Dólar chega a R$ 4,11 com aversão global ao risco.

dólar externoSÃO PAULO – SÃO PAULO – O enfraquecimento dos preços do petróleo aumentou a aversão ao risco nesta quarta-feira nos mercados financeiros. Com isso o dólar comercial ganha força e os principais índices acionários operam em queda. A moeda americana era negociada, às 14h55, a R$ 4,109 na compra e a R$ 4,111 na venda, alta de 1,38% ante o real. Na máxima, a moeda atingiu R$ 4,118, maior valor desde o final de setembro. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) iniciou o pregão em queda de 2,58%, aos 37.073 pontos.

O barril de petróleo cai com força, refletindo as dúvidas sobre o crescimento da economia mundial. O barril do tipo Brentrecua 4,10%, a US$ 27,58. O preço do leve americano, o WTI, chegou a ser cotado, abaixo de US$ 28, no menor nível em 12 anos. A desaceleração da economia mundial, e principalmente da China, e o excesso de oferta do óleo contribuem para essa tendência de queda nos preços, que afeta fortemente as ações das empresa produtoras de petróleo e também as moedas de países exportadores. Além disso, já se considera um arrefecimento do crescimento dos Estados Unidos

— O petróleo não conseguiu manter a recuperação dos preços dos últimos dias. Já se fala em uma nova crise no petróleo. Internamente a Bolsa brasileira perde valor e a área fiscal está fragilizada, então o investidor redobra a cautela. É um movimento global de aversão ao risco e atinge mais os países que estão fragilizados — avaliou Cleber Alessie, operador de câmbio da corretora H.Commcor.

Nesse cenário conturbado, o dólar ganha força ante as moedas de países emergentes. Internamente, a condução da política monetária também deve acrescentar volatilidade aos negócios. O “dollar index”, calculado pela Bloomberg e que leva em conta o comportamento do dólar frente a uma cesta de dez moedas, sobe 0,11%.

Internamente, o Comitê de Política Monetária (Copom) vai definir a taxa Selic, atualmente em 14,25%. A aposta majoritária era de uma elevação de 0,5 ponto percentual, mas desde a declaração de Tombini aumentou a probabilidade de uma elevação menor. No mercado de juros, os contratos com vencimento no curto prazo têm um leve recuo e, os mais longos, sobem.

Segundo dados da BM&F Bovespa, os contratos com vencimento em janeiro de 2017 caem a 15,315%, ante os 15,35% da abertura. Já os de janeiro de 2012 sobem de 16,71% para 16,89%.

PETROBRAS DESPENCA

Na avaliação de Alexandre Wolwacz, diretor da Escola de Investimentos Leandro & Stormer, essa volatilidade nos preços dos ativos brasileiros irá persistir no curto prazo.

— Esperamos uma forte volatilidade nos próximos dias. Há uma instabilidade política e econômica grande no exterior. O cenário interno, nesse movimento, tem pouca relevância para esse movimento. A pressão vendedora está forte na Europa e isso se reflete no Brasil — disse.

Com o preço do petróleo atingindo as mínimas em 12 anos, as ações da Petrobras sofrem forte desvalorização. Os papéis preferenciais (PNs, sem direito a voto) da estatal caem 7,93%, cotados a R$ 4,29. Já os ordinários (ONs, com direito a voto) recuam 6,50%, a R$ 5,75.

Todas as ações mais negociadas da Bolsa e que têm peso relevante na composição do Ibovespa estão em queda, embora em um ritmo um pouco menor do que na primeira hora de pregão. As preferenciais da Vale caem 3,83% e as ordinárias registram desvalorização de 0,43%. No caso dos bancos, os recuos são de 2,53% no Itaú Unibanco e de 1,39% no Bradesco.

No exterior, os principais índices de ações operam em queda e as bolsas asiáticas também fecharam em baixa. O DAX, de Frankfurt, recuou 2,82%, e o CAC 40, da Bolsa de Paris, cai 3,45%. O FTSE 100, de Londres, tem desvalorização de 3,46%. Nos Estados Unidos, O Dow Jones caía 3,31%, S&P 500 recuava 3,62% e o Nasdaq, 3,51%.

O Globo