João Pessoa 25/03/2019

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Copom mantém Selic em 6,5% ao ano na última reunião de 2018

Decisão já era esperada - Foi a 6ª manutenção consecutiva - Chance de queda da inflação subiu

Banco Central do Brasil, fachada externa. Brasília, 02-03-2017. Foto Sérgio Lima/Poder 360.

Foi o último encontro do comitê antes do governo Bolsonaro

Pela 6ª reunião consecutiva, o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) manteve a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, em 6,5% ao ano. A decisão foi anunciada nesta 4ª feira (12.dez.2018).

Esse foi o último encontro de 2018. Agora, o colegiado só volta a se reunir em fevereiro, já no governo do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL).

A decisão confirma a projeção unânime dos economistas consultados pelo Poder360, que acreditavam que as expectativas ancoradas para a inflação e o ainda fraco desempenho da atividade econômica seriam suficientes para justificar a manutenção.

Com a decisão, a taxa segue no mínimo patamar da série histórica, iniciada em 1999, quando o regime de metas para a inflação foi adotado. A deliberação foi consensual entre os diretores.

O BC deu início ao movimento de corte da Selic no final de 2016, quando a taxa estava em 14,25%. Desde outubro daquele ano, foram 12 cortes –uma redução de 7,75 pontos percentuais nos juros.

Desde o encontro de setembro, o colegiado preferiu deixar a porta aberta para uma possível alta na taxa nos próximos encontros. Devido à instabilidade do processo eleitoral, o dólar vinha registrado forte alta sobre o real e havia o receio de que isso pesasse sobre o preços e as expectativas para inflação.

A avaliação, no entanto, é que o cenário se tornou mais controlado. Em 12 meses até novembro, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação oficial do país, acumulou 4,05% –abaixo do centro da meta do governo para o ano, que é de 4,5%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para baixo (3%) ou para cima (6%).

O QUE DIZ O BC

No comunicado divulgado após a reunião, o colegiado avalia que manutenção da taxa é compatível com a convergência da inflação para a meta neste ano, no próximo e, em menor grau, em 2020. Os membros reiteram que a economia ainda precisa de uma política monetária estimulativa.

Em relação a fatores internos, o BC coloca que os indicadores recentes da atividade econômica continuam evidenciando recuperação gradual da atividade.

Já em relação ao ambiente externo, afirma que o cenário externo permanece desafiador para economias emergentes. “Os principais riscos estão associados ao aumento da aversão ao risco nos mercados internacionais, à normalização das taxas de juros em algumas economias avançadas e a incertezas referentes ao comércio global”, diz.

O BC destacou que, desde a última reunião, aumentou a chance de o elevado nível de ociosidade da economia levar a inflação a uma trajetória mais baixa do que se esperava.

Por outro lado, destacou que houve queda no risco ligado a uma não continuidade da agenda de reformas econômicas –o que levaria a 1 aumento na trajetória da inflação.

As estimativas do colegiado para a inflação são:

  • cenário Focus (juros em 6,5% a.a. em 2018, 7,5% em 2019 e 8% em 2019 e dólar em R$ 3,78 em 2018 e R$ 3,80 em 2019 e 2020): 3,7% para 2018 (abaixo do centro da meta), 3,9% para 2019 (abaixo do centro da meta) e 3,6% para 2020 (abaixo do centro da meta);
  • cenário constante (juros em 6,5% a.a. e dólar em R$ 3,85): 3,7% para 2018, (abaixo do centro da meta) 4,0% para 2019 (abaixo do centro da meta) e 4,0% para 2020 (centro da meta).

O BC reitera, ainda, que, na visão do colegiado, a manutenção da inflação em níveis baixos no médio e longo prazo depende  da “continuidade do processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira”.

ENTENDA A SELIC

A Selic, definida durante encontros do Copom, é o principal instrumento do Banco Central de controle à inflação. Taxa média dos financiamentos diários, com lastro em títulos federais, a taxa vigora durante todo o período entre reuniões ordinárias do comitê.

Quando a inflação está alta, o BC sobe a taxa básica de juros, aumentando o custo do crédito e a remuneração de investimentos em renda fixa. Esse movimento desestimula os gastos do consumidor e os investimentos das empresas, o que acaba aliviando a pressão sobre os preços.

Por outro lado, quando a inflação dá sinais de desaceleração, abre-se espaço para a redução da taxa de juros. Esse movimento tende a incentivar a atividade e o crescimento econômico.

ENTENDA O COPOM

O comitê iniciou suas atividades em 1996 e é composto pelos membros da diretoria colegiada do BC. O objetivo principal do grupo é estabelecer as diretrizes da política monetária e garantir o cumprimento da meta de inflação, definida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional).

A reunião dura 2 dias. No 1º, é apresentada uma análise da conjuntura doméstica. São abordados temas como:

  • inflação;
  • nível de atividade;
  • evolução dos agregados monetários;
  • finanças públicas;
  • balanço de pagamentos;
  • economia internacional;
  • mercado de câmbio;
  • reservas internacionais;
  • mercado monetário;
  • operações de mercado aberto;
  • avaliação prospectiva das tendências da inflação;
  • expectativas gerais para variáveis macroeconômicas.

No 2º dia, são apresentadas alternativas para a taxa de juros de curto prazo e feitas recomendações sobre a política monetária. Os membros do Copom fazem suas ponderações e, na sequência, o colegiado inicia a votação das propostas, buscando, sempre que possível, o consenso.

Poder360