Família que morreu eletrocutada em São Gonçalo estava a caminho da missa

família mortaAs quatro pessoas da mesma família que morreram eletrocutadas na noite de domingo, no bairro de Neves, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, estavam a caminho da missa quando a tragédia aconteceu, de acordo com o técnico naval José Paulo Abreu Moreira, de 62 anos, filho de Adão Orlando Silva Moraes, de 87, uma das vítimas fatais. Além de Adão, Raphael Sergio Alcântara Oliveira, de 35 anos, Lucas, de 13, e Gabriel, de 10 meses, morreram depois que um cabo de média tensão se rompeu e caiu sobre o carro da família, na Rua Marcehal Floriano Peixoto. Segundo José Paulo, a família pretende processar a Ampla, empresa responsável pelo fornecimento de energia na região.

— Já acionamos um advogado, porque não queremos que outras famílias passem pelo que estamos passando. Não estamos pensando em dinheiro, mas sim na falta de segurança que essa empresa está prestando à cidade — diz José Paulo, extremamente abalado com a perda do pai.

De acordo com José Paulo, os quatro haviam ido visitar a avó das crianças e iam participar de uma missa, às 19h. Raphael, pai das crianças, colocou o bebê no banco de trás do carro e, ao fechar a porta, o fio caiu sobre o capô. Vendo o incidente, o filho adolescente correu até o veículo para tentar salvar o irmão mais novo, e acabou recebendo a descarga elétrica. Ao ver a cena, Raphael tentou puxar os filhos, e também ficou preso pela corrente elétrica. O avô chegou em seguida, para tentar acudir o enteado e os netos, mas também foi eletrocutado.

A avó das crianças foi a última a tentar ajudar a família. Ela sobreviveu, apesar de também ter recebido a descarga elétrica. Maria Nazaré Alcântara de Oliveira, de 60 anos, que era casada com Adão há dez anos, foi levada ao Hospital Estadual Azevedo Lima, em Niterói, também na Região Metropolitana, e transferida de madrugada para o Complexo Hospitalar de Niterói (CHN). De acoredo com o Centro de Queimados da unidade, o estado de saúde da paciente é estável. Ela está lúcida e sendo avaliada pelos médicos.

Um vizinho que presenciou o incidente contou que há cerca de 15 dias uma equipe da Ampla esteve próximo ao local fazendo reparos, já que havia constantes quedas de energia na região. Moradores da rua acreditam que o serviço possa ter sido mal feito.

— Antes de acontecer o acidente nós já estávamos vendo que a fiação estava enrando em curto-circuito em grande parte da via. Infelizmente um fio arrebentou logo em cima do carro deles — lamentou o vizinho, que se identificou apenas como Alexandre.

Técnicos da Ampla suspeitam que a explosão de uma bomba malvina numa rua próxima ao local tenha provocado o rompimento do cabo. Segundo os funcionários, que não estão autorizados a se identificar, comerciantes da Rua Saldanha Marinho contaram que, por volta das 19h de domingo, um grupo de rapazes colocou uma bomba malvina dentro de um freezer. Na explosão, a tampa do eletrodoméstico teria atingido a rede elétrica e provocado um curto-circuito, que, por sua vez, teria ocasionado o rompimento do fio.

Em nota, a Ampla informou que identificou em seu sistema um curto-circuito de grandes proporções, na noite de domingo, que “teria sido ocasionado pelo choque de um objeto na rede nas proximidades onde ocorreu o rompimento do cabo”. A empresa acrescenta que está aguardando os resultados das investigações e prestando assistência à família das vítimas.

A Polícia Civil fez uma perícia no local, mas o resultado só deve ficar pronto em 30 dias. O caso é investigado pela 73ª DP (Neves). A delegada responsável pelo caso não quis comentar o assunto.
Enterros

O enterro de Adão Oliveira está previsto para as 16h30m, no Cemitério de Maruí, em Niterói. Lucas, de 13 anos, e o pequeno Gabriel, de 11 meses, serão sepultados às 17h, no Cemitério Parque Nycteroy, no Pacheco, em São Gonçalo.

Cabo de média tensão caiu em cima de carro em São Gonçalo

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