Conheça as tradições da Páscoa francesa no Correio dos Ouvintes

Pascoa FrancesaNo programa desta semana, vamos conhecer as tradições da Páscoa na França. No nosso bate-papo, temos o prazer de conversar com o nosso ouvinte que veio nos visitar, Sérgio Costa Goulart, e que dá sugestões de passeios para quem vem conhecer a França.

E nossa receita será um pernil de cordeiro com cítricos e vinhos branco e tinto. Bom programa a todos!

A primavera e a Páscoa têm em comum um significado, o renascer. Período em que os equinócios e os solstícios se situam a meia estação. A Pascoa não é uma festa com data fixa. Mas é sempre comemorada no primeiro domingo que segue ou coincide com a primeira lua cheia depois do dia 21 de março.

 

Para as crianças, a Páscoa tem um outro significado: são os chocolates, em forma de coelho, ovos ou sinos. A tradição aqui na França é de esconder os chocolates nos jardins para que as crianças saiam a sua procura no dia de Páscoa. Para quem não tem jardim, há vários lugares públicos como castelos e parques que organizam a caça aos ovos e  as crianças saem à procura com seus cestinhos.

 

Na região leste da França, na Alsácia, as casas são decoradas com motivos pascais, se fabrica também buquês de Páscoa. Nem as árvores escapam da decoração e nelas são pendurados ovos cozidos pintados.

 

Outra tradição francesa é a do sino de Páscoa. No sudoeste da França e na Bélgica, os sinos ficam sem tocar desde a Quinta-Feira Santa, simbolizando o luto, e costuma-se contar que os sinos foram embora para Roma e que só voltam no domingo de Páscoa e por onde passam deixam cair ovinhos de chocolate.

Uma tradição francesa que continua a ser feita no Québec é a da colheita da água. Nas igrejas católicas, logo depois da vigília pascal ou da missa do domingo de Páscoa, quem quer pode receber um pouco de água benta para levar para casa. A lenda conta que a água recolhida no sereno da manhã do domingo de Páscoa é milagrosa e cura muitos males.

Os símbolos da Páscoa

A figura do coelho está simbolicamente relacionada a essa data comemorativa, pois o animal representa a fertilidade. Entre os povos da antiguidade, a fertilidade era sinônimo de preservação da espécie e melhores condições de vida, numa época em que o índice de mortalidade era altíssimo.

Já o costume dos ovos de Páscoa, este teria sido trazido por missionários que visitaram a China, onde há muitos séculos já existia o hábito de se presentear os amigos com os ovos cozidos e coloridos, na Festa da Primavera. Os ovos eram enfeitados, a partir do cozimento com ervas que soltavam tintas fortes, entre as quais a fruta do tojo (que lhes dava uma cor amarelada), a beterraba e a casca da cebola.

 

Reuters

Também se conta que desde que a igreja proibiu no seculo IV que se coma ovos durante a quaresma, os ovos que já não se podia  consumir eram decorados e presenteados. O costume perdura mesmo depois que o jejum sem ovos foi abolido, só que hoje em dia se oferece ovos de chocolate.

Um dos países que mais leva em consideração a celebração da pascoa é a Grécia. A festa da ressurreição do Cristo não é feita no domingo de Páscoa mas na véspera. Os fiéis chegam à igreja com uma vela apagada, como todas as luzes da igreja. A escuridão é para simbolizar o túmulo do cristo.

Quando toca a última badalada da meia-noite, o padre acende uma vela anunciando uma nova era e todos acendem pouco a pouco suas velas iluminando toda a igreja.

Comidas da Páscoa

Na Alemanha e na França, no almoço de Páscoa é tradição preparar pernil de cordeiro desossado, acompanhado de legumes como brócolis ou vagem.

 

Na Alsacea, o tradicional biscoito em forma de cordeiro o « Osterlammele ».

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Na região da Alsácia e em algumas regiões da Alemanha se faz um biscoito em forma de cordeiro; o chamado Osterlammele ou Lamala.

Esta tradição alsaciana católica do Lammele foi atestada pelo teólogo católico Thomas Murner em 1519 : o noivo oferecia um cordeiro pascal a sua futura esposa. As crianças também eram presenteadas com estes biscoitos na volta da missa pascal. O costume tinha como objetivo liquidar o estoque de ovos que tinha sido feito antes da Páscoa.