João Pessoa 14/12/2018

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Eleição de Bolsonaro e aumento na procura aquecem mercado de armas

Fábrica de 25 mil m² abre em janeiro Pedidos para uso aumentam a cada ano

Trecho de vídeo de apresentação da Taurus, maior fabricante de armas do BrasilReprodução/Forja Taurus/Facebook

A eleição de 1 presidente que tem como uma de suas bandeiras a flexibilizaçãodas regras para a posse de armas e o crescimento no número de concessões de porte de arma para brasileiros nos últimos anos animam o mercado.

No início do próximo ano, uma fábrica de 25 mil m², da Delfire Arms, será inaugurada em Anápolis, no interior do Goiás. A empresa fez uma parceria com a eslovena Rex, que forneceu tecnologia para produção de pistolas no Brasil. A nova fábrica deve resultar em cerca de 1.200 empregos diretos e indiretos na região.

Além dela, outras empresas estrangeiras como a Glock, sediada na Áustria, a tcheca CZ e a Caracal, dos Emirados Árabes Unidos, também já anunciaram que têm planos de se instalar no país.

Atualmente, duas fabricantes dominam o mercado no Brasil e juntas têm 10 unidades produtivas, 7 da estatal Imbel e 3 da Forjas Taurus.

Fábrica da Delfire Arms em AnápolisReprodução/Google Earth

Só em 2018, a maior fabricante de armamento do país, a Taurus, faturou R$ 623 milhões com a venda de produtos do tipo. Ela é a principal fornecedora de armas para as polícias e Forças Armadas.

A empresa consegue domínio do mercado brasileiro graças às legislações que permitem uma espécie de “reserva de mercado” às fabricantes nacionais de armamento e munições. Ela comprou a divisão de armas da Rossi em 2008 e foi incorporada pela Companhia Brasileira de Cartuchos em 2014. Isso ajudou o setor a centrar mais ainda. Bolsonaro já disse que quer mudar isso aí.

No entanto, o mercado brasileiro responde por menos de 20% do faturamento da Taurus. Ela mantém 3 plantas industriais no país. A maior parte das vendas é realizada nos Estados Unidos, onde mantém uma fábrica na Flórida e outra em construção, na Geórgia. O Brasil é o 2º maior importador de armas para os norte-americanos, só perde para Áustria.

Com a vitória de Bolsonaro e a expectativa de 1 crescimento na busca por armas de fogo com uma legislação menos restritiva, as ações da companhia gaúcha registraram uma valorização de 144% nos últimos 6 meses. No auge da campanha, os papéis registraram alta de 463%.

Em uma gravação publicada no Instagram da Delfire Arms durante as eleições, Bolsonaro disse que, caso fosse eleito, todos iriam “jogar fora” a autorização para ter armas.

Ele é contra o Estatuto do Desarmamento, que regula o tema. “Todo ‘cidadão de bem’ vai ter direito à posse de arma de fogo e registro será definitivo”, afirmou ele, que assumirá o Planalto em 2019.

CONCESSÕES DE PORTE CRESCERAM NOS ÚLTIMOS ANOS

As vendas de armas à população são reguladas no Brasil pelo Estatuto do Desarmamento, que restringiu a posse e o acesso a armas no país. Sancionado em 2005, após a realização de 1 referendo tinha o objetivo de contar o avanço de morte por armas de fogo.

Mas mesmo assim, os números da PF (Polícia Federal) mostram que o interesse da população pela posse e porte (direito de andar armado) aumentou nos últimos anos.

Mesmo com a restritiva legislação atual, as vendas e concessões para utilização de armas têm crescido de forma estável, em especial entre a população civil.

O valor para conseguir 1 armamento do tipo é considerado alto. Uma pistola semi-automática é vendida em média por R$ 5.000, e 1 revólver, por aproximadamente metade do valor. Os custos para registrar custam em torno de R$ 1.000 e R$ 2.000.

Segundo a PF, há 646.127 pessoas, entre elas pessoas físicas, agentes de segurança e de órgão públicos, com registro ativo para posse de arma no país.

O número de concessões de porte também aumentou nos últimos anos. Em 2002, a PF autorizou 927 pessoas a portarem armas, seja para uso pessoal, funcional ou temporário. Em 2005, houve 1 pequeno pico relacionado à própria realização do referendo, de pessoas que queriam a concessão antes da eventual mudança das regras.

Os valores foram baixos nos primeiros anos, mas dispararam a partir de 2008, quando foram liberados 7.011 concessões. Em 2017, foram 5.748.

Outro número que mostra 1 aumento do interesse da população foi o aumento dos registro de CACs, sigla usada para denominar caçadores, atiradores e colecionadores autorizados pelo Exército.

Em 2017, foram 57.886, salto de 65% em relação a 2012, quando havia sido autorizados 27.549 registros. Essa modalidade de registro virou uma alternativa ao controle da PF, por ser menos burocrático e uma forma de se armar em meio à escalada da violência.

Por outro lado, junto ao interesse pelo porte e posse de armas, também cresceu o número de homicídios relacionados. De 2006 a 2016, o número de homicídios por armas de fogo saltou 27,4%. Em 2016, foram registradas 44.475 mil mortes por armamentos no país.

Poder360