João Pessoa 19/09/2018 01:34Hs

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Ações da Petrobras fecham em queda pelo sexto dia consecutivo e renovam mínimas de 2004

Papéis da companhia tiveram as negociações suspensas temporariamente no pregão para reduzir volatilidade; Ibovespa caiu

petrobras   desvalorizaçãoSÃO PAULO – Pelo sexto dia consecutivo, as ações da Petrobras encerraram em forte queda e arrastaram o Índice Bovespa, principal indicador do mercado acionário brasileiro. Os papéis preferenciais (PN, sem direito a voto) da petrolífera encerraram com perda de 9,19% a R$ 9,18, enquanto as ações ordinárias (ON, com direito a voto) recuaram 9,93% cotadas a R$ 8,55. O Ibovespa encerrou com queda de 2,05% aos 47.018 pontos e volume negociado de R$ 10,9 bilhões, inflado pelo vencimento de opções sobre ações, que movimentou R$ 3,5 bilhões. É o menor patamar desde 19 de março passado, quando o índice fechou aos 46.567 pontos. A negociação com os papéis da Petrobras tanto na Bolsa de Valores de São Paulo foi suspensa, próximo das 15 horas, para tentar minimizar as perdas. A falta de um balanço auditado da companhia, a resistência do governo em trocar o comando da empresa e mais uma queda do preço do barril de petróleo no mercado internacional deixaram os investidores nervosos.

No mercado de câmbio, o dólar fechou em alta de 1,28%, pelo quarto dia consecutivo, cotado a R$ 2,685. É o maior patamar da moeda americana desde o dia 29 de março de 2005, quando fechou negociado a R$ 2,697.

As ações PN da Petrobras fecharam na menor cotação desde o dia 20 de julho de 2005, quando encerraram a R$ 9,16. Já as ações ON terminaram o pregão no menor nível desde 15 de setembro de 2004, quando fecharam a R$ 8,47. Os papéis ordinários tiveram a segunda maior desvalorização do Ibovespa, enquanto as preferenciais foram a terceira maior peda do índice.

Nesta segunda, o Credit Suisse reduziu o preço justo para as ações da estatal, de US$ 14 por ADR para US$ 7,30. O banco manteve a recomendação neutra para a ação. Os analistas do banco suíço citaram as dificuldades em avaliar a empresa, com o adiamento da divulgação dos dados do balanço e a queda do petróleo para justificar a redução.

Na Bovespa, os papéis ordinários da Petrobras entraram em leilão às 14h50m, quando atingiram queda de 9,62%, negociados a R$ 8,55. Já as ações preferenciais entraram em leilão logo em seguida, quando caíam 9,10% a R$ 9,19. Na Bolsa de Nova York, os American Depositary Receipts (ADRs), tiveram desvalorização de mais de 11% cotados a US$ 6,28.

Segundo o manual de procedimentos operacionais da Bovespa, ações de uma empresa entram em leilão sempre que há uma oscilação de mais de 10% sobre o preço de abertura do pregão. Foi o que aconteceu com os papéis da Petrobras nesta segunda. De acordo com a BM&F, o leilão é um procedimento comum de controle de risco e não é a primeira vez que os papéis da Petrobras têm a negociação suspensa temporariamente. Isso aconteceu, em 27 de setembro de 2010, por exemplo, após a capitalização da empresa. A BM&F informou que o leilão durou cerca de 5 minutos e teve prorrogação, já que o prazo máximo previsto no manual de procedimentos é de 15 minutos.

— O leilão acontece automaticamente quando há uma oscilação muito brusca num dos papéis negociados. É uma medida para estancar a volatilidade – explica Maurício Pedrosa, da Queluz Asset Management.

As ações da Petrobras estão renovando as mínimas dos últimos anos nos últimos pregões. Na última sexta-feira, os papéis ordinários já haviam atingindo a menor cotação desde janeiro de 2005: fecharam em queda de 5,77%, a R$ 9,46. Mas as PNs haviam se sustentado acima dos R$ 10, apesar da queda de 6,56%: as ações fecharam a R$ 10,11, a mais baixa desde 2004.

Pedrosa explica que além dos problemas internos da empresa, como as denúncias de corrupção, falta de números auditados e a resistência do governo em trocar o comando da companhia, a conjuntura externa também pesou sobre as ações da Petrobras. O preço do barril do tipo WTI recuou mais 2,32% nos EUA, e foi negociado a US$ 56,47.

