?
  6. Qual será o tema da redação do Enem 2018?
  7. O que vai cair na redação do Enem 2018?
  8. Como saber o tema da redação do Enem?
  9. O que é um texto dissertativo-argumentativo?
  10. Como fazer uma redação passo a passo?

Segundo Braga, a palavra-chave para entender que o texto dissertativo-argumentativo é “objetividade”. “É a linguagem clara, denotativa, direta”, resume ele.

“Ele é um texto objetivo, feito com uma linguagem imparcial, com preferência à terceira pessoa, e que apresenta opinião sobre o assunto proposto. Esse é um texto que não permite subjetividades excessivas. Tem que ser um texto claro para o leitor.”

Segundo ele, não é um texto parcial, afinal, o estudante precisa tomar um posicionamento. Porém, a linguagem dele tem que ser imparcial.

“É imparcial na linguagem. A linguagem é impessoal, mas o texto é parcial, porque você acaba apresentando sua opinião. A linguagem é que não pode ser”, explicou Braga.

De acordo com o professor, o estudante deve evitar:

  • Usar frases na primeira pessoa do singular
  • Só usar frases na primeira pessoa do plural se houver a ideie da inclusão, usando o pronome “nós” com um sentido de sociedade
  • Usar elementos subjetivos, como reticências ou ponto de exclamação

Como fazer uma boa redação para o Enem?

Antes de mais nada, o candidato precisa saber o que é considerada uma boa redação do Enem. Não é necessariamente a que tem o melhor argumento, ou que defende a melhor proposta de intervenção, mas sim a redação que corresponde às expectativas da banca avaliadora.

Essas expectativas estão resumidas nas cinco competências da redação:

  • Competência 2: Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo em prosa.
  • Competência 3: Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.
  • Competência 4: Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação.
  • Competência 5: Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado que respeite os direitos humanos.

Segundo o professor Thiago Braga, a principal ferramenta que o aluno deve ter na hora de escrever uma redação é entender a diferença entre pensamento e raciocínio. “O pensamento é completamente desconexo, solto. E a primeira coisa que o aluno tem que fazer é desenvolver uma linha de raciocínio, pensar no que vai dizer.”

Como fazer uma redação passo a passo?

Planejar a redação, portanto, é o primeiro passo, segundo ele. “E isso não pode ser feito de cabeça, tem que ser planejado em papel.”

Nesse papel, o aluno precisa escrever quatro itens:

  1. Introdução
  2. Desenvolvimento 1
  3. Desenvolvimento 2
  4. Conclusão

Em cada item, o estudante deve listar quais elementos encaixará, antes de começar a redigir o texto. Em algum deles, o professor recomenda que o estudante tente pensar em alguma frase ou pensamento de um autor que se encaixe na argumentação proposta.

“Esse é o básico do básico. Se o aluno sai escrevendo, a tendência é que ele acabe tendo um problema de falar coisas que ele não concatenou, que ele não definiu antes. Isso vai gerar um texto confuso”, diz Thiago Braga.

Nas explicações, foi usado como exemplo o tema “reciclagem”:

  • Introdução:

Esse é o primeiro parágrafo do texto. Braga ressalta que a introdução precisa necessariamente apresentar para o leitor o tema. “É como se o leitor não soubesse qual é o tema”, lembra ele. Além de ter um caráter introdutório, o aluno precisa já no primeiro parágrafo tomar um posicionamento.

“Tem que ter dois parágrafos para desenvolver esse tema, sustentando a opinião que ele já apresentou na opinião, e depois precisa de mais um parágrafo para concluir toda a abordagem que ele propôs”, continuou o professor.

  • Desenvolvimento 1 e 2:

Após a introdução, o primeiro parágrafo deve ser dedicado ao primeiro argumento do candidato para sustentar sua posição. Nesse caso, ele pode também aproveitar dados apresentados nos textos motivadores da prova quanto o seu próprio conhecimento sobre o tema – Braga lembra que os temas da redação costumam se inspirar em assuntos que tiveram discussão recente na socidade brasileira e, por isso, faz parte da preparação acompanhar o noticiário.

O parágrafo seguinte deve avançar na argumentação. O aluno “vai escolher um argumento diferente do primeiro, que também sustente aquela tese”, explica Braga.

No exemplo da reciclagem, é possível citar nessas duas partes dados sobre lixões, contaminação da água, poluição do ar, entre outros, que ajudem a explicar o tamanho do problema.

  • Conclusão:

O parágrafo final, além de servir como conclusão da argumentação, precisa conter a proposta de intervenção, que é obrigatória para chegar à nota máxima da redação do Enem.

Nesse caso, também existe um truque, alerta Braga: propostas muito vagas não rendem botas notas.

“Muita gente apela logo para Aa conscientização, dizendo que as pessoas precisam entender que a reciclagem é importante”, explicou ele, citando o exemplo. “Isso não basta, a banca não fica satisfeita. Tem que ser a criação de uma lei que exija a coleta seletiva em pelo menos tantos por cento das cidades do estado, ou que exija que todas as cidades com tantos habitantes tenham uma coleta seletiva.”

Qual será o tema da redação do Enem 2018?

Apesar de essa ser uma das perguntas mais frequentes buscadas pelos internautas no Google, Braga lembra que eles não vão encontrar a resposta na internet. Isso porque o tema da prova de redação é guardado cada vez com mais medidas de segurança, como lacres eletrônicos nos malotes dos cadernos de provas.

Mas o professor lembra que o mais importante para ir bem na prova de redação não é saber o tema com antecedência, e sim praticar o texto dissertativo-argumentativo que siga as cinco competências.

Mesmo assim, muitas pessoas tentam adivinhar qual será o tema proposto. Esse exercício é bom inclusive para que os estudantes pratiquem com redações de assuntos parecidos com os do formato do Enem.

Caso o candidato queira tentar adivinhar um tema, Braga recomenda que, durante todo o ano, ele esteja sempre antenado com as notícias, apesar de que isso não garante o palpite certeiro. Neste ano, Braga diz que alguns dos temas mais citados por estudantes são as “fake news” e o preconceito linguístico – assunto esse que já foi abordado várias vezes nas provas objetivas.

“Eles têm que estar preparados para qualquer tema, até porque muitos dos argumentos usados para um tema servem para outros, eles se entrecruzam. Alguns são argumentos centrais, são coringas, como o respeito à diversidade, à alteridade, ao diferente. Serve para intolerância religiosa, serviria para o preconceito linguístico”, concluiu o professor.

G1