‘Falta de limites’: Familiares de vítimas repudiam apoio a condutor que causou acidente no Bessa

fatima lopesApós mais um caso de acidente de trânsito envolvendo álcool e direção neste domingo (10) que vitimou o construtor Bruno Fonseca, familiares de vítimas no trânsito foram a público para se solidarizar com a mãe e a esposa de Fonseca, Priscila Raquel de Melo, de 30 anos.

O ex-Policial Federal, Deusimar Guedes que teve sua filha morta no dia 16 de julho de 2011 e Ana Carla Lopes, filha da defensora pública Fátima Lopes, morta em 24 de janeiro de 2010 em acidentes parecidos com o que vitimou  Bruno pediram justiça, conscientização da população e repudiam apoio ao condutor.

Deusimar apontou que o grande problema dessa mistura mortal é a falta de limites que ‘começa em casa e vai desaguar numa sociedade violenta como temos hoje’.

“A sociedade não quer tomar as rédeas da situação. Ou dominamos essa droga ou iremos sobrar por essa omissão”, diz.

 

Em relação à campanha ‘força João’ que está sendo feita nas redes sociais, Ana Carla se revoltou, ressaltando que as pessoas deveriam ‘dar forças à mãe de Bruno e à viúva’. “Eu estava lá, vendo o sofrimento dela. Eles não sabem o tamanho da dor e só vão saber quando passarem um dia. Aí essa campanha ‘Força João’ acaba. A gente só sabe quando sente na pele. É revoltante”, reclama. João Paulo Barbalho Inácio da Silva é acusado de dirigir embriagado e causar o acidente que vitimou Bruno.

Deusimar também lamentou a campanha: “Eu perdi minha filha caçula que acabava de entrar na universidade, por um bêbado, criminoso de trânsito…”, diz. Para o pai, o sentimento de apoio ao condutor que causou o acidente se dá por questões financeiras. “Porque tem dinheiro acha que é menos grave. Esse que bateu é advogado, eu também sou, mas jamais vou defender. Mesmo um pai não pode defender um filho se ele for culpado. Essa falta de freio e limites começando em casa vai desaguar numa sociedade violenta como temos hoje”, reclama.

O psicólogo Augusto Vaes ratificou a falta de limites apontada por Deusimar. “O ato causado por ele (João) não é justificável. Entendo que o João nesse momento está sofrendo”, conta. “Ele infringiu diversas leis, a placa de PARE, a alta velocidade em rua de calçamento, a negação da proibição de beber ao dirigir. Quando você infringe isso, mostra que você tem ausência de limites na vida”, explica.

Com informações da Rádio CBN João Pessoa.

Marília Domingues