CPI quebra sigilo de construtoras acusadas de esquema de licitações fraudulentas na gestão de Veneziano

cpi de venéA Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga denúncias de caixa dois, improbidade administrativa, licitações fraudulentas e desvios de recursos, formuladas pelo ex-tesoureiro da Prefeitura de Campina Grande, Rennan Trajano, na gestão do deputado federal e ex-prefeito, Veneziano Vital do Rêgo (PMDB), já deu início aos trabalhos.

As empresas JGR Construções, Compec e Contérmica e seus respectivos sócios, citados pelo ex-tesoureiro, terão os sigilos fiscais e telefônicos quebrados. Além disso, serão alvo de sindicância patrimonial.

O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo Filho, também teve seu nome citado por Rennan Trajano. Ele teria recebido dinheiro da Prefeitura de Campina Grande, através dessas empresas, durante sua campanha ao Senado, em 2010.

Além de quebrar os sigilos fiscais e telefônicos das empresas, a CPI decidiu mudar o nome da comissão para CPI do Tesoureiro em substituição a ‘Lava Rêgo’.

“Após a quebra dos sigilos fiscais e bancários das empresas e seus proprietários e seus respectivos balanços patrimoniais e seus respectivos balanços patrimoniais e com toda a documentação em mãos, vamos convocar os empresários para prestar depoimentos, o ex-tesoureiro, os ex-secretários municipais e um ex-vereador”, disse o presidente da CPI, João Dantas.

Entenda:

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Rennan Trajano disse que R$ 10,3 milhões da prefeitura campinense teriam sido desviados para uma empreiteira de fachada.

Ele também afirma ter levantado cerca de R$ 10 milhões junto a agiotas para as campanhas dos Vital do Rêgo.

O ex-tesoureiro revelou que fez entregas  ao irmão do ministro, o deputado federal Veneziano Vital do Rêgo, e a firmas que atuavam nas campanhas da família.

A JGR, segundo Rennan Farias, teria sido usada para desviar recursos do município à campanha ao Senado do atual ministro do TCU Vital do Rêgo.

Segundo o escritório, os proprietários da JGR não são localizados há anos pelos próprios contadores, que tentam receber uma dívida antiga. Outro endereço indicado em documentos da prefeitura é uma sala desativada há anos. Em outros dois endereços atribuídos à JGR estão um ambulatório e outro escritório de contabilidade.

Veneziano classificou as declarações de Rennan Trajano de “infâmias” e “delinquências verbais” sobre as quais “não faltam estímulos e subvenções”.

“A obtenção de recursos financeiros em minhas campanhas eleitorais sempre ocorreu de conforme as regras legais, sendo as contas respectivas devidamente aprovadas”, disse o deputado.

Já o ministro Vital do Rêgo Filho negou ter recebido recursos do ex-tesoureiro da Prefeitura de Campina Grande. Ele disse ainda não ter relações de qualquer natureza com as pessoas citadas.

“Fazer uso do foro competente não foi o interesse deste conhecido cidadão (Rennan Trajano), que esquivou de se manifestar nos autos do referido processo de interpelação judicial. Aliás, este comportamento soa como subterfúgio de um cidadão que é notoriamente conhecido na Paraíba pela prática de atos reprováveis, como a transferência de recursos públicos para sua conta pessoal”, declarou.