É possível consertar o Brasil?

barbosa umPor Marcos Cavalcanti

A presidente Dilma Rousseff afinal tomou uma atitude de primeira mandatária do País: alheou-se sobre a prisão dos mensaleiros, ignorou o que se passava, nada, absolutamente nada disse, e preferiu usar o Twitter para se comunicar na rede social sobre um autor gaúcho, Simões Neto, sobre quem tem a melhor das impressões. Comentou sobre um documentário na rede fechada de TV sobre o escritor.

Fez mais: explicou, o que é do conhecimento geral, que a palavra república é oriunda do latim “res”, que significa “coisa”, e o complemento pública. Ou seja: coisa publica que, como presidente, ela tem a missão de zelar.

Assim posto, ela se distanciou do primeiro grupo de mensaleiros presos, dentre os quais José Dirceu e Genoíno, e não disse palavra sobre o ocorrido a partir da sexta feira última. De certo modo ela guardou silêncio durante todo o julgamento. Só Lula falava.

Como presidente, distanciou-se, de igual modo, do que ocorria na sede da Polícia Federal, onde os condenados foram chegando, alguns, como os dois citados acima, com gestos de que se sentiam vitoriosos, estendendo o braço, gritando “viva o PT,” enfim, achando-se heróis e vítimas “das elites”, como se não fossem elites, na medida em que José Dirceu é um homem que se transformou num novo rico e Genoíno várias vezes deputado federal e presidente do PT, que não pode recusar-se a ser, porque é, um integrante das elites.

Depois, o parlamentar, que enrolou uma bandeira no pescoço ao entrar na PF com o braço estendido para cima, punho cerrado e gritando “viva o PT”, conversou com os seus advogados, para que postulassem prisão domiciliar por ter pressão alta e outros problemas de saúde. Convém ser observado. Um outro fugiu para a Itália e os demais que poderiam ser presos não causaram problemas, sequer reclamaram das algemas que usaram no avião da Polícia Federal e da recomendação para que não conversassem entre si. Dirceu reclamou que a sua geração foi perseguida.

Ele, de fato, foi, porque lutou contra a ditadura fascista (no final dos anos 60, início de 70), mas a geração, não: foi impedida, é certo, de gozar das liberdades individuais, sofreu censura, perdeu o direito a habeas corpus e o resto é o que se sabe, consequência do perverso regime militar

Os presos do fim de semana que se submeteram a um processo condenatório longo, que praticamente paralisou o Supremo Tribunal Federal, sabiam, e deveriam estar preparado para as consequências, resultado da corrupção que se envolveram e que manchou definitivamente os princípios, já gastos, do PT, atingindo de igual forma o então presidente Lula, que escapou pela tangente repetindo que não sabia de nada.

O processo condenatório serviu – não se sabe até que ponto – como um aviso, que talvez não sirva de nada, para os que se valem da “res” pública para auferir vantagens como tem ocorrido praticamente todos os dias, numa sequência que leva à conclusão que estamos numa República torta na qual os poderes – os três – são os responsáveis pela corrupção, fato que não é de agora, mas de muitos e muitos anos.

Há os que ficarão em prisão fechada e os que cumprirão pena no sistema semiaberto, ou seja, têm que se recolher à noite e têm a liberdade de trabalhar durante o dia.

Surge, neste ponto, uma outra questão: deputados podem manter o mandato e continuar presos? Bom, pela Câmara pode, como foi o caso de Natan Donadan, que cumpre sentença de 13 anos no presídio da Papuda.

O escândalo em torno de tal situação foi de tal ordem que o Senado se apressou em estabelecer voto aberto para a perda do mandato, mas falta ser aprovado pela Câmara dos Deputados. Provavelmente será. Já foi aprovado em comissões e, se não me engano, falta levar o projeto ao plenário. Aprovado, os deputados mensaleiros perderão os seus mandatos, provavelmente mesmo aqueles que cumprirão a pena no sistema semiaberto. Se isso vier, como se supõe, acontecer, naturalmente no próximo ano os condenados não poderão ser candidatos, e alguns deles também nas eleições de 2018.

Assim, o que se observa no País é que há um fato novo, de punições que avançam com os processos de investigação da Policia Federal e do Ministério Público. Para quem não tinha nada, a não ser a vergonha do processo, é um avanço que muitos não acreditavam que viesse a acontecer em Pindorama.

É possível sim mudar o Brasil, contudo, isto, s[o acontecerá, quando de fato, ele for, uma “res”pública.