Escritório de advocacia que trabalhou para o PT de Gleisi no PR é investigado por repasses.

escritório gleisi hofmamSÃO PAULO – Um escritório de advocacia de Curitiba, que trabalha para o PT no Paraná e prestou serviços à campanha da senadora Gleisi Hoffmann, ex-ministra da Casa Civil de Dilma Rousseff, passou a ser investigado pela Operação Lava-Jato. O advogado Guilherme Gonçalves, que atuou para o PT nas campanhas de 2010 e de 2014, recebeu R$ 7,231 milhões de empresas do Grupo Consist por meio de seus escritórios. A Consist informou à Polícia Federal ter feito pagamentos a empresas indicadas pelo ex-vereador do PT Alexandre Romano, preso temporariamente nesta quinta-feira.

Os escritórios Gonçalves, Razuk, Lemos & Gabardo Advogados (R$ 957 mil) e sua antiga formação, a Guilherme Gonçalves & Sacha Reck Advogados Associados (R$ 6,2 milhões), receberam repasses entre 2010 e 2013 da Consist, que fechou contrato para administrar crédito consignado a funcionários públicos federais obtendo facilidades no Ministério do Planejamento. Segundo a PF, não foi possível comprovar que houve efetiva prestação de serviço pelos “honorários advocatícios” recebidos, pois não foram localizadas causas em que o escritório tenha atuado pela empresa.

O advogado Guilherme Gonçalves informou que prestou serviços de advocacia, consultoria e assessoria jurídica para a Consist e que apresentou os documentos que comprovam isso à Polícia Federal. Por meio de nota, o advogado informou que o escritório GRC Advogados, liderado por Sacha Reck, e do qual ele não faz mais parte, “não tem qualquer ligação com a Consist, visto que a prestação de serviços sempre foi feita diretamente por ele e sua equipe.”

Gonçalves prestou assessoria jurídica às campanhas de Gleisi Hoffmann para a prefeitura de Curitiba (em 2008), para o Senado Federal (em 2010), para o governo do Paraná (em 2014). Seu escrtitório atual, Gonçalves, Razuk, Lemos & Gabardo Advogados representou recentemente o diretório nacional do PT. Em 8 de junho, a banca entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra lei aprovada pela Assembleia Legislativa do Paraná que altera dispositivos do fundo de previdência do Estado do Paraná (Paranaprevidência). A aprovação dessa lei foi marcada por confronto entre policiais e professores que terminou com mais de 200 pessoas feridas.

Gonçalves é especialista em direito eleitoral. Ele fundou e é atual presidente do Instituto Paranaense de Direito Eleitoral. Além de representar Gleise, ele também prestou assessoria jurídica da campanha do deputado federal Ratinho Jr. (PSC-PR).

Nesta quinta-feira, a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão para apreender contratos, notas fiscais, correspondências eletrônicas e físicas relacionadas aos recebimentos.

Gleisi Hoffmann presidiu o Diretório Regional do PT no Paraná. A senadora é investigada na Lava-Jato por ter recebido, segundo o doleiro Alberto Youssef, R$ 1 milhão do esquema de corrupção da Petrobras, em 2010, para sua campanha ao Senado. Yousseff, em depoimento, disse que entregou o dinheiro pessoalmente a um emissário da senadora em um shopping de Curitiba. O marido de Gleisi, o ex-ministro Paulo Bernardo, também é investigado pelo Ministério Público Federal. Ele foi ministro do Planejamento no governo Lula (março de 2005 a janeiro de 2011) e ministro das Comunicações de Dilma Rousseff (janeiro de 2011 a janeiro de 2015)

Ao ter seu nome incluído entre os investigados da Lava-Jato, a senadora havia afirmado que nunca teve contato com o doleiro ou com Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras. De acordo com o MPF, se comprovada a acusação do doleiro, Gleisi poderá responder por corrupção passiva qualificada, cuja pena é de 2 a 12 anos de reclusão em multa.

O Globo