Confrontos no Sudão do Sul deixam ao menos 60 mortos - :: Paraiba Urgente :: Portal de Notícias

Confrontos no Sudão do Sul deixam ao menos 60 mortos

SUDÃOMais de 60 soldados foram mortos em Juba e quase 10 mil habitantes se refugiaram junto à ONU por medo da violência étnica na capital do Sudão do Sul, onde os combates foram retomados nesta terça. Ontem, uma tentativa de golpe de Estado fracassou.

Apesar do cessar-fogo, disparos e explosões foram ouvidas durante a noite e ao longo do dia em diversos bairros da capital, onde a população evitou sair de casa nesta terça. “É fundamental que a atual onda de violência não tome dimensões étnicas”, advertiu a Missão da ONU no Sudão do Sul (Minuss), exortando “todos os cidadãos e os líderes a se manter distante de todo ato incendiário ou violento contra comunidades em particular”.

A Minuss estimou “nesta manhã que cerca de 10 mil civis receberam proteção” em suas bases em Juba. Um médico de um hospital militar da capital do Sudão do Sul indicou a uma rádio local que ao menos 66 soldados sul-sudaneses foram mortos durante os combates.

Durante o dia, o secretário de Estado sul-sudanês para a Saúde, Makur Korion, mencionou que ao menos 26 pessoas, entre civis e militares, foram mortas em Juba desde o início dos combates, no domingo à noite. Segundo ele, 140 pessoas ficaram feridas.

A rádio independente Tamazuj relatou confrontos envolvendo partidários do ex-vice-presidente Riek Machar. Na segunda-feira, o presidente Salva Kiir Mayardit afirmou ter frustrado uma tentativa de golpe de Estado planejada por seu ex-vice-presidente e soldados leais a ele.

Observadores internacionais expressaram dúvidas nesta terça quanto à veracidade do golpe, vendo na acusação um potencial pretexto para se livrar de Riek Machar. Em julho, Kiir demitiu seu vice e todo o governo, em meio a rivalidades entre os dois homens e cisões dentro do regime, formado por ex-rebeldes do sul. Ele está no poder desde um acordo de paz assinado com Cartum em 2005, que terminou com décadas de guerra civil e levou à independência do Sudão do Sul em julho de 2011.

População com medo de sair às ruas

A população teme agora confrontos duas comunidades, Dinka e Nuer, do presidente Kiir e de seu rival. Fontes humanitárias relataram episódios de violência de militares contra membros da comunidade Nuer em Juba.
As forças de segurança patrulhavam nesta terça áreas estratégicas da capital, onde todas as lojas estavam fechadas. Muitos habitantes que vivem perto de quartéis foram vistos à procura de refúgio em outras partes da cidade.

Os primeiros confrontos começaram domingo à noite, aparentemente entre facções rivais do exército sul-sudanês, perto de bases militares, e pararam no meio da noite. Na segunda-feira, retomaram por cerca de três horas.

O enviado especial dos Estados Unidos no Sudão e no Sudão do Sul, Donald Booth, declarou nesta terça-feira à BBC que “a situação em Juba permanece claramente tensa e incerta”. “Nós continuamos a reunir diferentes elementos e peças de informação, por isso é um pouco prematuro dizer exatamente o que provocou a violência. Sabemos que há tensões crescentes, devido a divergências” dentro do partido no poder.

RFI