Dólar sobe mais de 1% e é negociado a R$ 3,501 com ação do BC chinês

dólar dois sobeSÃO PAULO – A decisão do Banco Popular da China em intervir no mercado de câmbio repercutiu nos mercados financeiros no mundo todo. No Brasil, a desvalorização do yuan faz com o dólar comercial retomar a trajetória de alta ante o real. Às 16h50, a moeda americana era negociada a R$ 3,499 na compra e a R$ 3,501 na venda, alta de 1,68%. Outras moedas de países emergentes também foram afetadas. Já na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), o índice de referência Ibovespa recua 1%, aos 48.859 pontos.
— O yuan se desvalorizou e levou junto doas as moedas dos países emergentes. O dólar está tendo uma alta forte em diversos países emergentes — explicou Luis Fernando Moreira, operador da Dascam Corretora de Câmbio.

O Banco do Povo da China (o bc chinês) decidiu desvalorizar o yuan ante o dólar em 1,9% nesta terça-feira. O objetivo é estimular as exportações do país asiático. Essa intervenção levou a uma desvalorização das moedas de países exportadores. O dólar australiano perde 1,62% ante o dólar americano e o de Cingapura, 1,60%. Variação também acima de 1% é registrada nos negócios com o rand sul-africano e com o peso mexicano.

Além desse ajuste nas moedas, há o temor de que novas rodadas de desvalorização possa ser feitas. Além disso, aumenta a sensação de que o governo chinês está trabalhando com uma desaceleração acima do divulgado até agora, e por isso tomou essa decisão. Esse possível enfraquecimento maior da economia chinesa, segundo Pablo Spyer, diretor da Mirae Asset, derruba o preço das matérias primas, o que tem impacto nos mercados dos países emergentes e exportadores, como o Brasil.

Para Pablo Spyer, diretor da Mirae Asset, há a sensação de que a ação da China, na verdade, pode indicar uma desaceleração ainda maior da segundo maior economia do mundo.

— Fica a impressão que decisão da China seja porque eles, internamente, estejam vendo uma desaceleração bem mais forte do que está sendo noticiado pro mundo . Por isso a Vale e as siderúrgicas acabam caindo mais — diz.

Alexandre França gestor da Arbitral Gestão de Recursos, lembra que apesar da desvalorização ter sido de apenas 1,9%, há o temor que o governo chinês volte a enfraquecer a sua moeda, pressionando assim moedas de todo o mundo. No comunicado do Banco Popular da China, há a ressalva de que o movimento feito nesta terça-feira é único, mas há uma grande desconfiança em relação às intervenções que estão sendo feitas no mercado financeiro chinês.

— Essa desvalorização da moeda na china é um movimento ruim para o mercado. Acabou fomentando uma preocupação global, o que afetou o preço das commodities, o que também explica a queda da Bolsa — avaliou França.

Outra consequência da ação do BC chinês é que agora um maior número de analistas e economistas passou a descartar o aumento da taxa de juros do Federal Reserve (Fed, o bc americano) para setembro, embora ainda seja uma possibilidade.

O ambiente político segue sendo outro fator de atenção. “Internamente o real deverá retomar a trajetória de desvalorização, acompanhando o movimento externo em decorrência da ação do BC chinês, em meio às articulações do Planalto para recomposição da base aliada”, afirmou, Ricardo Gomes da Silva, analista da Correparti Corretora de Câmbio, lembrando que o cenário político interno continua a ser um fator de preocupação.

Mas apesar de ganhar força ante a moedas de países emergentes, o “dollar index”, indicador medido pela Bloomberg e que verifica o comportamento da divisa ante uma cesta de dez moedas, está com pequena variação positiva de 0,05%, o que mostra que, em relação às moedas consideradas fortes, o dólar ganha menos força.

PETROBRAS E VALE CAEM COM CHINA

A desvalorização repentina do yuan também faz estragos na Bolsa. As ações da Petrobras e da Vale operam com fortes quedas, deixando o Ibovespa em terreno negativo nesta terça-feira. Essa queda ocorre porque o preço das matérias primas no mercado global também caíram, a companhando a desvalorização das moedas de países emergentes.

Também com liquidez e participação relevante na composição da carteira do Ibovespa, o setor bancário também opera em queda. As ações preferenciais do Itaú Unibanco e do Bradesco caem, respectivamente, 0,42% e 0,43%. No caso do Banco do Brasil, a queda é de 0,23%.

No mercado acionário, as Bolsas europeias operam em queda. O DAX, de Frankfurt, recua 2,68% e o CAC 40, da Bolsa de Paris, tem queda de 1,86%. Já no FTSE 100, de Londres, a variação é negativa em 1,06. O recuo ocorre mesmo após o acordo da Grécia com os credores. O pregão é também de perdas nos Estados Unidos, com o Dow Jones recuando 1,15% e o S&P com variação negativa de 1,01%.

O Globo