João Pessoa 24/04/2019

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Esta jovem vai de camelo da Mongólia até Londres

Baigalmaa Norjmaa quer percorrer com camelos 12.000 km, 14 países e em condições extremas que poucos humanos poderiam tolerar

São 12 mil quilômetros, passando por inúmeras paisagens, entre elas de deserto, com neve, temperaturas negativas, 14 países em cima do meio de transporte mais incomum nos dias de hoje, um camelo. Esta é a jornada que a aventureira Baigalmaa Norjmaa, 30, de Ulaangom, no noroeste da Mongólia iniciou em dezembro de 2017 com destino final Londres, na Inglaterra.

Até agora, ela já se tornou a primeira mulher mongol a viajar mais de 3.000 km com camelo. A expectativa é que a travessia termina em três anos.

Os pais de Baigalmaa eram pastores mongóis nômades, o que significa que ela cresceu passando de um local de pastagem para outro. Ela deixou a sua família com 16 anos para estudar, mas não demorou muito para que ela estivesse de volta ao deserto como guia de turismo.

Baigalmaa é uma montanhista ávida e subiu quase todos os picos da Mongólia, incluindo alguns no exterior, como o Monte Elbruys e Kilimanjaro. Oito anos atrás, ela ouviu pela primeira vez sobre Tim Cope, um australiano que viajava a cavalo da Mongólia para a Hungria. Isso a fez sonhar e planejar algo parecido, mas com camelo, como os mongóis fizeram durante a era da Rota da Seda.

Para o projeto Steppes to the West, Baigalmaa está acompanhada de um time de apoio, que também viaja com os camelos-bactrianos.

Quando Baigalmaa finalmente chegar a Londres, será a mais longa jornada de camelos da história, usando uma única caravana. No passado, animais de carga eram rotineiramente trocados por novos em campos fixos. Dada a distância percorrida até agora, esses camelos viajaram mais longe do que a maioria.

Em entrevista ao site ExplorersWeb, ela explicou que a ideia do projeto é promover a cultura da Mongólia em todo o mundo, compartilhar conhecimento com as pessoas ao longo do percurso e também capacitar as mulheres.

“Desde o início da minha jornada, tem havido muitos efeitos positivos: os camelos agora são populares novamente com os mongóis, e as pessoas estão mais interessadas em recreação ao ar livre. Além disso, espero poder inspirar as mulheres nas áreas rurais a embarcar em seus próprios projetos futuros”, contou.

Para Baigalmaa, a parte mais desafiadora de sua rota até agora foi o inverno na Mongólia. “Sete de nós começaram a jornada, mas os outros desistiram devido ao frio e a alguns motivos pessoais. Depois do primeiro mês, estávamos no deserto de Gobi no meio do inverno. Algumas noites nós dormimos em -58 °C.”

E não pense que é simples viajar com camelos. Baigalmaa disse que além de serem animais demorados, é preciso alimentá-los três vezes ao dia e constantemente prestar atenção ao seu bem-estar e manter uma rotina de cuidados.

Atualmente, Baigalmaa está no posto de fronteira de Khorgos, entre a China e o Cazaquistão, à espera de autorizações para se aventurar no Uzbequistão e no Turcomenistão, e começar a próxima fase da jornada na Europa Oriental.