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Deputados condenados no mensalão estudam renúncia

 A iminência da prisão dos deputados federais Valdemar Costa Neto (PR-SP) e Pedro Henry (PP-MT), condenados no processo do mensalão, tem reforçado os rumores de renúncia dos dois congressistas e já motiva até mesmo uma expectativa sobre quem herdará a estrutura utilizada por eles na Câmara.

Antigos líderes de suas legendas antes do escândalo, em 2005, os dois passaram a atuar nos bastidores e, segundo aliados, manifestam resistência em enfrentar um processo de cassação que, após decisão recente do Congresso, culminará em votação aberta no plenário da Casa.

Interlocutores dos congressistas apontam que Valdemar e Henry acreditam que a saída da cena política é a melhor solução para evitar constrangimentos.

Se for aprovado um novo pedido de perda de mandato, seria o terceiro de Henry na Câmara. Ele enfrentou um pelo mensalão e outro por suspeita de ligação com a máfia dos sanguessugas –venda de ambulâncias e equipamentos médicos superfaturados–, tendo escapado da cassação até agora. A aliados, ele disse que não pretende passar por essa situação novamente, até como forma de preservar afamília.

No mensalão, Valdemar foi o primeiro a renunciar, em agosto de 2005. Agora, sua saída é dada como certa, mas negada por sua assessoria.

A espera da retirada do colega, integrantes do PR estão discutindo quem vai ocupar as salas que são utilizadas por Valdemar em uma das torres do Congresso. O ambiente é amplo, com secretárias e áreas reservadas.

Após o escândalo do mensalão, Henry, Valdemar e os petistas João Paulo Cunha (SP) e José Genoino (SP), também condenados, adotaram procedimentos semelhantes no Congresso. De protagonistas em suas legendas, passaram a atuar nas sombras.

Henry é membro da comissão de Seguridade, mas não discursa no plenário da Câmara desde 2009. Valdemar não usa a tribuna desde 2010.

João Paulo Cunha era presidente da Câmara e um dos nomes fortes do PT para disputar o governo de São Paulo em 2006. Hoje em dia ainda atua com mais desenvoltura pelos corredores e na Comissão de Constituição e Justiça, a principal da Casa.

Em 2011, o petista chegou a lançar uma estratégia para se reabilitar e presidiu a CCJ. Em sua gestão, houve a tentativa de votar um projeto que anistiava os deputados cassados pela Câmara durante o mensalão. João Paulo disse que a proposta foi incluída na pauta por engano e que não sabia de sua existência.

Preso desde o dia 15, o deputado licenciado José Genoino (PT-SP) reassumiu uma vaga na Câmara em janeiro, após ser condenado pelo STF. Quadro histórico do PT, Genoino ficou à frente de algumas dasnegociações de votações na CCJ, atuava no plenário em defesa do governo, mas evitava falar do processo.

Folha Online