DILMA DÁ POSSE A BERZOINI ACENANDO PARA LULA

Dilma da posse a Berzoinni

Interpretação no PT da chegada de deputado federal à chefia de Relações Institucionais é a de que presidente Dilma Rousseff fez gesto estudado para agradar ex-presidente Lula; intenção é a de dar a Ricardo Berzoini o papel de interlocutor do dia a dia entre ambos; missão inclui apagar incêndios frequentes no Congresso; “Há uma dependência entre os poderes que necessita um processo de negociação”, disse Dilma durante a posse do novo ministro, na manhã desta terça-feira 1, no Palácio do Planalto; presidente citou Lula, de quem Berzoini foi ministro da Previdência e do Trabalho, por três vezes durante discurso, sublinhando que sua gestão é de continuidade à do antecessor; fica, Lula

Um gesto na direção do ex-presidente Lula, para tornar mais ampla e ágil a comunicação entre a presidente Dilma Rousseff e o antecessor. Essa é a primeira interpretação no PT para a chegada da deputado federal Ricardo Berzoini à chefia da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência. Ele tomou posse na manhã desta terça-feira 1, em cerimônia comandada por Dilma no Palácio do Planalto. Berzoini foi ministro da Previdência Social, primeiro, e do Trabalho, em seguida, durante a gestão de Lula.

– Ele é um militante das boas causas da democracia e entende como poucos a importância da democracia, afirmou Dilma a respeito do novo ministro.

No PT, a sensação é a de que a presidente está abrindo um gabinete ministerial para o partido ser mais ouvido. Com origem sindical no Sindicato dos Bancários de São Paulo, do qual foi presidente, Berzoini tem trânsito entre todas as correntes do partido. Ele terá a missão de evitar que eventuais perdas de pontos da presidente em pesquisas de opinião façam crescer o chamado movimento ‘volta, Lula’ dentro da legenda.

Atuar próximo ao Congresso, especialmente com atenção ao PMDB, para evitar o aparecimento de novos incêndios políticos, é outra papel que já está dedicado pela presidente a Berzoini. O novo ministro se reuniu antes de tomar posse com o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha, para tomar o pulso da agremiação.

– Há uma dependência rigorosa entre o Legislativo, Executivo e Judiciário, que necessita um processo de negociação para aprovar as leis importantes para o país, afirmou Dilma, apontando para o trabalho a ser cumprido por Berzoini.

A cerimônia foi mais prestigiada por políticos do que a posse de outros ministros. Compareceram os presidentes da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL), o presidente do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), e líderes do PT, PCdoB, PDT, Pros, PP, PTB e PSD na Câmara.

Abaixo, notícia da Agência Brasil a respeito:

Luana Lourenço e Paulo Victor Chagas

Ao dar posse hoje (1º) aos novos ministros da Secretaria de Relações Institucionais, Ricardo Berzoini, e da Secretaria de Direitos Humanos, Ideli Salvatti, a presidenta Dilma Rousseff disse que “motivações meramente eleitorais” não podem impedir o andamento de projetos importantes no Congresso. Berzoini substitui Ideli, que assume o comando da pasta de direitos humanos no lugar da ex-ministra Maria do Rosário, que deixa o governo para disputar as eleições de outubro.

“Com Berzoini à frente da Secretaria de Relações Institucionais, continuaremos atuando em profícua parceria com o Congresso. Tenho certeza de que nossos aliados saberão agir para impedir que motivações meramente eleitorais acabem por atropelar a clareza e esconder a verdade na busca de respostas e soluções para os grandes problemas nacionais”, disse a presidenta.

Ideli deixa a pasta, responsável pela articulação política entre o Palácio do Planalto e o Congresso, em meio à crise com o PMDB (partido mais importante da base de apoio ao governo) e à ameaça de criação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar a Petrobras.

 

Cerimônia de posse dos novos ministros da Secretaria de Relações Institucionais, Ricardo Berzoini, e da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República Ideli SalvattiAntonio Cruz/Agência Brasil

Segundo Dilma, Berzoini “entende como poucos” a importância da negociação com o Parlamento e saberá atuar na articulação política neste momento. “Egresso das lutas e das negociações sindicais, com larga experiência parlamentar e ministerial, Berzoini compreende perfeitamente as características do nosso presidencialismo, marcada pela coalizão entre correntes distintas, mas que sabem se unir quando o interesse maior do nosso povo está em questão”, avaliou.

“Tenho certeza sobretudo de que, aquilo que o nosso povo quer, o governo e o Congresso unidos saberão fazer. O povo quer ter seus direitos atendidos e mais oportunidades oferecidas por serviços públicos de qualidade. Esse é o compromisso básico de nosso governo e, tenho certeza, do nosso Congresso Nacional [também]”, acrescentou Dilma.

Apesar da recente crise com o PMDB, a presidenta fez questão de listar uma série de projetos de interesse do governo aprovados pelo governo na gestão de Ideli, como a Lei de Acesso à Informação, a criação da Comissão Nacional da Verdade, a destinação dos royalties do petróleo para educação e o Marco Civil da Internet.

Dilma agradeceu à ex-ministra Maria do Rosário pela condução de “temas sensíveis e decisivos para a construção de uma sociedade mais igual e democrática” durante os 39 meses em que esteve no governo e desejou sorte nas urnas.

À nova ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Dilma pediu continuidade em programas como o de prevenção e combate à exploração sexual de crianças e adolescentes e o Viver sem Limites, de apoio a pessoas com deficiência. Ideli terá como desafio, segundo Dilma, a implantação do sistema nacional de combate a tortura, a repressão ao trabalho escravo e a garantia de direitos humanos à população em situação de rua.

“Espero que o diálogo com todos os movimentos da área de direitos humanos persista intensa e proveitosamente, porque é ouvindo demandas e debatendo as ações e políticas que continuaremos fortalecendo nossa capacidade de garantir a todos os brasileiros e brasileiras, sem exceção, seus direitos básicos de cidadania”, pediu a presidenta.

 

Brasil 247