Ex-procurador depõe sobre delação da JBS por mais de 7 horas

O advogado Marcello Miller é suspeito de atuar na defesa da JBS enquanto era procurador – Fabio Guimarães / Agência O Globo

RIO – O ex-procurador Marcello Miller continua a prestar depoimento na noite desta sexta-feira na sede da Procuradoria Regional da República da 2ª Região, no Centro do Rio. O depoimento já dura mais de sete horas. O ex-procurador é investigado no procedimento interno do Ministério Público Federal (MPF) que apura se houve fraude no acordo de delação premiada da JBS.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, abriu o procedimento após um áudio entre Joesley Batista e o executivo Ricardo Saud indicar que Miller poderia ter atuado de maneira ilícita na negociação do acordo. Em nota, o ex-procurador já negou as acusações.

Dois procuradores tomaram seu depoimento: um procurador regional da República, que atua na segunda instância da Justiça Federal, e um procurador da primeira instância.

O depoimento foi gravado em vídeo. Um novo cartão de memória para a câmera precisou ser entregue em função da longa duração da oitiva. A sessão, que começou pouco depois das 15h, continuava até as 22h de ontem.

No dia anterior, os executivos da J&F, proprietária da JBS, também prestaram depoimentos à PGR sobre o papel de Miller na negociação da delação.

O dono da JBS Joesley Batista afirmou que não recebeu orientação do ex-procurador para gravar a conversa com o presidente Michel Temer ou qualquer outra autoridade investigada pela Lava-Jato.

Em seu depoimento, ele também alegou que a gravação em que fala sobre os contatos com Miller foi uma “conversa de bêbados”.

Na gravação de quatro horas entregue à PGR há uma semana, Joesley e o diretor da JBS Ricardo Saud falam sobre como planejavam envolver ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) na delação, sobre crimes não delatados e sobre a atuação de Miller para a dupla antes mesmo de uma formalização do acordo na PGR. O áudio levou à abertura do procedimento de revisão da delação da JBS.

Depois de ouvir os depoimentos, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, decidiu anular os benefícios concedidos a Joesley e ao diretor da JBS Ricardo Saud. Ele deve pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) nos próximos dias a prisão preventiva de ambos e também a de Miller.

O Globo