Especialista em marketing faz alerta às mulheres usadas como candidatas laranjas

Foto: Paraibaonline

“Assim como as mulheres devem denunciar o assédio sexual, a violência doméstica, devem também denunciar o uso do nome como candidatas laranjas de partidos”. A afirmação é da jornalista e pesquisadora, especialista em marketing político, Cila Schulman, dita em recente palestra ministrada sobre a participação da mulher na política em João Pessoa, a convite da deputada federal Daniella Ribeiro (Progressista).

Sob o tema “A política é ou não é para mulheres?”, ela respondeu que sim e onde mais elas quiserem, desde que lutem por este lugar, tenham respeito e sororidade das demais. Contudo sem estímulo, a participação das mulheres na política é muito pequena.

Na Paraíba, apenas 15% ocupam cargos eletivos e no Brasil, 10% do total de parlamentares eleitos são mulheres. Ainda que sejam a maior parte do eleitorado brasileiro, mas elas estão longe de conseguir se eleger na mesma proporção que os homens.

Para Schulman, as mulheres devem lutar pelo seu espaço, não podem ficar esperando que os homens queiram dar esse papel de representatividade porque não vai acontecer.

“Em um mesmo lugar não cabem duas pessoas. O homem diz logo que essa vaga é minha. Então as mulheres têm que se organizar. Acho que a gente tem um desafio entre mulheres de nos apoiarmos. Eu uso bastante a palavra sororidade porque isso significa uma empatia das mulheres para o bem comum. Não é ser amiga ou gostar da outra e aceitar porque ser amiga é muito fácil. Complicado é apoiar mulheres que não concordamos que também estejam no Congresso, no governo, na prefeitura e em todos os lugares”, observou.

Conforme a jornalista, as mulheres têm que saber conviver melhor e saber se organizar melhor. Ela deu exemplo de países que saíram na frente do Brasil, na América Latina, como o México, que aprovou a lei de paridade de 50% de mulheres em todas as instâncias e na Argentina, onde vai ter um grande passo que vai ser a paridade no Congresso Nacional nas próximas eleições.

Foto: Paraibaonline

Foto: Paraibaonline

Hoje, Cila Schulman se diz a favor da cota de 30% reservada às mulheres nos pleitos eleitorais.

“As cotas são necessárias. E já fui contra. Fui na vibe da multidão. As mulheres negras têm mais dificuldade e a gente ainda nem chegou lá na política. Nem as brancas estão sendo eleitas. Então, temos que abrir portas para todo mundo já que sabemos disso e acho que as cotas servem para uma fase até que seja normalizado com mulheres votando em mulheres. Na verdade, nós nem temos mulheres candidatas porque ela têm medo e não tem espaços para se candidatar. As cotas não deverão ser para sempre” , advertiu.

Com relação às candidaturas-laranjas, sobretudo, no uso das mulheres que são escolhidas como laranjas para burlar a lei de cotas femininas, fato este, denunciado em uma pesquisa inédita, mostrando quais partidos usaram mais mulheres para burlar cotas nas eleições de 2018.

“Essa é a quarta onda do feminismo que fala sobre a gente romper com o silêncio em relação à violência doméstica, no ambiente de trabalho e agora romper com o silêncio na política. Ou seja, se uma mulher se sente usada na política ela tem que falar. Sabemos que é difícil e outras mulheres tem que apoiá-la porque ela não pode estar sozinha. Acho que temos que fazer valer o “mexeu com uma, mexeu com todas”. Temos que fazer isso na política também e não se vitimizar por conta das laranjas e não mais participar. Temos que lutar contra isso”,alertou a jornalista.

Paraíba Online