Enquanto prefeitos cobram até meio milhão para apoiar um deputado na PB, socialista revela valor do ‘investimento’ para empacar vaga federal

geovar camposDepois do deputado estadual Vitoriano de Abreu (PSC) revelar que o apoio de um prefeito no interior do Estado para as eleições estaduais chegava a cifra de quase meio milhão de reais e que o de um vereador variava de R$ 10 mil a R$ 30 mil, agora foi a vez do ex-deputado Jeová Campos (PSB) abrir o jogo sobre quanto custa para emplacar um mandato de deputado federal.

E pasmem! As cifras do ‘investimento’ chegam à pequena fortuna de R$ 7 milhões. Ainda conforme o ex-petista, esse ‘investimento’ volta depois da eleição na forma de emendas.

“Todos sabem que funciona assim. O salário de deputado federal não é o maior atrativo. São as emendas. E tem as construtoras que acertam tudo. Todos fazem assim” disse, taxativamente, para depois fazer uma ressalva – Só quem não faz é Luiz Couto (PT). Jeová afirmou que a Justiça Eleitoral não tem estrutura para fiscalizar as campanhas e, por este motivo, as irregularidades permanecem vigorando. “Há muitos magistrados de alto gabarito no estado e no país. Eles só não trabalham mais porque não têm estrutura. Respeito muito os magistrados que são escravos da lei, mas não acho que Joaquim Barbosa seja um deles”, cutucou.

A entreivsta de Jeová Campos foi veiculada na Rádio Arapuan FM.

LEILÃO: deputado revela quanto políticos cobram por apoio

LEILÃO: deputado revela tabela de preço de prefeitos e vereadores no interior do estado para formalizar apoio; cifras beiram meiomilhão de reais

Mesmo afirmando não fazer uso de tais práticas, o deputado estadual Vitoriano de Abreu, do PSC, fez uma revelação estarrecedora, na manhã desta quarta-feira (23), ao afirmar que tomou conhecimento de que prefeitos e vereadores estão cobrando quase meio milhão de reais para formalizar apoio aos candidatos à ALPB para as eleições estaduais do ano que vem.

Segundo o relato do parlamentar, a prática é corriqueira nas pequenas cidades do interior do Estado, onde políticos desconhecidos têm conquistado apoios políticos de prefeitos e vereadores em troca de gordos favorecimentos financeiros. Para Vitoriano, o apoio imediato a esses políticos desconhecidos não é fruto de milagre ou de promessas futuras, mas sim de negociações financeiras.

 

“Eu fui a três cidades essa semana que estão fechadas no apoio a pré-candidatos a deputados que eu nunca ouvi falar na minha vida e isso, qualquer pessoa, pela lógica, deduz que aconteceu negociação, mas não uma negociação em troca de conquistas futuras ou de trabalho, eu não acredito nessa tese, até porque ninguém se apega de uma hora para outra a pessoas desconhecidas por milagre, eu não acredito nisso”, falou.

O parlamentar disse ainda que se forem investigados, esses valores chegam a cifras absurdas e que impressionam. Quando indagado pela reportagem do PB Agora quais eram esses números, Vitoriano não titubeou e afirmou que recebeu do deputado Márcio Roberto (PMDB) a informação de que essas cifras giravam em torno de R$ 20 a R$ 30 mil junto a vereadores e na casa dos R$ 300 a R$ 400 mil quando a negociação era com os prefeitos.

“O deputado Marcio Roberto me disse há poucos dias que por onde ele passou ninguém fecha com um prefeito se não for na casa dos R$ 300 a R$ 400 mil para começar a trabalhar numa cidade de 1500 votos, essas foram as palavras dele, no entanto, eu não sei se foi alguém que viu e disse para ele, só sei que essa negociação existe e ninguém pode negar ou desconhecer”, detonou.

Já no que diz respeito aos valores cobrados por vereadores para apoiar desconhecidos, esse valor beira R$ 30 mil. “São pessoas que nunca se ouviu falar o nome, que não tem serviço prestado e às vezes até moravam fora e de repente ganham o apoio de prefeitos e vereadores, alguma coisa estranha há”, lamentou.

Vitoriano de Abreu ainda fez um relato, em que presenciou a ascensão eleitoral de um desconhecido nas urnas: “Na ultima eleição, o meu colega Américo tomou uma cidade da gente vizinha, em Uiraúna e nunca ninguém tinha ouvido falar no nome de Américo, milagre não foi e isso dá pra se perceber que acontece com bastante frequência”, alfinetou.

Instigado a falar sobre o assunto, o veterano João Gonçalves (PSD) disse que a justiça deveria punir não só quem vende, mas também quem compram esses apoios.

“Em Itabaiana, por exemplo, dona Dida deu três mil e poucos votos a um candidato que ela apoiou, André Gadelha também esteve por lá e depois tchau, quando tem uma enchente no local nenhum desses políticos aparece, quem tava lá era João Gonçalves de 3h da manhã e continuou brigando para que a cidade fosse reconstruída”, disse.


Henrique Lima/ Márcia Dias 

PB Agora