Cunha é responsável por seus atos, diz Pezão

Cunha é responsável por seus atos, diz Pezão

Pezão
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O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), afirmou em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo que o PMDB deve se focar em ajudar a presidente Dilma Rousseff, e não em salvar o mandato do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, suspeito de desvio de recursos públicos.

 

“O que a gente está ajudando é na governabilidade da presidente Dilma. Não em salvar o mandato do Eduardo. Ele é totalmente responsável pelas ações e atos dele”, disse o peemedebista à publicação.

 

O Ministério Público afirma que há indícios de corrupção e lavagem de dinheiro: em 12 anos, o patrimônio declarado de Cunha cresceu 214%, de acordo com os procuradores. Segundo a declaração de bens entregue à Justiça Eleitoral em 2014, o presidente da Câmara tem R$ 1,6 milhão em bens, mas as contas no exterior não foram declaradas.

 

Oito carros de luxo

O relatório aponta Cunha e sua mulher como proprietários de oito carros de luxo, entre eles dois veículos da marca Posrche, BMW e Land Rover. Os automóveis estão registrados nas empresas atribuídas a Cunha e Claudia Cruz, a C3 Produções e Jesus.com.

 

A Procuradoria-Geral da República também informou que Cunha tem conta no Banco Merril Lynch, nos Estados Unidos, há mais de 20 anos. Conforme o banco, o presidente da Câmara “é um cliente de perfil agressivo e com interesse em crescimento patrimonial”.

 

“Sua fortuna seria oriunda de aplicações no mercado financeiro local e do investimento no mercado imobiliário carioca. Há também referências à sua antiga função de presidente da Telerj. Seu patrimônio estimado, à época da abertura da conta, era de aproximadamente US$ 16 milhões”, destacou a Procuradoria-Geral da República.

 

Com a abertura de inquérito, Eduardo Cunha passou a ser alvo de dois processos no Supremo, originados a partir das investigações da Operação Lava Jato. Em agosto, Janot denunciou o presidente da Câmara dos Deputados pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

 

Na denúncia apresentada ao Supremo, Janot afirmou que Eduardo Cunha recebeu U$S 5 milhões por meio de empresas sediadas no exterior e de fachada em um contrato de navios-sonda da Petrobras.

 

Desde o início das investigações, Cunha refirma que não recebeu propina e que não tem contas no exterior. Na quinta-feira (15), os advogados do deputado pediram ao STF que a investigação seja colocada em sigilo por envolver seus familiares.

 

Em março, durante em depoimento voluntário à CPI da Petrobras, Cunha garantiu que não tinha contas no exterior. Em nota divulgada nesta semana, o parlamentar voltou a negar tudo.

 

“Jogar o nome das pessoas e depois não provar é triste. Mas, se realmente se comprovar que ele cometeu todos estes delitos, fica muito difícil a situação do Eduardo (Cunha). Ele não declarou ao Imposto de Renda e aparece com conta no exterior. É um erro. Tem que ver se é verdade”, disse Pezão ao jornal.