Escândalos envolvendo manipulações mancharam esporte

Escândalos envolvendo manipulações mancharam esporte

Há bons motivos para os brasileiros receberem com preocupação a notícia de que as apostas esportivas foram liberadas no País. Em anos anteriores, escândalos envolvendo fraudes e manipulações de resultados mancharam a imagem do esporte nacional e, consequentemente, das casas de apostas. Houve pelo menos dois episódios que dificilmente sairão da memória do futebol brasileiro. Na década de 1980, a revista Placar denunciou o escândalo chamado de Máfia da Loteria Esportiva. Pouco mais de 20 anos depois, foi a vez de a Veja revelar o caso lembrado como Máfia do Apito. Não bastassem esses dois exemplos lamentáveis, o Brasil ainda vivenciou outros acontecimentos que não ganharam a mesma relevância, mas nem por isso foram menos desonrosos.

Em 22 de outubro de 1982, a Placar chegava às bancas e trazia em sua capa a seguinte manchete: “Exclusivo – Desvendamos a Máfia da Loteria Esportiva“. De acordo com a publicação, o então radialista Flávio Moreira, que trabalhava como chefe do setor de loterias da Sport Press, “escolhia” jogos que interessavam ao esquema, encaminhando-os para Brasília, onde as loterias eram administradas. As partidas estariam combinadas e os envolvidos – apostadores, dirigentes, árbitros, técnicos e até jogadores – sabiam quais seriam os resultados. Apostavam na coluna “certa” e levavam o prêmio. Entretanto, três anos depois, a Policia Federal concluiu o inquérito e, dos 125 acusados pela reportagem, somente 20 foram indiciadas. O restante se salvou por falta de provas.

Já em 2005, há pouco mais de 13 anos, o futebol brasileiro sofreria outro grave abalo. O escândalo chamado de Máfia do Apito, conforme batizado pela revista Veja, consistia em um esquema que beneficiava apostadores por meio de trapaças dos árbitros. Os juízes Edílson Pereira de Carvalho e Paulo José Danelon negociavam os resultados da Série A do Campeonato Brasileiro daquele ano com investidores. A repercussão deixou marcas profundas. Tentando resgatar a lisura do torneio, o presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Luís Zveiter, anulou os resultados dos 11 jogos arbitrados por Edílson. O Corinthians acabou sendo “privilegiado”, pois havia sido derrotado por Santos e São Paulo. Com a remarcação destes dois confrontos, o alvinegro da capital bateu o Peixe e empatou com o Tricolor, conquistado quatro pontos. O Internacional, vice-campeão, até hoje reclama de favorecimento à equipe paulista.

Folhapress