Contra o México, Brasil tem obstáculos a superar: a lesão de Hulk e um rival que virou indigesto - :: Paraiba Urgente :: Portal de Notícias

Contra o México, Brasil tem obstáculos a superar: a lesão de Hulk e um rival que virou indigesto

neymar mexicoNeymar é a principal esperança de gols para a seleção brasileira: em 2012, ele estava na derrota para o México na final dos Jogos Olímpicos – Alexandre Cassiano

FORTALEZA — Livre da pressão da estreia e com a confiança em alta após vencer a Croácia, a seleção pisará o gramado do Castelão, às 16h, para enfrentar o México, num ambiente, em tese, mais tranquilo. Uma nova vitória pode até antecipar a classificação para as oitavas de final da Copa do Mundo. Mas há obstáculos. Em tese, menos assustadores do que na abertura. O favoritismo da seleção parece se desenhar com mais clareza.

Mas o caso é que o México, historicamente uma presa fácil, virou adversário indigesto nos últimos anos. Enquanto isso, o técnico Luiz Felipe Scolari viverá uma situação rara em sua atual passagem pelo comando do Brasil. Até aqui, em jogos oficiais, só fora obrigado a mexer no time uma vez, o que pode acontecer nesta terça novamente.

Com os coletes dos titulares na mão, Felipão olhava fixamente para as tribunas do Castelão na tarde de segunda. Queria se certificar de que, passados os 15 minutos de treino aberto à imprensa, tempo dedicado a um despretensioso aquecimento e uma pouco esclarecedora troca de bolas entre jogadores, o estádio estava vazio.

Hulk tem grandes possibilidades de desfalcar a seleção. E, também parece claro, Ramires é a primeira opção do técnico. Mesmo assim, ao decidir fechar o treino pela primeira vez desde o início da preparação para a Copa, quis ter liberdade para ensaiar jogadas e, pelo menos, tentar gerar dúvidas no adversário sobre qual será a escalação do Brasil.

HULK SERÁ REAVALIADO ANTES DO JOGO

Hulk fez exame de ressonância magnética na segunda pela manhã, em Fortaleza. Não foi constatada uma lesão muscular na parte posterior da coxa esquerda, onde ele sente dor. Mesmo assim, o jogador ficou em tratamento na concentração. Segundo os médicos, será reavaliado antes da partida para saber se pode jogar.

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Felipão já dirigiu o Brasil em seis jogos oficiais desde que reassumiu o time: cinco pela Copa das Confederações de 2013 e a estreia no Mundial, contra a Croácia. Nestes jogos, só uma vez perdeu um jogador por contusão: contra a Itália, no ano passado, Paulinho deu lugar a Hernanes. Em todos os demais jogos, Felipão escalou o mesmo time titular que começou a disputa do Mundial.

— Claro que perco (se Hulk não jogar) no sistema que temos jogado habitualmente. Mas, com outras características, tenho jogadores que podem acrescentar velocidade ou marcação — afirmou.

Quando falou em velocidade, se referia a Bernard ou Willian. Ao falar de marcação, citava Ramires. Que deve ser o escolhido, após treinar novamente como titular na segunda. Ele também fora o substituto de Hulk no treino de domingo.

— Felipão escolheu 23 jogadores e todos podem jogar. Ele pode fechar os olhos e escolher Bernard, Willian, Ramires… — disse Thiago Silva, alvo de brincadeira de Felipão, que perguntou se ele estava escalando o time. — Longe de mim, ainda não quero esta responsabilidade.

Ramires, provável titular, teve trajetória acidentada com Felipão até se firmar na seleção. Titular na estreia do treinador, contra a Inglaterra, foi cortado por lesão nos dois amistosos seguintes, um deles em Londres, onde mora. Após agendar exame no hotel da seleção, na capital inglesa, apresentou-se com atraso e ganhou um “gelo” do técnico: ficou fora da Copa das Confederações. Voltou a ser chamado em setembro passado e não saiu mais do grupo.

CONFRONTO EQUILIBRADO

Nos últimos 15 jogos entre Brasil e México, houve seis vitórias para cada lado, sem contar a final olímpica de 2012, vencida pelos mexicanos em Londres. Antes disso, o Brasil tinha 16 vitórias contra quatro dos rivais. Os duelos tornaram-se mais frequentes ultimamente. Foram quatro jogos desde 2011, o último deles a vitória do Brasil na Copa das Confederações. Deste jogo, o México pode tirar mais ensinamentos do que o Brasil, que manteve 70% do elenco para o Mundial. Já os mexicanos mudaram 13 dos 23 nomes e tiveram três técnicos.

— Contra o Brasil, o México sempre se comporta como grande time. Estudamos o time, mas eles mudaram muito nos últimos 12 meses — disse Felipão.

Lembrado da derrota olímpica pela imprensa mexicana, ele disse que não era técnico do Brasil. Mano Menezes estava no cargo. O resultado pavimentou o caminho da queda do antecessor.

— Lembrança? Nenhuma, não estava lá — disse Felipão.

O Globo