Ex-parceiro de Lobão critica cantor por modificar verso de ‘Vida bandida’ para atacar Dilma Rousseff.

lobãoO cantor Lobão – Rui Mendes / Agência O Globo

RIO — O poeta e letrista Bernardo Vilhena fez um desabafo neste domingo, no Facebook, sobre a versão de “Vida bandida” que Lobão anda tocando ao vivo. Nos shows, o cantor substitui o refrão que dá o título à música por “Dilma bandida”, além de xingar a presidente (assista abaixo ao vídeo de uma apresentação feita no mês passado, no Recife). O poema foi escrito por Vilhena em 1975 e virou canção 12 anos depois, na voz de Lobão.

“Sempre evitei e jamais dei autorização para o uso de minhas canções em campanhas políticas”, escreveu o poeta na rede social, lembrando o caso em que impediu o PT de usar em propagandas a canção “Revanche”, composta por ele em 1986. “Esta mesma canção que, numa demonstração de sua ignorância, Lobão se nega a cantar em seus shows sob a alegação de ser datada. Passados 30 anos, ele ainda não entendeu a letra.”

Ao GLOBO, o autor dos versos de “Vida bandida” disse que a versão alterada é “canhestra” e representa uma “falta de respeito”, já que ele não foi avisado sobre a polêmica releitura com antecedência:

— Quando eu soube, fiquei indignado. Além disso, eu discordo da posição política de Lobão.

Vilhena disse ter entrado em contato com a gravadora Som Livre para se informar sobre possíveis medidas judiciais, mas informou que, apesar disso, não pretende processar o ex-parceiro nem proibí-lo de cantar a música.

— Só estou explicitando o meu descontentamento. Acho que ele (Lobão) deveria ter algum respeito sobre os trabalhos que já fizemos. Ele poderia me preservar — afirmou. — Não sou uma pessoa de proibir nada.

Procurado pela reportagem, Lobão declarou que não tinha conhecimento sobre o desabafo de Vilhena e acrescentou que não queria comentar o caso. Mas acabou dizendo que ninguém pode impedí-lo de modificar a letra de “Vida bandida”.

— A música é minha e ninguém pode me impedir de cantá-la. Sou soberano sobre meu trabalho. Qualquer pessoa que interferir nisso está cometendo uma transgressão dos direitos humanos. Trata-se da minha liberdade. Se alguém quiser lançar outra versão, que grave. Quem reclama, já perdeu — disse Lobão.

O Globo