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Ex-mediador da ONU atribui avanço de jihadistas no Iraque a inércia na Síria

IRAQUE E SISRIA GUERRAO ex-mediador da ONU na Síria, Lakhdar Brahimi, e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair afirmaram neste domingo (15) que ao avanço de jihadistas no Iraque é uma consequência da falta de ação da comunidade internacional no conflito sírio. Hoje, um ataque em Bagdá causou a morte de pelo menos nove pessoas.
O ex-emissário internacional para a Síria explicou, em entrevista à agência AFP, que um conflito como o da Síria “não pode ficar fechado nas fronteiras de um único país”. “Infelizmente, nós negligenciamos o problema sírio e não ajudamos a resolvê-lo. Este é o resultado”, declarou Brahimi. Ele pediu demissão do cargo em maio, depois de dois anos de esforços sem resultados para colocar um fim à guerra que já deixou mais de 160 mil mortos.

Brahimi também foi mediador no Iraque, após a invasão americana em 2003. Segundo ele, “a comunidade internacional não pode se surpreender” pela ofensiva jihadista ocorrida no Iraque, comandada pelo Estado Islâmico no Iraque e no Levante, que é uma das forças mais importantes no conflito sírio.

Os insurgentes são conhecidos pela brutalidade e, em apenas três dias, tomaram o controle da segunda maior cidade iraquiana, Mossul, e outras vastas regiões do norte e do centro do país. O grupo se concentra na fronteira entre o Iraque a Síria e sonha em criar um emirado islâmico entre os dois países.

“Uma personalidade iraquiana me disse em novembro que o grupo estava 10 vezes mais ativo no Iraque do que na Síria. Mencionei isso ao Conselho de Segurança e em outras conversas”, lembrou Brahimi. De acordo com ele, “todos os ingredientes para uma guerra civil” já estavam reunidos desde 2004 no Iraque, após a queda do ditador Sadam Hussein e o aumento da violência entre xiitas e sunitas. “Eu não defendo o regime de Sadam: era um regime odioso que deveria cair. Mas a maneira como isso foi feito, através de uma invasão, não tinha nenhuma justificativa.”

Blair defende queda de Saddam Hussein

Também o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, no poder durante a invasão americana e britânica ao Iraque, declarou neste domingo que a expansão dos jihadistas se deve ao conflito sírio. Blair, no entanto, rejeitou a queda de Saddam como um dos fatores para a situação.

“Se Saddam Hussein continuasse no poder em 2003, depois haveria 2011 e as revoluções árabes na Tunísia, na Líbia, no Iêmen, no Egito ou na Síria – e você teria, de qualquer maneira, um grande problema no Iraque”, afirmou, à emissora BBC. “Você pode ver o que acontece quando deixamos um ditador no poder, como é o caso de Assad. Os problemas não desaparecem.”

Na opinião de Blair, que atualmente é o enviado especial ao Oriente Médio do quarteto Nações Unidas, União Europeia, Estados e Rússia, “a guerra civil na Síria e a desintegração que a acompanha tem um efeito previsível e pernicioso”. “O Iraque agora está em perigo de morte. O conjunto do Oriente Médio está ameaçado”, observou, em um texto publicado em seu site na internet. O ex-premiê avalia que a comunidade internacional deve “repensar a estratégia a respeito da Síria” e apoiar a oposição moderada do país, sem uma invasão militar.

Ataque em Bagdá

Ao norte de Baquba, um centro de recrutamento de civis para combater os jihadistas foi bombardeado neste domingo, causando a morte de pelo menos nove pessoas. Os civis atenderam a um pedido do aiatolá Ali Al-Sistani, a maior autoridade xiita do Iraque, que solicitou a colaboração da população para defender o país dos insurgentes.

Na província de Salahedine, os extremistas teriam executado dezenas de membros do exército iraquiano feitos prisioneiros, de acordo com fotos publicadas na internet, cuja autoria ainda não foi confirmada. O governo iraquiano afirma que o contra-ataque aos jihadistas, iniciado no sábado, já matou 279 “terroristas”.

RFI