Ex-mulher do líder do grupo EI quer recomeçar a vida na Europa

Ex-mulher do líder do grupo EI quer recomeçar a vida na Europa

ex-muler líder EISaja al-Dulaimi, ex-mulher do líder do grupo Estado Islâmico (EI), Abu Bakr al-Baghdadi, declarou nunca ter apoiado o terrorismo e que quer refazer sua vida na Europa. As declarações foram transmitidas nesta sexta-feira (1°) pela rede de televisão sueca Expressen TV, na primeira entrevista da iraquiana desde que foi libertada, no ano passado, de uma prisão no Líbano.

Ela foi casada com o homem mais procurado do mundo, com quem declara não ter sido feliz. Saja al-Dulaimi, de 28 anos, conversou com a Expressen TV, afiliada à CNN, em um local secreto na fronteira sírio-libanesa. No Líbano, ela foi presa por fazer parte do Fronte al-Nosra, braço da Al-Qaeda.

Nascida em uma família de classe alta no Iraque, a jovem se casou com al-Baghdadi em 2008, com quem teve uma filha. Segundo ela, nesta época, ele não tinha ideias ou comportamento de terrorista.

“Eu me casei com uma pessoa normal, um professor universitário. Ele era um homem de família. Ia para o trabalho e voltava para a casa para ficar com a família”, disse à Expressen TV.

Al-Dulaimi não era a única companheira de al-Baghdadi e era obrigada a dividi-lo com outra mulher, como autoriza a religião muçulmana. A iraquiana não esconde sua oposição ao duplo casamento: “é difícil duas esposas morarem juntas”.

A jovem e o então marido não conversavam muito, segundo ela porque al-Baghdadi tinha “uma personalidade misteriosa”. No entanto, a iraquiana não poupa elogios ao ex-companheiro: “Ele era ótimo. Era o pai ideal para uma criança. A forma como ele tratava as crianças… ele era um professor, você sabe como são os professores. Ele sabia como lidar com as crianças”, relembrou.

“Eu não estava feliz”

Depois de três meses de casamento, Al-Dulaimi decidiu terminar a relação, quando engravidou. “Eu não estava feliz”, declarou, dizendo que não amava o marido.

Segundo a iraquiana, al-Baghdadi tentou convencê-la durante muito tempo a reatar o relacionamento, mas a decisão da jovem de se separar foi definitiva. A última vez que os dois se falaram foi em 2009, na última tentativa do líder do grupo Estado Islâmico de reconquistar a ex-mulher.

Al-Baghdadi não sabia da gravidez da jovem. Quando descobriu que os dois tinham uma filha juntos, ele jurou que tomaria a garota da mãe, caso a ex-mulher se casasse novamente.

Uma vida nova na Europa

Al-Dulaimi teme pela segurança da filha e quer que ela seja educada na Europa, para onde sonha se mudar. “Ela é quem mais sofre agora. Ela carrega o desastre de um mundo inteiro em suas costas”, desabafou.

No Velho Continente, a iraquiana espera poder ter uma vida melhor. “Quero viver em um país europeu, não em um país árabe. Quero que minha filha viva e receba uma educação”, reiterou.

A iraquiana ainda culpabiliza pela união com o chefe dos jihadistas. “Mesmo que a mãe tenha sido casada com Abu Bakr al-Baghdadi, um terrorista, qual é a culpa da criança?”, questiona.

Longe do terrorismo

Al-Dulaimi foi presa em 2014 no Líbano, depois que cruzou a fronteira com a Síria para uma suposta operação. Um ano depois, as autoridades a libertaram junto com um grupo de radicais islâmicos, em troca de soldados libaneses capturados pela Frente al-Nosra.

“Fui suspeita de terrorismo, mas estou longe de tudo isso”, disse, durante a entrevista. No entanto, para a iraquiana, independentemente da separação, ela vai carregar para sempre o peso de ter sido casada com al-Baghdadi.

“Se eu quisesse viver com ele, teria uma vida de princesa. Poderia ter me mudado com ele e ter muito dinheiro. Mas não quero dinheiro. Quero viver em liberdade, viver como todo mundo”, concluiu.

Noticiário Internacional