Conflito Teerã-Riad pode afetar economia brasileira, diz especialista

conflito teerãManifestação em Teerã contra a morte de clérigo iraniano pelo governo saudita. 

A tensão continua a aumentar nas relações entre o Irã e a Arábia Saudita, desde a execução do clérigo xiita saudita Nimr al-Nimr por Riad, há uma semana. Ataques a representações diplomáticas e protestos se sucedem nos últimos dias. Monarquias do Golfo manifestaram neste sábado (9) apoio ao governo saudita. O conflito dessas grandes produtoras de petróleo ameaça também o cenário econômico mundial.

Para Guilherme Casarões, professor de Relações Internacionais da FGV e da ESPM, em São Paulo, esses atritos podem provocar o aumento do preço do petróleo, “com grande impacto sobre a composição de preços no Brasil”, podendo afetar não só o preço da gasolina como o custo de produtos agregados de logística e transportes, por exemplo. “Isso não é desejável, principalmente num momento de crise política e econômica que vive o Brasil”.

A respeito da possibilidade de um conflito armado, Casarões diz ser difícil fazer previsões no momento. “O cenário mais provável seria o de confrontação militar local onde os dois países já mantenham atividades militares, como Síria e Iêmen, ao invés de uma guerra declarada”, analisa o especialista, em entrevista à RFI Brasil.

“A religião é usada politicamente”, diz especialista

Para Casarões, a geopolítica e a religião são elementos que se mesclam nessa escaramuça entre Riad (sunita) e Teerã (xiita). “A religião dá o fio condutor dessa rivalidade. A Arábia Saudita tem grande parte de sua identidade ligada à religiosidade, inclusive há uma vertente do sunismo bastante controversa, que é o wahabismo. No Irã, a partir de 1979, com a instauração da República Islâmica dos aiatolás, o país se tornou centro de gravidade do xiismo”.

“O componente religioso, na minha forma de ver, é muito mais usado politicamente do que como elemento avulso. A religião está sendo apropriada pela política para dar sentido a essa briga que estamos vendo entre os dois países.”, explica Guilherme Casarões.

Noticiário Internacional