Felipão já confirma oito de seus 23 convocados para Copa

felipão seleçãoFelipão participa de palestra na Universidade São Judas, em São Paulo (Ale Vianna/Brazil Photo Press/Folhapress)

“Já tenho minhas ideias, mas nem Murtosa, Parreira ou o presidente Marin sabem, porque não existe segredo entre duas pessoas. Nem para a mulher tem que contar”

O técnico Luiz Felipe Scolari confirmou nesta quinta-feira que já tem na cabeça a lista dos 23 jogadores que defenderão a seleção brasileira na Copa do Mundo – e acabou revelando publicamente oito dos nomes já definidos. Felipão disse que nem mesmo seu auxiliar Flávio Murtosa, que o acompanha há décadas, foi avisado de todas as escolhas. O coordenador técnico Carlos Alberto Parreira e o presidente da CBF, José Maria Marin, também não sabem de todos os nomes. Apesar de garantir o sigilo até o dia 7 de maio, quando a lista completa será divulgada no Rio de Janeiro, o técnico não hesitou em comentar abertamente algumas de suas escolhas. Ele apontou, por exemplo, quais serão os líderes de seu grupo. “Eles já foram escolhidos. Um é o David Luiz. Ou seja, ele já deve estar convocado então…”, disse o treinador, sorrindo. “Os outros são Thiago Silva, Júlio César e Fred. Esses quatro escolhidos são pessoas com quem eu já tinha conversado um pouco mais forte nas viagens.”

 

A experiência de ter mais de um capitão no grupo é uma lembrança da campanha do penta, em 2002. Emerson, que usaria a braçadeira, sofreu uma lesão num treino. Na ocasião, Cafu passou a ter a responsabilidade de vestir a tarja, mas Roberto Carlos, Roque Júnior, Rivaldo e Ronaldo também eram considerados capitães. Além de elencar os líderes de seu grupo, Felipão também revelou outros nomes já assegurados na convocação. Em viagem pela Europa há poucas semanas, o treinador avisou a alguns atletas que eles serão convocados para a Copa. Além de David Luiz, outros três brasileiros do Chelsea estão nessa situação: Ramires, Willian e Oscar. Paulinho, do Tottenham, é mais um que não tem risco algum de ser excluído. “Conversei com cinco jogadores em Londres e falei que eles estarão em meu grupo”, confirmou.

Felipão disse que a grande quantidade de atletas da seleção no Chelsea faz com que ele fique dividido sobre a participação do clube londrino na reta final da Liga dos Campeões. A equipe empatou o primeiro jogo contra o Atlético de Madri, na Espanha. “Se fosse analisar para nós, seria bom que o Atlético passasse pelo Chelsea, porque teríamos os quatro mais descansados. Mas, na parte psicológica, os quatro seriam perdedores. Por isso, deixe que joguem. Quem ganhar, ganhou.” A final da Liga dos Campeões acontece no dia 24 de maio, em Lisboa, apenas dois dias antes da apresentação da seleção. A convocação acontece em 7 de maio – e o técnico diz que só não vai revelar mais jogadores garantidos porque teme algum imprevisto.

“Não tenho dúvida nenhuma, mas vou esperar o fim dos campeonatos, porque de um dia para o outro pode ter problema. Ontem, por exemplo, o Henrique se acidentou“, disse o técnico, citando seu ex-zagueiro no Palmeiras, cotado para uma vaga de reserva no grupo da Copa. “Não sabemos o que vai acontecer. Já tenho minhas ideias, mas nem Murtosa, Parreira ou o presidente Marin sabem, porque não existe segredo entre duas pessoas. Nem para a mulher tem que contar”, brincou. Mas o torcedor pode ter pelo menos uma certeza, segundo Felipão: a divulgação da lista não terá nenhuma emoção e será absolutamente previsível. “Não haverá grandes novidades, não se preocupem. Se fizerem a lista, vão acertar 22 e talvez errar um”, garantiu. Felipão participou de uma palestra sobre psicologia esportiva na Universidade São Judas, na Zona Leste de São Paulo.

Jogadores do Brasil comemoram no estádio Maracanã durante final da Copa das Confederações entre Brasil e Espanha, no Rio de Janeiro

Jogadores do Brasil comemoram no estádio Maracanã durante final da Copa das Confederações entre Brasil e Espanha, no Rio de Janeiro – Ivan Pacheco

Felipão iniciou seu trabalho com um prazo incômodo: teria pouco mais de um ano para montar o grupo que disputará a Copa do Mundo. A missão era dificultada pelo fato de o antecessor ter deixado mais dúvidas do que certezas em seus dois anos no cargo. Pressionado pelo curto período que separava sua estreia, em fevereiro, na Inglaterra, e a estreia na Copa das Confederações, em junho, o técnico aproveitou ao máximo os sete amistosos marcados antes da competição. E ao contrário de Mano Menezes, que custava a reagir a problemas evidentes da equipe, Felipão não perdeu tempo – ensaiou diferentes formações e testou vários atletas, mas não demorou a sedimentar suas preferências e escolher seu time ideal. Em apenas quatro meses, tinha uma seleção pronta, um estilo de jogo bem definido e uma ideia clara para o futuro da seleção.
 (Com agência Gazeta Press)