Crimes já denunciados pela Lava-Jato envolvem desvio de R$ 2,1 bilhões, diz hotsite do MPF

Site-Lava-JatoSite criado pelo Ministério Público Federal sobre o caso

SÃO PAULO – Um hotsite criado pelo Ministério Público Federal (MPF) sobre os números da Operação Lava-Jato mostra que os crimes já denunciados envolvem o desvio de aproximadamente R$ 2,1 bilhões. Desse montante, R$ 450 milhões já foram recuperados e R$ 200 milhões em bens dos réus, já bloqueados. Os dados foram atualizados em dezembro do ano passado.

Até aquela ocasião, 279 processos haviam sido instaurados, com 150 pessoas e 232 empresas investigadas. Haviam sido realizadas 161 buscas e apreensões, 37 mandados de condução coercitiva e cumpridos 60 mandados de prisão.

Os números ainda mostram que 12 acordos de delação premiadas foram firmados na Lava-Jato e que foram feitas 18 acusações criminais contra 86 pessoas pelos crimes de corrupção, crimes contra o sistema financeiro e formação de quadrilha, entre outros.

Segundo o hotsite do MPF, a operação Lava-Jato é a maior investigação de corrupção e lavagem de dinheiro que o Brasil já teve. “Estima-se que o volume de recursos desviados dos cofres da Petrobras, maior estatal do país, esteja na casa de bilhões de reais. Soma-se a isso a expressão econômica e política dos suspeitos de participar do esquema de corrupção que envolve a companhia”, diz um dos textos.

O MPF salienta que, a princípio, foram investigadas e processadas quatro organizações criminosas lideradas por doleiros, entre eles Alberto Youssef. Depois, o Ministério Público Federal recolheu provas do esquema envolvendo a Petrobras cujas protagonistas são empreiteiras que há pelo menos dez anos “pagavam propina para altos executivos da estatal e para outros agentes públicos”. O valor da propina variava de 1% a 5% do montante total dos contratos das empreiteiras com a Petrobras, diz um outro texto.

Segundo o MPF, esse suborno era distribuído através de operadores financeiros do esquema, incluindo os doleiros investigados a princípio. A propina era paga, entre outros, para superfaturar contratos de um cartel de empreiteiras que cooptou funcionários do alto escalão da Petrobras.

O hotsite ainda explica que o nome “Lava-Jato” faz referência ao uso de uma rede de postos de combustíveis e de lava a jato de automóveis para movimentar recursos ilícitos de uma das organizações criminosas investigadas a princípio.

O Globo