— O preço do barril continuou recuando no mercado internacional. Ou seja, além das notícias ruins da empresa, há um mal-estar no mercado internacional do petróleo — diz Pedrosa.

O secretário-geral da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), Abdalla Salem el-Badri, reiterou nesta segunda-feira que o cartel não possui preço-alvo para o petróleo e que a decisão de manter a cota de produção em 30 milhões de barris por dia (bpd) foi tomada por todo o cartel e não tinha como objetivo prejudicar nenhum país.

Na avaliação de Ari Santos, gerente de renda variável da corretora H.Commcor, essa pressão vendedora está atrelada à maior aversão ao risco, que derruba o preço dos ativos brasileiros. Isso também pode ser visto pelo aumento da cotação do dólar.

— O mercado está batendo nos ativos brasileiros. É uma maior aversão risco, por isso o dólar também está pressionado. E o adiamento do balanço da Petrobras também não agradou – disse, acrescentando que, em sua opinião, essa é a primeira vez que um papel considerado de primeira linha, como o da estatal, está tão pressionado.

PETROBRAS CAI MAIS DE 8%

Segundo analistas da Yield Capital, os números preliminares divulgados pela Petrobras no terceiro trimestre mostraram geração positiva de caixa devido ao aumento da produção de petróleo, ao reajuste nos preços dos combustíveis e com a redução das importações. As estatal divulgou endividamento líquido de R$ 261,45 bilhões e fluxo de caixa positivo de R$ 4,25 bilhões. Para a equipe do BTG Pactual, os números não são conclusivos e fica difícil interpretá-los como positivos sem ter em mãos ao menos como foi a variação do capital de giro da companhia. Em nota a clientes, o banco avalia ser difícil a companhia divulgar os dados auditados em janeiro.

A companhia também conseguiu prorrogar as obrigações contratuais (covenants) de parte dos títulos emitidos no exterior, reduzindo o risco dos investidores pedirem o vencimento antecipados.

– A empresa precisará cortar investimentos e reduzir seu endividamento – afirma Pedrosa, da Queluz.

Já o setor bancário, que possui o maior peso no índice, também fechou com fortes perdas e ajudou a puxar o Ibovespa. As ações preferenciais do Itaú Unibanco registraram queda de 2,04% a R$ 33,16, enquanto as do Bradesco tiveram desvalorização de 2,37% a R$ 33,32. O Goldman Sachs publicou relatório citando que está entrando em 2015 mais cauteloso com bancos brasileiros, e reduziu a recomendação de Itaú para “neutra”.

INSTABILIDADE NESTA SEMANA

Para Elad Victor Revi, analista da Spinelli Corretora, a tendência é que a Bolsa fique pressionada e muito volátil durante toda a semana. Segundo ele, o vencimento dos contratos de opção sobre ações aumentou a volatilidade, já que os investidores fazem os ajustes de posições, apostando na alta ou na baixa dos papéis. Os papéis da Petrobras em geral são os mais negociados.

E além do vencimento de opções, das incertezas em relação à Petrobras e o baixo crescimento da economia brasileira, analistas e investidores esperam os próximos passos da política monetária nos Estados Unidos.

— Na quarta-feira ocorre a reunião do comitê de política monetária (Fomc, na sigla em inglês) do banco central americano. A expectativa é que o documento dê algum tipo de sinalização para a alta da taxa de juros — afirmou Revi.

Com juros mais altos, os Estados Unidos podem atrair parte dos recursos que estão alocados em outros países, em especial nos emergentes.

Nesta segunda-feira, os Estados Unidos divulgaram que a produção industrial apresentou alta de 1,3% em novembro ante outubro, indicando a recuperação da economia. A expectativa em relação à política monetária dos Estados Unidos afeta o mercado de câmbio. Para Revi, a cotação do dólar comercial deve terminar o ano perto de R$ 2,70.

Os analistas e investidores também veem como negativo o fato do IBC-Br, índice de atividade do Banco Central, ter apresentado queda em outubro ante setembro. O recuo, de 0,26%, é mais um sinal da fraqueza da atividade econômica no Brasil no ano. Em tese, o IBC-Br antecipa a tendência do PIB.

No exterior, as Bolsas europeias passaram a operar em queda após a divulgação dos dados da economia americana. Uma nova baixa no preço do petróleo também deixou os investidores desconfiados. O DAX, de Frankfurt, caiu 2,72%. O CAC 40, da Bolsa de Paris, recuou 2,57% e o FTSE 100, de Londres, teve desvalorização de 1,87%. Já nos Estados Unidos,as Bolsas americanas também estão em queda.