João Pessoa 23/03/2019

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Diego Maurício: o Drogbinha que teve como espelho Adriano e hoje faz carreira na Ásia

Diego Maurício iniciou a carreira na Gávea em um período vitorioso do clube. Apelidado de Drogbinha pela torcida, chegou a dividir vestiário com Adriano, seu exemplo como atacante, Dejan Petkovic, Ronaldinho Gaúcho, Vágner Love… Do calor da torcida rubro-negra, o Drogbinha foi para o frio russo, onde não durou muito. Há algumas temporadas, tenta deixar sua marca no futebol asiático, sem fechar as portas para o Brasil.

Em conversa com a reportagem de oGol, Diego Maurício mostrou gratidão ao Flamengo. Lembrou de chegar na Gávea ainda aos nove anos e, em mais de uma década de clube, conviveu com ídolos que deixaram marcas vestindo a camisa flamenguista. Um deles foi Adriano, que foi o exemplo de atacante que inspirou o menino Diego.

“Comecei no momento que o Adriano estava deixando o clube. Mas treinei com ele e vi jogando. Era um jogador diferenciado. Tentava tirar o máximo proveito do que via dele para me ajudar dentro de campo. Foi um jogador que fez história no futebol”, confessa.

Pegando parte do grupo campeão brasileiro em 2009, Diego Maurício lembra dos conselhos, e das broncas, de Petkovic. Ressaltando a qualidade do sérvio, destacou a importância que o gringo teve para seu desenvolvimento no futebol.

“Jogador excepcional, bastante experiente, me ajudou de todas as formas para que eu melhorasse os fundamentos nos treinamentos para fazer bem nos jogos. Me dava muitos conselhos, me ajudava bastante. Além da qualidade maravilhosa que ele tinha na bola parada, técnica dentro de campo nos passes, era super bem instruído para nos ajudar e tirar o melhor dos jovens”.

Foi pouco depois da aposentadoria de Pet, em 2011, que Diego Maurício teve mais espaço no time. Com Ronaldinho Gaúcho, Thiago Neves e companhia, ajudou no título do Carioca de 2011, terminando o ano com 36 jogos e três gols.

“2011 foi um ano maravilhoso para mim. O Flamengo montou um grande time. Infelizmente, não conseguimos ser campeões brasileiros, apesar de liderar por muitas rodadas. Mas conseguimos colocar o time na Libertadores. Fomos campeões carioca ganhando Taça Guanabara e Taça Rio. Creio que fizemos um ótimo ano. A chegada do Ronaldinho foi muito importante para a gente. Era um jogador que só via no vídeogame. Além de ser meu ídolo, virou meu amigo. Foi um sonho realizado”, relembra.

Além do título e das partidas com os ídolos, Diego Maurício leva da passagem na Gávea o apelido de Drogbinha, em referência ao atacante marfinense Didier Drogba. “O cabelo era igual naquela época. Estilo de jogo parecido… Fiquei muito honrado. Um cara que marcou história no futebol. Só que ele é o Drogba, eu sou o Diego”, ressalta.

O frio russo e a experiência asiática

Diego Maurício deixou o Flamengo em 2012 para defender o Spartak Vladikavkaz no Campeonato Russo. Foram 12 jogos sem fazer gol na liga local. O brasileiro relembra que a decisão, na época, representou uma mudança drástica na vida.

“Foi uma mudança drástica. Acostumado com o Rio de Janeiro… Primeira vez que fui morar fora do país. Foi um pouco difícil a mudança, clima, cultura, distância dos amigos… Mas foi um aprendizado importante para a minha vida. Outra cultura de futebol… Foi bem proveitoso o tempo que estive na Rússia”.

Mas logo Diego estava de volta ao Brasil, ao calor. Com uma ida para Portugal no meio do caminho, defendeu Sport e Bragantino, até que começou a se aventurar no mercado asiático. As primeiras passagens foram na Arábia Saudita e na China.

“São países totalmente diferentes do Brasil, cultura… Tive um aprendizado muito grande, futebol diferente. Os jogadores que estiveram comigo me acolheram bem, me fizeram me sentir bem, em casa. Isso é muito importante para que a gente possa se adaptar fora do país”, destaca.

Depois de atuar no Al-Qadisiya, da Arábia Saudita, e no Shijiazhuang Ever Bright, da China, Diego Maurício escolheu a Coreia. Vai terminando sua segunda temporada pelo Gangwon. Até o momento, fez 20 gols em 68 partidas, com dez assistências.

“São números proveitosos. Faltam três jogos para terminar a temporada. Tenho uma vida maravilhosa aqui, um país que me apoiou. As pessoas aqui te ajudam para que você possa ter uma vida agradável no país. Pessoalmente e profissionalmente, as coisas estão caminhando super bem”.

O Gangwon vai terminando a temporada coreana e não corre mais riscos de rebaixamento. Diego Maurício garante estar feliz na Coreia, mas não fecha as portas caso surja alguma boa oportunidade de retornar ao Brasil.

“Estou feliz na Coreia, estou criando uma carreira estável aqui. Os torcedores e jogadores gostam de mim. Mas não descarto uma volta ao Brasil, a gente sabe que futebol muda muito rápido e nosso futebol brasileiro é o melhor do mundo. Penso seguir na Coreia, mas não posso fechar portas”.

O Gol