João Pessoa 24/05/2019

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Ex-assessor diz ao MP que Livânia Farias comprou casa com ‘propina’ da Cruz Vermelha, na PB

Informação foi dada pelo ex-assessor de Livânia Faria, Leandro Nunes, durante depoimento ao Ministério Público.

Leandro Nunes foi flagrado recebendo um repasse de dinheiro dentro de uma caixa de vinho — Foto: Reprodução/TV Globo

A secretária de administração do Estado da Paraíba, Livânia Farias, teria comprado uma casa da cidade de Sousa, no Sertão da Paraíba, no valor de R$ 400 mil com dinheiro desviado da organização social Cruz Vermelha, que administra o Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa. A informação foi dada pelo ex-assessor de Livânia, Leandro Nunes Azevedo, durante depoimento ao Ministério Público.

Leandro Nunes é investigado na Operação Calvário, que apura desvio de dinheiro público repassado à Cruz Vermelha e ao Instituto de Psicologia Clínica, Educacional e Profissional (IPCEP), organizações sociais que administram hospitais da Paraíba. Ele foi preso no dia 1º de fevereiro, em Salgado de São Félix, e solto no dia 1º de março.

De acordo com a decisão, onde consta trechos do depoimento de Leandro, a casa de Livânia teria sido paga em duas prestações em dinheiro. Ele afirmou que estava presente no pagamento da primeira parte e que a segunda parcela foi entregue por ele. Segundo Leandro, “o imóvel foi pago com dinheiro que eles manipulavam da propina oriunda da Cruz Vermelha”. Nas duas vezes, eles foram fazer o pagamento, segundo Leandro, no carro de Livânia, uma BMW.

Casa em Sousa, no Sertão da Paraíba, que teria sido comprada por Livânia Farias por R$ 400 mil — Foto: Reprodução/TV Cabo BrancoCasa em Sousa, no Sertão da Paraíba, que teria sido comprada por Livânia Farias por R$ 400 mil — Foto: Reprodução/TV Cabo Branco

Casa em Sousa, no Sertão da Paraíba, que teria sido comprada por Livânia Farias por R$ 400 mil — Foto: Reprodução/TV Cabo Branco

Em nota divulgada no sábado (9), a defesa de Livânia informou que não havia tido acesso ao depoimento de Leandro e que ficou surpresa e indignada com as acusações. A defesa ainda disse que solicitou ao Poder Judiciário o acesso ao conteúdo do depoimento e que repudia a insinuação de que o imóvel de Sousa tenha sido adquirido de forma ilícita.

Em depoimento ao Ministério Público, Leandro Nunes admitiu que recebeu R$ 870 mil de Michele Louzada, braço direito de Daniel Gomes, dirigente da Cruz Vermelha e suspeito de ser chefe da organização criminosa que desviava dinheiro das organizações.

Trecho do depoimento de Leandro Nunes ao Ministério Público — Foto: Reprodução/MPPBTrecho do depoimento de Leandro Nunes ao Ministério Público — Foto: Reprodução/MPPB

Trecho do depoimento de Leandro Nunes ao Ministério Público — Foto: Reprodução/MPPB

entrega de propina, que estava dentro de uma caixa de vinho, foi filmada pelas câmeras de um hotel na orla do Rio de Janeiro, em agosto de 2018. Leandro disse, ainda, que estava lá por ordem de Livânia Farias, atual secretária de administração do Estado, cargo que ela também ocupada em agosto.

No depoimento, Leandro detalha que Livânia havia dito que o repasse era de R$ 700 mil, mas que ficou surpreso quando contou o dinheiro no quarto do hotel e um pouco mais. O ex-assessor revelou que quase todo o dinheiro foi usado para pagar fornecedores que ainda iriam prestar serviços a uma campanha eleitoral. Na decisão, não consta o nome do candidato supostamente beneficiado.

Segundo Leandro, os pagamento foram feitos em dinheiro, levado em mochilas, e por meio de vários depósitos em contas bancárias. Após os pagamentos, ele retornou à Paraíba com R$ 10 mil a R$ 15 mil.

Devido à confissão espontânea e contribuição à Justiça, o desembargador Ricardo Vital transformou a prisão preventiva em medidas cautelares. O pedido foi feito pelo próprio Ministério Público. Leandro está usando tornozeleira eletrônica, não pode entrar em prédios do estado, ter contato com investigados e se deslocar para locais com distância superior a 200 km de João Pessoa.

O esquema foi denunciado pelo Fantástico no início de fevereiro. Dias antes, Leandro foi exonerado do cargo de assessor da secretaria de administração, onde atuava desde 2011.

As organizações sociais receberam do Governo da Paraíba entre 2011 e 2018, cerca de R$ 1,1 bilhão para gerenciar as unidades.

G1PB